Retrospectiva 2015: Reformulado, Cruzeiro deixou escapar chance de título em decisão antecipada

É inevitável não apontar Cruzeiro e Atlético-MG como os favoritos ao título estadual a cada início de temporada. Por serem os dois representantes consolidados de Minas Gerais na primeira divisão – vale lembrar que em 2016 o América-MG volta à elite -, os clubes largam na frente pela estrutura e investimento que possuem em comparação com os adversários. Sendo assim, dizer que em 2015 a decisão do título foi antecipada para as semifinais não é nenhum absurdo. E foi por pouco que o Cruzeiro não chegou à grande final com o status de favorito absoluto ao título.

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Com nove gols no estadual, Damião parecia ser a solução para a camisa 9 do Cruzeiro
Com nove gols no estadual, Damião parecia ser a solução para a camisa 9 do Cruzeiro

O Campeonato Mineiro foi a primeira oportunidade para o Cruzeiro colocar à prova o que seria da temporada de 2015. Vindo de dois títulos seguidos do Brasileirão, o clube acabava de perder a espinha dorsal de anos anteriores, com as saídas de Lucas Silva, Everton Ribeiro, Ricardo Goulart e Marcelo Moreno. No banco de reservas, Marcelo Oliveira foi mantido e tinha à sua disposição reforços contratados com o intuito de manter a Raposa brigando por títulos, como Leandro Damião e a promessa uruguaia De Arrascaeta.

A largada no estadual foi sem sustos, pelo menos em termos de resultado. Nas três primeiras rodadas, o time somou vitórias sobre Democrata e Guarani, ambas fora de casa, e empatou com a Caldense, no Mineirão – o time de Poços de Caldas incomodaria o Cruzeiro mais a frente. Porém, a falta de entrosamento decorrente da montagem de um novo time incomodava o torcedor, acostumado com o futebol bonito do bicampeão nacional.

Veio a parada de Carnaval e no retorno o desempenho celeste pareceu mais animador. Mesmo tendo a Libertadores como competição paralela, o time apresentou visível melhora, goleando Boa Esporte e Tupi por 3 a 0 antes do clássico contra o Atlético, pela sexta rodada. Diante do maior rival, jogo truncado, uma falha de Fábio quase custou a derrota, mas Leandro Damião decretou o empate e parecia mostrar para a torcida que o Cruzeiro tinha um camisa 9 – naquele momento, ele chegava ao quinto gol no Estadual.

Neste momento, o Cruzeiro tinha a liderança da competição, somando 14 pontos e com um de vantagem para o Atlético, vice-líder. Portanto, restava fazer o dever de casa nos compromissos finais para terminar com a liderança. Mesmo com o tropeço em casa, diante do Mamoré – empate em 1 a 1 -, a Raposa chegou à última rodada com dois pontos de frente para Galo e Caldense e enfrentaria a Tombense, no Mineirão. Só que a equipe de Tombos brigava pela vaga e conquistou o resultado favorável. A derrota do Atlético ajudou a equipe Celeste, que só não contava com a Caldense vencendo fora de casa, tirando a liderança do time de Marcelo Oliveira e decretando o clássico mineiro para as semifinais.

Arrascaeta_Cru vs.Cam
Arrascaeta brilhou com a camisa do Cruzeiro nas semifinais contra o Atlético-MG

Clássicos quentes e bronca com a arbitragem

A disputa por uma vaga na decisão do estadual começou no Independência com um clássico pegado. Foram dez cartões amarelos e um vermelho já no primeiro jogo, mostrando que Atlético e Cruzeiro fariam de tudo para seguir na briga pelo título. Apesar do nervosismo, teve futebol, sim senhor! E, após sair atrás no placar, foi em um lance de genialidade que a Raposa conseguiu o gol de empate, que a deixava em posição confortável para o jogo da volta. Arrascaeta, até então regular na equipe, tocou entre as pernas de Josué, saiu da marcação de mais dois adversários e finalizou no canto de Victor. O gol de empate, o lance que transformou o uruguaio em “Arrascaneta”.

Bastava mais uma igualdade para o Cruzeiro sair com a vaga para a decisão no segundo confronto. Mas o time não quis saber de ser cauteloso e se lançou ao ataque desde o começo – assim como o adversário. E logo aos 11 minutos, Arrascaeta abriu o placar. O uruguaio era um dos principais destaques da equipe celeste, quase havia marcado o segundo gol. Mas sua saída e a entrada do ex-cruzeirense Guilherme no Atlético mudaram os rumos do jogo. O empate atleticano veio em jogada de Guilherme e conclusão de Lucas Pratto. No fim, decisão polêmica da arbitragem, que não marcou falta de Edcarlos em Damião após lance em que o zagueiro atingiu o rosto do atacante celeste. Na sequência, a dupla Guilherme e Pratto voltou a funcionar e o argentino sacramentou a eliminação precoce da Raposa no estadual.

Apesar de não ter ficado com o título, a torcida do Cruzeiro tinha razões para acreditar em uma sequência positiva no ano. Mesmo que o futebol apresentado não fosse o da conquista do bicampeonato Brasileiro, o time apresentou evolução após um início preocupante. Leandro Damião terminava o Campeonato Mineiro como artilheiro da competição, com nove gols, e parecia ser um acerto entre as contratações do início da temporada. Assim como Arrascaeta, que aos poucos ia se adaptando ao futebol brasileiro. Ficava a expectativa de que o time encaixasse e voltasse a brigar por títulos no restante da temporada – algo que a sequência no ano tratou de apagar, trazendo decepções a uma torcida acostumada a vencer.

Crédito: Site Oficial do Cruzeiro/Facebook Oficial do Cruzeiro



Jornalista graduado pela Universidade Federal de Viçosa. Tem no esporte uma "paixão não correspondida", já que a habilidade trai na hora de praticar. Se jogar não é o forte, por que não falar sobre?