Opinião: O calendário do handebol deve sofrer mudanças?

Reprodução/ Facebook oficial Confederação Brasileira de Handebol

Já vi Morten Soubak falando sobre isso e tenho motivos para crer que Jordi Ribera também tocou no assunto. Para quem não conhece muito bem, vou apresentar alguns fatos. Nos anos anteriores, chega o final de agosto, mas não chega o começo da Liga Nacional. Este, que deveria ser o nosso principal produto, ainda passou por um grande baque em 2015, quando metade das equipes femininas debandou, devido às condições dadas pela Confederação.

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Um torneio que demora a acontecer e dura pouco tempo com certeza deve levar dúvidas ao SporTV, que transmite suas decisões. Isto porque são decididas em ginásios com pouco público e provavelmente não com a audiência que se espera. Posso estar enganado (e como quero estar!).

Neste ano, com a mudança na presidência da Federação Paulista (coisa que não acontece na Confederação Brasileira há mais de 20 anos), vejo que há um movimento para não apenas ter um Campeonato Paulista mais amplo, mas para conciliar melhor com as datas nacionais e internacionais e ter outras competições em paralelo, como o Open e o Masters.

Uma das questões que mais incomoda é a forma como o Paulista é disputado. Não há rodadas de quarta e domingo. As equipes jogam duas vezes numa semana, depois ficam uma semana e meia sem jogar, depois jogam três vezes na mesma semana, depois um mês sem jogar, e assim vai. Para quem pensaria em comprar esse campeonato, já ficaria uma dúvida enorme.

No ano passado, a decisão do Paulista Masculino bateu com uma rodada da Liga Nacional e isso obrigou os clubes a negociar uma mudança de data. Pelas circunstâncias, o Pinheiros foi jogar em MG e não disputou o terceiro lugar do estadual. Pode imaginar a reação nas redes sociais.

Em suma, acredito que antes de cobrar mudanças no calendário, podemos pensar quem cobramos primeiro, se estamos certos ao cobrar (e quando cobrar) e principalmente se podemos fazer algo mais a respeito. Lembre-se que todos fazemos o Handebol acontecer no Brasil, e todos podemos ajudar a sanar seus problemas. Isso pode começar com um e-mail.

Crédito da foto: Reprodução/ Facebook oficial Confederação Brasileira de Handebol



Jornalista, formado em 2008. Após a formação, estudou na Austrália entre 2009 e 2010, acompanhando toda a cena esportiva local. Hoje, atua como correspondente nas Américas para portal norueguês de Handebol, presta assessoria de imprensa para atletas olímpicos e escreve colunas para o Torcer pelo Esporte.