Opinião: O que esperar do Fluminense em 2016?

Fluminense > Flamengo > Fluminense (Crédito da foto: Divulgação/Fluminense)

Confesso que quando peguei essa pauta, não acreditava que pudesse ser tão difícil escrever sobre o tema, já que estou completamente imerso nesse universo chamado “Fluminense Football Club”. Mas o que me gera dificuldade é prever aonde o Flu pode chegar em 2016, ano em que a gestão de Peter Siemsen chega ao fim.

O ano que vem no Fluminense tende a ser bastante conturbado, haja vista o processo eleitoral. Esses períodos costumam agitar qualquer clube de futebol, e isso sempre se reflete no campo, inevitavelmente. Além disso, até o fechamento desse texto, não foram concretizadas grandes mudanças na atual diretoria do clube, que se mostra um tanto inexperiente e amadora futebolísticamente falando, agindo passivamente desde o título brasileiro de 2012.

Seria um pouco de arrogância e prepotência? Enfim, deixemos tal questão de lado e vamos para o quesito “bola no pé”, que é o cerne da pauta e o que realmente importa.

O Flu, até agora, anunciou apenas duas contratações: o desconhecido Felipe Amorim e Diego Souza, destaque do Sport Recife nesse ano que termina. Muitos jogadores são apontados para deixar o clube, mas até então nenhuma perda significativa no elenco foi feita – deixaram o clube apenas os meias Gerson (Roma-ITA) e Vinícius (Atlético PR) e o atacante Michael (Estoril-POR). O resto não passam de especulações, como as saídas de Jean e Gum para o futebol paulista.

Verdade seja dita; com o elenco atual, o Fluminense não pode almejar altos voos para o ano que vai entrar. Se de goleiros o time está bem servido, não pode-se dizer o mesmo do setor à frente. A defesa precisa urgentemente de reforços, e não falo apenas do miolo de zaga. As laterais são problemas crônicos do Fluminense desde a saída de Bruno e Carlinhos, atualmente no São Paulo.

Quanto a dupla de zagueiros, alguns nomes não podem permanecer nas Laranjeiras. Antônio Carlos, Henrique, João Filipe, Victor Oliveira, Gum… Acho que citei quase todos que por lá estão. O jovem Ygor Nogueira, que entrou nos últimos jogos da temporada 2015 e fez dupla de zaga com Marlon, mostrou ser promissor e pode crescer na equipe, mas ainda é inexperiente e não pode ser jogado aos leões. Um “xerifão”, aquele zagueiro experiente e que impõe medo nos adversários, parece estar chegando; Henrique, ex-Palmeiras, foi dado como certo pelo jornal carioca “Extra” e deve ser o principal reforço para o setor em 2016, mas sozinho e mal posicionado não deve ter o seu melhor rendimento. Mais dois ou três pra compor elenco também tem que chegar.

No meio-campo, mesmo com a iminente saída de Jean para o Palmeiras, não vê-se muita necessidade da contratação de outro jogador para ser titular. Cícero encerrou o Campeonato Brasileiro de 2015 atuando por ali e mostrou qualidade. Tem totais condições de jogar nessa posição ao lado do Pierre ou Edson, por exemplo. Para compor elenco e ter um reserva para a posição, o clube pode ir buscar em Xerém, já que a sua categoria de base prova ano após ano que é eficiente na revelação de bons jogadores.

Já o setor de criação não está completo e precisa sim de reforços, apesar de contar com o agora camisa 10 Diego Souza. Caso DS10 e Gustavo Scarpa não possam atuar, quem entraria na equipe? Difícil ver um nome, né caro torcedor? Pois é, isso mostra que o Flu não pode se acomodar somente com a contratação do destaque do Sport.

Deficiente também está o ataque tricolor. O único titular absoluto é o artilheiro Fred. Marcos Jr, que vem atuando um pouco mais recuado, também tem grandes chances de permanecer no time titular. O Magno Alves mostrou durante a temporada que não tem condições físicas para atuar em alto nível por um time grande, enquanto Lucas Gomes, Osvaldo e Wellington Paulista (que devem deixar o clube) não foram bem, mostrando que precisam de mais preparação e mais tempo para mostrar o futebol que possuem.

Caso os reforços esperados não cheguem, recomendo ao torcedor não fique muito esperançoso quanto a títulos e boas campanhas nos torneios disputados. Caso contrário, a chance de frustração é quase certa.

Crédito da foto: Mailson Santana/Divulgação FFC



Lucas Nunes é um jornalista carioca apaixonado por esportes. Apesar de trabalhar em outros ramos da comunicação atualmente, planeja trilhar carreira no jornalismo esportivo, já que ama, em suma, o futebol, o automobilismo e o MMA.