Opinião: 2015, o ano em que o conservadorismo voltou ao futebol

Foto: Reprodução/Facebbok

Existe uma máxima que não canso de repetir: o futebol é o espelho da sociedade e vice-versa. Nada que acontece no seu dia a dia fica, mesmo que indiretamente, sem refletir no futebol. Se existem investigações contra a corrupção na política, também acontece um movimento semelhante no esporte bretão, como mostram a Operação Lava-Jato e a CPI do futebol, respectivamente.

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Neste ano de 2015, aliás, ano em que o conservadorismo voltar a ditar as pautas na política e na economia, ele também deu as caras no futebol. Enquanto fora dos campos o ser diferente voltou a ser cada vez mais proibido, dentro dele o que sei viu foi a diversidade dar lugar ao mais do mesmo.

Boa parte dos grandes times do Brasil, por exemplo, passaram a ser comandados por presidentes que, ainda que possuidores de discursos modernos, adotam práticas criticadas desde os anos 1990. O caso do Vasco da Gama, que teve o retorno de Eurico Miranda, foi o exemplo mais irrefutável disso.

Porém, o retrocesso não se deu apenas na gestão do futebol. Dentro de campo, jogadas de habilidade e efeito ocorreram, mas as comemorações agora devem obedecer a um manual de boas maneiras, assim como os jantares nas casas de nossos avós. Abraçar torcedores é proibido pelo risco a que expõe o público presentes aos estádios, contudo, agora também não se pode sequer provocar adversários.

O caso mais clássico disso em 2015 foi a comemoração provocativa de Ricardo Oliveira em relação ao Palmeiras. Ofendido e ameaçado pro diversos lados, o camisa 9 do Santos se viu coagido a não mais ter a liberdade de provocar um rival. Conservadorismo! Os próprios jogadores do Verdão, que deram o troco em cima do Peixe de Ricardo Oliveira na Copa do Brasil, deixaram isso muito claro nas declarações pós-título.

Não obstante, o conservadorismo de 2015 também se mostrou bastante forte nas entrevistas. Não se pode mais falar mal da administração do futebol brasileiro e nem mesmo da arbitragem, sob risco de ser punido, o que também pode aconteceu caso um das “milhares” de câmeras de uma partida de futebol flagrem um atleta cometendo alguma infração.

Dessa forma, o futebol se moderniza, abdica de seu caráter lúdico e se torna cada vez mais careta e premeditado, tal qual a sociedade brasileira. Um reflete no outro e vice-versa. Bom para quem gosta, ruim para quem não gosta!

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