E se a Indy não tivesse se dividido: parte 2

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Essa matéria faz parte de um especial que monta uma linha do tempo alternativa e, onde a divisão da Indy entre CART e IRL jamais aconteceu. Para entender essa linha do tempo, leia a parte 1.

Continuando:

2001

Na vida real, 2001 foi o ano do início da derrocada da CART, que começou a perder circuitos para a IRL. Inicialmente Homestead e Gateway; no ano seguinte, Michigan e Nazareh migraram de campeonato. A CART, para compensar, anuncia corridas na Inglaterra e na Alemanha, onde Alex Zanardi tragicamente perderia as pernas. Se a divisão não tivesse acontecido, Zanardi não teria perdido as pernas. O Italiano, que volta a categoria depois de um ano parado, faz dupla com Tony Kanaan na Mo Nunn, e termina o campeonato com todas as partes do corpo no lugar correto. Contudo, o calendário não escaparia de mudanças. O oval do Rio de Janeiro sai devido a situação da pista, e entra o Kentucky Speedway, mas a corrida de estreia da pista acontece no fim de semana seguinte ao trágico 11 de setembro.

Essa não seria a única mudança. O veterano Michael Andretti deixa a Newman/Haas e começa a montar o que viria a ser a Andretti Autosport, com a ajuda de Kim Green. No lugar de Andretti, entra Cristiano da Matta. E com a saída de Montoya para a Fórmula 1, Chip Ganassi contrata Bruno Junqueira, campeão da F-3000; e com a saída de Jimmy Vasser para a Patrick, o francês Nicolas Minassian ganha seu espaço, atraindo anda mais a atenção de Bernie Ecclestone na Fórmula 1, já que é a segunda vez em três anos que um campeão da F-3000 vai para a Indy. O campeão da Indy Lights, Scott Dixon, entra na PacWest, junto com Gugelmin.

Assim como 2000, a temporada é disputada. Helio Castroneves entra na história ao vencer pela primeira vez as 500 milhas de Indianapolis, quebrando um jejum da Penske que durava desde 1994. Castroneves luta pelo título contra o sueco Kenny Brack e contra o companheiro Gil de Ferran. Usando sua conhecida regularidade, De Ferran é mais uma vez campeão.

2002

Com o título antecipado de Michael Schumacher em 2001 e o amplo favoritismo dele em 2002. muitos fás de automobilismo se viram para a Indy, cujos campeonatos são bastante atraentes. A CART agora pisa no Hermanos Rodriguez, que recebe a etapa de abertura da temporada (na vida real, foi a última etapa no ano), e Homestead passa a ser a segunda.

Kenny Brack vai para a Chip Ganassi junto com Bruno Junqueira. Jimmy Vasser entra na Rahal e junto com Michel Jourdain Jr, mas o principal anúncio é da Patrick: além de trazer o campeão da Indy Lights Townsend Bell, chega na equipe Tomas Scheckter, filho do campeão da Fórmula 1 Jody Scheckter.

Na pista, o domínio é brasileiro. Gil de Ferran, Helio Castroneves e Cristiano da Matta brigam ponto por ponto o título de 2002. Castroneves vence de novo as 500 milhas após uma polêmica com Paul Tracey, mas termina o campeonato em segundo, atrás de Cristiano da Matta. O lado ruim fica pela falência da equipe PacWest, quase deixando Scott Dixon na mão, mas Chip Ganassi o contrata como piloto reserva.

2003

Após o domínio absoluto de Michael Schumacher,a Fórmula 1 começa a pensar em mudanças para deixar o campeonato mais competitivo, já que a Indy está tomando espaço da categoria mundial. A ideia inicialmente dá certo, e o título só é decidido na última etapa, com o alemão ganhando em cima de Kimi Raikkonen. O fato traz fãs de volta a Formula 1; contudo, a Indy tinha uma carta na manga.

