Opinião: Precisamos de um um esporte limpo, com lisura e dignidade

No dia em que a bolinha subiu para os primeiros jogos do Aberto da Austrália, o tênis foi sacudido com a revelação de uma denúncia sobre manipulação de jogos nos últimos anos, e que envolveriam vários nomes do Top-50 da modalidade.

Apostadores russos e italianos teriam, segundo documentos revelados pela emissora britânica BBC, em apuração junto à ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) manipulado resultados para lucrar com apostas, sendo que ao menos três destas apostas teriam sido feitas no tradicional Torneio de Winbledon. Ainda, segundo a emissora estatal britânica, ao menos 50 jogos teriam sido manobrados e que atletas receberiam pagamentos superiores a US$ 50 mil nos quartos dos hotéis onde se hospedavam.

Isto posto, há que se deixar claro o seguinte, esta revelação feita pela BBC deixa aterrorizado qualquer apaixonado por esporte, uma vez que não é a primeira modalidade que surgem notícias a este respeito e, mostra que o mais básico principio do esporte, que é o de vencer da forma mais leal dentro de campo está manchado.

O futebol está imerso em denuncias de corrupção com dirigentes sendo presos, afastados e entidades sendo submetidos a reformas, perdendo regalias e abalando suas estruturas. O atletismo, em particular na Rússia, também está coalhado de denuncias envolvendo doping e que podem deixar uma das potências mundiais do esporte fora da Rio 2016 (corremos o risco inclusive de não ver uma das musas do atletismo no Brasil, Yelena Isinbayeva).

Agora surge este problema com o tênis. Não é nada bom saber que o esporte que você admira, gosta e pratica esteja sob suspeitas de estar manchado pela sombra do doping ou de escândalos. Tem mais de dez anos que um Campeonato Brasileiro de Futebol teve 11 jogos refeitos por conta de suspeitas de manipulação por apostas e suspeitar que um resultado tenha sido manipulado para atender a ou b, é indigno. Tira a graça e o gosto de torcer, por gerar preocupações que uma defesa não foi feita para agradar um jogador no Oriente Médio, ou que um voleio foi mal executado para que um apostador russo lucre milhões com o resultado.

Enfim, passou da hora de todos: torcedores, atletas, árbitros, dirigentes e jornalistas brigarem por um esporte mais honesto, mais limpo, em que haja a certeza de que o resultado correto e justo aconteça, sem que haja necessidade de intervenção policial e/ou judicial no mesmo. Que o que seja visto na TV, quadra, campo, autódromo, raia, etc… seja de fato o real resultado e não haja suspeita de que determinado chute, ou braçada, ou arremesso, ou o que for tenha uma má intenção perversa por trás. Uma vez que o esporte no geral, além do lado entretenimento, tem cunho educativo. Cada vez que incentivamos filhos, sobrinhos, primos, ou mesmo crianças que não sejam nossas parentes a fazer quaisquer atividades, desejamos que eles encontrem no esporte um meio de se tornarem cidadãos de respeito, que respeitem as leis e convivam em sociedade e que não apelem para subterfúgios visando conseguir uma vitória falsa.

Por isso, por mais que haja essa sensação de derrota agora, é melhor que se investigue, doa a quem doer e em seguida tenhamos um esporte limpo, com lisura e dignidade.