Retrospectiva 2015: Dudu, do chapéu que virou título no Palmeiras

No começo de 2015, o Palmeiras estava se reforçando para montar um time que desse glórias para sua torcida apaixonada, algo que passou bem longe na temporada anterior. Na manhã daquele domingo, 11 de janeiro, eis a grande surpresa nas manchetes: Palmeiras dá chapéu nos rivais São Paulo e Corinthians e anunciou Dudu, que vinha de excelente temporada no Grêmio. Foi o que faltava para que o orgulho dos palmeirenses fosse parar no mais alto dos céus.

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Ao acertar a contratação do novo camisa 7 do time, o diretor de futebol Alexandre Mattos virou M1TTOS. Sua influência dentro dos bastidores era capaz de botar medo em qualquer outro clube que estava atrás de um jogador. Ai, se fosse um que Mattos queria… Antes mesmo de entrar em campo, Dudu se deparou com uma responsabilidade enorme em seus braços: o jogador de 23 anos teria a responsabilidade de ser o líder de um time totalmente renovado, e já via no semblante dos torcedores alviverdes a cobrança inevitável por títulos.

Globo

O começo não foi lá aquelas coisas. Com poucos gols, Dudu constantemente enfrentava a pressão da mídia paulista. De grande potencial, o jogador já era taxado durante o Campeonato Paulista como “promessa eterna que nunca vinga”. Na primeira fase, foram apenas quatro gols, e nenhum em clássicos. Mas ainda assim ajudou a equipe a chegar à final contra o Santos. Daí veio o pênalti.

Na primeira partida, no Allianz Parque, Dudu desperdiçou uma cobrança quando o placar marcava 1 a 0 para os donos da casa. Certamente a decisão teria outro desfecho se o atacante estufasse as redes. Para o jogo seguinte, o camisa 7 carregou essa culpa e não assimilou nada bem. Após entrevero com Geuvânio, o palmeirense acabou expulso e, ainda por cima, deu empurrão no árbitro Guilherme Ceretta de Lima.

O descontrole custou caro à equipe, que acabou vice-campeã depois de derrota nos pênaltis. Quanto a Dudu, o jogador corria o risco de pegar gancho de seis meses pela agressão. Tudo acabou de forma mais branda do que o previsto graças aos advogados do Palmeiras. Com recursos e mais recursos, conseguiram diminuir a pena para cinco jogos no Campeonato Brasileiro.

Após o episódio, Dudu cresceu demais. Principalmente com a chegada de Marcelo Oliveira, que o acolheu e fez o jogador sair da desconfiança para a realidade seis meses depois. A torcida, que em partes o tinha transformado em vilão pela perda do Estadual, passou a apoiar o “sucessor” de Edmundo Animal. Pelo menos, segundo a camisa 7.

De jogador atuante nas pontas do campo no esquema 4-2-3-1 de Oswaldo de Oliveira, Dudu passou a ocupar o meio no estilo de Marcelo Oliveira, ao lado de Robinho, onde rendeu muito mais. No miolo, o camisa 7 se tornou o vice-líder em assistências – 12 no total – e passou a invadir a área adversária com tabelas e passes açucarados para Lucas Barrios. Para completar, os gols, que nem eram muito sua principal característica, apareceram na hora certa. Na final da Copa do Brasil, novamente contra o Peixe, foram dois deles, importantíssimos para a construção do tricampeonato.

Afinal, o chapéu não virou mico, como muitos corneteiros apostavam. Certamente Dudu chegou ao término de sua primeira temporada na Academia de Futebol com a sensação de trabalho bem cumprido. O peso e as dúvidas eram enormes e até assustaram em parte do ano, mas como um grand finale reserva, Dudu deu a volta por cima no mesmo palco onde sofreu a maior das chibatadas. No mesmo gol, onde perdeu o pênalti na final do Paulista, foi o caminho da redenção na decisão da Copa do Brasil. Com tudo terminado, vieram as glórias. Vieram os elogios. Veio a idolatria. Veio a artilharia. Veio o novo “Animal”!

Dudu, destaque do Pameiras



Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.