O ano também teria bastante mudanças ente pilotos. Sebastien Bourdais se torna o terceiro campeão da F-3000 a ir para a Indy, contratado pela Newman/Haas para substituir Cristian Fittipaldi, que foi tentar a sorte na NASCAR. Já Cristiano da Matta recusa a proposta da Toyota para correr na Fórmula 1. Jimmy Vasser e Alex Zanardi aproveitam o que restou da PacWest e montam uma equipe nova: a ZV Racing (Zanardi-Vasser), sendo os dois fundadores passam a ser os pilotos também. A Rahal recontrata Kenny Brack e como seu companheiro chega o inglês Dan Wheldon. Chip Ganassi promove Scott Dixon ao lado de Bruno Junqueira. Já Michael Andretti se une de vez com Kim Green e cria a Andretti Green, contratando Tony Kanaan e mantendo Dario Franchitti. O próprio Andretti anuncia que aquela seria sua última temporada na Indy. Sem espaço na nova equipe Paul Tracey vai para a Forsythe depois de cinco anos na Green. No calendário, entra o Chicagoland Speedway, um oval de uma milha e meia; e sai Gateway.

Os brasileiros que estavam dominando o campeonato agora possuem rivais mais fortes, o campeonato começa forte; Nas 500 milhas, a Indy mostra o seu trunfo: Mika Hakkinen anuncia sua participação em Indianápolis, atraindo a mídia europeia. O finlandês bicampeão da Fórmula 1 tem uma participação discreta, e abandona com um problema no motor. Gil de Ferran leva a corrida num duelo contra seu companheiro Helio Castroneves, Já Scott Dixon quebra a sequência brasileira e ganha o título no final do ano.

2004

Com a boa disputa de 2003, a Fórmula 1 espera um campeonato mais disputado em 2004, entretanto, não é o que acontece. Schumacher vence 12 das 13 corridas iniciais, e com isso a Indy volta a ficar na mira da mídia internacional.

Nos EUA, com as aposentadorias de Gil de Ferran e Michael Andretti, a Penske e a Andretti contrariam, respectivamente, Townsend Bell e Dan Wheldon. Alex Zanardi resolve se aposentar e em seu lugar entra Ryan Hunter-Heay. A categoria também estreia chassis novos. Na pista, um duelo entre Brasil e França: Tony Kanaan e Sebastien Bourdais viram os protagonistas do campeonato. Melhor para o brasileiro, que leva o título no final da temporada pela sua regularidade. As 500 milhas, porém, são vencidas por Kenny Brack, sua segunda conquista.

2005

A Indy recebe mais pilotos, como o jovem americano A.J Allmendinger, que entra numa decadente Forsythe; o ex-F1 Justin Wilson, que estreia pela Patrick; e Will Power pela Walker. mas as atenções se viram para a Rahal, que contrata a jovem Danica Patrick, que fará dupla com o experiente Kenny Brack, sendo a primeira mulher a correr desde Lyn St James (Sarah Fischer não teria espaço com a Indy unificada). Porém a Fórmula 1 assiste o fim da era Schumacher e a promessa de disputados campeonatos metre Fernando Alonso e Kimi Raikkonen, que culmina no título do espanhol. A partir daí começa uma guerra entre as duas categorias, e ela fica evidente quando a Indy deseja correr em Montreal, na mesma pista da Fórmula 1, para substituir o circuito urbano Vancouver. No fim, a CART opta por correr num aeroporto em Edmonton. O calendário também marca a saída do oval de Nazareh, que viria a ser demolido.

Na pista, o ano é de Dan Wheldon, que vence as 500 milhas marcadas pela aparição de Danica Patrick, que termina em quarto lugar; e também pelo grave acidente de Bruno Junqueira, que fica fora o resto no ano. Wheldon também levaria o título.

2006

A guerra entre Indy e Fórmula 1 agora é aberta. Uma categoria passa a provocar a outra em pequenas indeiretas. Felipe Massa, recentemente contratado pela Ferrari, afirme que não tem nada contra seus amigos brasileiros na categoria.

Na Indy, na Wheldon entra para a Chip Ganassi no lugar de Bruno Junqueira, e o brasileiro vai para a Rahal no lugar de Kenny Brack, que decidiu se aposentar, e fora a dupla com Danica Patrick. No lugar de Wheldon, Michael Andretti coloca no lugar seu filho, Marco Andretti.

