Saiba como o Grêmio está despistando o interesse da China nos seus jogadores

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Em um mercado cada vez mais aquecido e em expansão, o futebol chinês apenas abre o mapa do Brasil, escolhe o alvo e desce a carga. Raramente sai de mãos abanando. Com ofertas que podem chegar até R$ 2 milhões de salário por mês, os clubes do país asiático têm protagonizado uma verdadeira debandada do futebol brasileiro, tendo o Corinthians, campeão nacional, como a principal vítima.

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No entanto, um motivo ajuda a explicar a facilidade dos chineses em tirar do campeão brasileiro nomes como Jadson, Renato Augusto e Ralf: as multas rescisórias relativamente baixas. O Grêmio, por outro lado, aposta na elevação da multa dos seus jogadores para brecar o interesse chinês e, a cada renovação feita, aumenta ainda mais os valores envolvidos em uma futura rescisão.

“No ano passado, nós adotados uma política de valorização salarial e renovação de prazo. Então, jogadores como Walace, Luan, Pedro Rocha e Everton tiveram um aumento salarial e os contratos jogados para 2018. E as multas são altíssimas”, destacou o presidente gremista Romildo Bolzan Jr, em entrevista recente ao programa Boa Noite Fox, do canal FoxSports.

Por que a China?

Fatores sociais e políticos ajudam a explicar os motivos do país que sempre cultivou outros esportes, como o tênis de mesa e badminton, migrou e passou a ter um interesse súbito por futebol. Com a segunda maior economia do mundo, calculada em um PIB de US$ 4 trilhões, a China quer expandir o seu poder em outras áreas e vê no futebol a possibilidade de girar o consumo, lotar estádios e implementar uma nova cultura, popular no mundo todo, à sua população de mais de 1 bilhão de pessoas.

Além disso, Xi Jinping, presidente do país asiático, é um legítimo apaixonado por futebol e é o grande avalista da impulsão da modalidade na China. Com o crescimento econômico do país, as grandes empresas privadas puderam comprar e comandar os grandes clubes, e com o seu imenso capital buscam os melhores jogadores da liga brasileira, por exemplo. Mesmo os craques da Europa viraram objetos de desejo dos chineses. O holandês Arjen Robben, do Bayern de Munique, já foi tentado.

O Guangzhou Evergrande, campeão asiático e semifinalista do Mundial de Clubes ante o Barcelona, é de propriedade da Evergrande Real State Group, gigante da construção civil. O panorama se mantém na maioria dos outros clubes, geridos por enormes empresas capazes de realizar negócios em um piscar de olhos.

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA



Jornalista formado pela PUCRS em agosto de 2014. Fã de esportes, sobretudo tênis. Colorado por paixão, jornalista por vocação e tenista por opção.