Retrospectiva F1: O ano em que a Globo largou ainda mais a categoria

Em 2015 a Fórmula 1, principal categoria do automobilismo mundial, perdeu ainda mais espaço na televisão mundial, e na televisão brasileira não foi diferente. A Rede Globo, emissora aberta que transmite a categoria há mais de 40 anos no Brasil largou ainda mais de mão a competição neste ano.

Para começar, uma bizarrice na primeira etapa do campeonato. No dia 15 de março, se iniciava a temporada 2015 em Melbourne e a Globo tentou “inovar” nas transmissões, com uma transmissão totalmente alternativa, feita no estúdio da Fátima Bernardes e com vários convidados num sofá que interagiam com a bancada da transmissão, que em vários momentos dividia a tela da corrida. Uma tentativa de fazer da F1 não um “esporte” mas sim um “entretenimento esportivo”. Não deu certo, e no GP da Malásia (duas semanas depois) a ideia foi abortada.

Depois, a decisão de “minar” o treino classificatório aos sábados, com a transmissão ao vivo apenas da última etapa, o chamado “Q3” em cada corrida.  Se esta decisão já havia incomodado, meses depois, a Globo resolveu retirar de sua grade e parou de transmitir os treinos, fazendo apenas menções e cobertura jornalística.

As transmissões das corridas também sofreram este ano. Após seguir dois anos com a chamada cobertura “pre-race” da F1 (cobertura antes das corridas realizadas pelas emissoras detentoras), a emissora resolveu cortar em 2015. Ainda sobre a cobertura das corridas, foi notável a diminuição de transmissões in loco. Se antes era quase a temporada inteira assim, este ano foram apenas exceções em que as corridas tiveram equipes completas nos locais de prova.

Por fim, nem a temporada inteira foi exibida ao vivo. O GP dos Estados Unidos (que deu o título mundial ao Lewis Hamilton) e o GP do México foram exibidos apenas em forma compactada perto de 0h de domingo, ambos. Para completar, o GP dos Estados Unidos nem teve uma gravação própria da Globo, sendo reexibida a transmissão do SporTV.

Em 2015, a Globo tratou a F1 como “obrigação contratual”, transmitindo muito por causa dos patrocinadores e para manter a exclusividade. Pois, ainda com a queda de audiência, a emissora ainda se mantém na liderança (na maioria das vezes) com a transmissão das corridas. A próxima temporada começa dia 17 de março de 2016, com transmissão da Globo. Para os fãs da categoria, é esperar que a emissora volte a tratar bem a F1.



Apaixonado por esportes e pelo jornalismo. Grande seguidor do futebol, do automobilismo, dos esportes americanos e fã incondicional da NFL.