Na pista, acontece a redenção americana. Townsend Bell acaba com a sina dos Estados Unidos e vence as 500 milhas de Indianápolis após exatos 10 anos. O mesmo Townsend Bell é campeão após um duelo contra seu companheiro Helio Castroneves e os pilotos da Ganassi, Dixon e Wheldon. A temporada também é marcada pelo grave acidente de Cristiano da Matta, que atropela um cervo durante os treinos em Road America e fica fora o resto da temporada (algo que realmente aconteceu na Champ Car). Ecclestone aproveita para atacar a Indy.

2007

Com o acidente de Da Matta, a vaga na Newman/Haas passa a ser de Justin Wilson. Já a Forsythe, capenga por ter perdido o patrocínio dos cigarros Player´s (graças a uma lei americana que impediu propaganda tabagista em eventos esportivos, algo que realmente ocorreu), a equipe faz uma proposta ousada e contrata Danica Patrick com a intenção de atrair patrocinadores. A ideia da certo e a escuderia, que contava também com A.J Allmendinger, volta a andar forte. A vaga na Rahal é ocupada pelo filho do patrão, Grahan Rahal. A mudança também ocorre no combustível, que passa a ser de etanol de milho, levando a categoria para o pequeno oval de Iowa. O embate pelo título fica entre três pilotos: Sebastien Bourdais, Dario Franchitti e Scott Dixon. Franchitti vence as 500 milhas, mas o título fica com Bourdais.

No meio do ano, um escândalo de espionagem envolvendo McLaren e Ferrari atinge a Fórmula 1, que vivia uma de suas melhores temporadas. Essa é a chance que a CART tem em espetar a categoria rival, como um contra-ataque ao caso do atropelamento do cervo por Da Matta no ano anterior.

2008

A guerra entre Fórmula 1 e Fórmula Indy ainda continua forte. As duas brigam por audiência e patrocínios. Ambos os campeonatos tem finais espetaculares e brasileiros sendo derrotados. Assim como foi realmente, Scott Dixon derrotou Helio Castroneves e conseguiu seu segundo título, assim como Lewis Hamilton derrota Felipe Massa na Fórmula 1. Outras corridas interessantes incluem a Forsythe, que levou Danica Patrick a sua primeira vitória na categoria.

Contudo, nesse ano acontece o estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos, levando diversas partes do mundo a crise econômica e, obviamente, viria a ter suas consequências dentro das pistas. No mesmo ano, Helio Castroneves é acusado de sonegar impostos ao governo americano, e sua permanência na categoria fica ameaçada.

2009

A crise tinge o automobilismo. A Honda sai da Fórmula 1 e esta quase fica com 18 carros. Na Indy, o número cai de 26 para 22. Equipes pequenas balançam e as maiores são obrigadas a colocar um terceiro carro. E a corrida na Austrália acaba saindo do calendário. A notícia boa fica por conta de Helio Castroneves, que se salva das acusações e volta a correr ao lado de Townsend Bell e do recém-contratado Will Power. O mesmo Helio Castroneves vence as 500 milhas, mas Dario Franchitti é campeão pela primeira vez.

Enquanto isso, a Fórmula 1 sofre a mesma ameaça da Indy em 1996:separação já que as equipes não aceitam o limite orçamentário proposto por Max Mosley, e este acaba por sair do posto de presidente da FIA. Além disso, Nelsinho Piquet solta a língua e diz que bateu de propósito em Cingapura no ano anterior, causando um mau estar na categoria. A Indy porém,  se mostra indiferente ao caso.

2010

Com o Brasil em alta devido a economia forte e a expectativa devido aos grandes eventos esportivos que ocorrerão, a Indy decide voltar ao Brasil. Com a demolição do autódromo do Rio de Janeiro e o impedimento de usar Interlagos, uma pista de rua é montada  e São Paulo recebe a primeira corrida da temporada (com Hermanos Rodriguez em segundo e Homestead em terceiro). A categoria tenta se recuperar do baque de 2008 usando o espetáculo que tem em mãos. Dario Franchitti vence tanto as 500 milhas como o título no fim do ano.

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