Opinião: Manu Ginobili, a sua hora chegou!

O ano de 2015 vai chegando ao final e o argentino Emanuel Ginobili poderia muito bem passar as festas se divertindo sem preocupações com o dia de amanhã. Mas Manu optou por passar longe do descanso, ao confirmar, em julho, que seguiria jogando na NBA. As viagens e o basquete poderiam ser hoje lazer para o argentino, mas continuam sendo o seu trabalho – o que não necessariamente impede que ele se divirta. Não se sabe ao certo quando a brilhante carreira vai chegar ao fim, mas dentro de quadra, o corpo do armador dá indícios de que a despedida é iminente.

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A discussão é válida não só pelos 38 anos de idade que trazem um cansaço natural e cabelos de menos. Basta ver alguns momentos do jogador do San Antonio Spurs em quadra para provocar inquietação quanto ao assunto. Mas o tema fica ainda mais provocante se encontrarmos semelhanças com a situação vivida por Kobe Bryant, astro do Los Angeles Lakers, que anunciou aposentadoria para o fim da temporada. Quer mais motivos para o debate: a participação de Manu pelos Spurs, se comparados a outro “velho de guerra”, Tim Duncan.

Números

Como era de se esperar, as estatísticas do argentino já mostram o declínio evidente da carreira de Manu. Seu tempo de quadra, média de 19 minutos, é o menor registrado desde a estreia na NBA, na temporada 2002/03, com a camiseta do San Antonio. Vindo do banco – rotina comum em três das 14 temporadas em que jogou -, o hermano acumula médias tímidas, algumas delas as menores com exceção do ano de calouro.

Estatística Atual Temporada Pior Temporada
Pontos 10.1 7.6 (2002/03)
Rebotes 3.0 2.7 (2002/03)
Assistências 3.5 2.0 (2002/03)
Roubos de bola 1.0 0.7 (2011/12)
Turnovers 1.8 2.7 (2007/08)
FG% 45.7% 41.8% (2003/04)
FT% 79% 72.1% (2014/15)
Minutos 19.8 19.8 (2015/16)

Não bastassem os números negativos, o atual campeonato é o que Manu Ginobili menos cria e acerta suas jogadas. Nos arremessos de quadra, o argentino tem uma média de 7.8 arremessos tentados para 3.6 conversões. Da linha dos três, são apenas 3.4 chutes para 1.3 acertos.

É aí que começa a comparação com Kobe Bryant. Afinal, o Black Mamba vem registrando em sua temporada de despedida os menores números desde o início de carreira – sem levar em consideração os dois últimos campeonatos, quando o camisa 24 sofreu com as lesões. Os “baixos” números de pontuação, conversão de arremessos, minutos em quadra e outras marcas são frutos do esforço de um corpo combalido pelos traumas que o deixaram fora de combate, e também da idade avançada.

Ginobili_títuloEm quadra

Da mesma forma, Ginobili mostra em quadra que o corpo já não tem condições de agir como nos quatro títulos conquistados. Arremessos errados ou que não chegam mesmo a tocar o aro, desperdícios de bola, vigor limitado para disputar em uma NBA que exige cada vez mais do aspecto físico. Ou alguém consegue imaginar o campeão olímpico em condições de marcar Stephen Curry ou Kyrie Irving? Em tempo, este mesmo problema é visto em Kobe Bryant, que chegou a ser criticado pelas atuações abaixo do “padrão Kobe” de qualidade.

Em contrapartida, o camisa 20 da franquia texana vem do banco de reservas sem o compromisso de ser o principal pontuador do time. Pelo contrário, sua função é a de conduzir o segundo quadro. E para isso, Ginobili não perdeu o jeito. Possui características psicológicas – inteligência e leitura de jogo – que não comprometem suas tarefas. Sobrando, assim, a já citada questão física como principal entrave ao jogador.

Se compararmos as médias do argentino com as de Tim Duncan e Tony Parker, os outros dois integrantes do Big Three, fica ainda mais evidente que Ginobili já não é tão efetivo como antes. Além dos dois jogadores integrarem o quinteto titular, eles seguem contribuindo noite após noite de maneira inquestionável mesmo com médias modestas. Dentro do garrafão, Tim Duncan tem 9.0 pontos e 8.0 rebotes por noite, mas forma uma das duplas mais dominantes embaixo da cesta junto de LaMarcus Aldridge – a quem serve de mentor para os próximos anos. Parker segue infiltrando e chutando de três para 12.7 pontos e 5.1 assistências.

Noite após noite, Ginobili entra em quadra sem anunciar ao certo quando será seu momento final. Se o corpo já não responde como outrora, a genialidade ainda é capaz de produzir lances espetaculares, como a assistência para Kawhi Leonard, sentado na quadra, durante a vitória sobre o Phoenix Suns, por 112 a 79, na última quarta-feira (30). Quem sabe o argentino se inspire em Kobe Bryant e, ao final da temporada, dê uma passada pelo Rio de Janeiro para a disputa dos Jogos Olímpicos e, em seguida, vá desfrutar de um bom mate em sua terra natal.

Confira a jogada de Ginobili contra o Phoenix Suns

Crédito: NBA.com/San Antonio Spurs



Jornalista graduado pela Universidade Federal de Viçosa. Tem no esporte uma "paixão não correspondida", já que a habilidade trai na hora de praticar. Se jogar não é o forte, por que não falar sobre?