Opinião: 2015 foi o ano que devolveu o Palmeiras aos palmeirenses

Foto: Getty Images

Ah, Palmeiras! Que saudade tínhamos de você! Este ano que agora termina marcou o nosso reencontro, depois de tanto tempo. Usurparam o seu lugar. Montaram times horríveis para usar a tua camisa verde. Mas você volta, sempre volta! 2015 foi o em que o Palmeiras foi Palmeiras. Nos devolveram o nosso time do coração.

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Faço todo o mea culpa possível por ter criticado e opinado contra a reeleição do presidente Paulo Nobre. Continuo achando o dirigente um “zero à esquerda” quando se mete no futebol, mas seu papel na reestruturação do clube é inegavelmente bom. E o segredo que nos levou ao título da Copa do Brasil, nosso 12º título nacional, foi justamente parar de colocar a mão onde não deve.

Paulo Nobre acertou em cheio ao fazer de Alexandre Mattos o homem forte do futebol do Palmeiras. Junto com Marcelo Oliveira, o dirigente conquistou dois títulos brasileiros seguidos no Cruzeiro. Não houve tempo hábil para montar um elenco de pontos corridos, mas as mais de 20 contratações foram certeiras para um time brigador, de mata-mata. Tanto que o Verdão chegou à final dos dois campeonatos que disputou neste formato em 2015. Perdeu uma nos pênaltis, ganhou a mais importante. Veio mais um título nacional com a dupla dinâmica que conquistou o Brasil vestindo azul e, agora, verde.

Nos devolveram também a esperança. Olhar para a Libertadores sem aquele medo de passar vergonha é algo que não sentíamos há pelo menos sete anos. Desde a passagem para 2009, quando ainda sonhamos com o bi da América, não vivíamos essa sensação. Em 2013, foi o drama de ser rebaixado e campeão nacional no mesmo ano. A Libertadores foi uma estranha no ninho da desordem e do caos de uma temporada na segunda divisão.

Agora, começou tudo de novo. “Nosso grupo é um dos mais difíceis”, dizem. Como era em 1999. Corinthians, Olímpia-PAR e Cerro Porteño-PAR não eram moleza. Como não foi passar por Vasco, Corinthians, River Plate e Deportivo Cali. Olhar para Nacional-URU, Rosário Central-ARG e Universidad de Chile/River Plate-URU não é motivo para ter medo. Na Libertadores tudo pode acontecer, mas eu aposto na força da nossa camisa, do nosso elenco, no trabalho que vem sendo realizado.

Em 2015, voltamos de vez à nossa casa. Ganhamos o primeiro jogo nela, um amistoso contra o Shandong Luneng-CHN. Ganhamos depois o primeiro jogo oficial, contra o Grêmio Osasco Audax (mando deles no nosso estádio). O primeiro oficial como mandante no Allianz Parque foi contra o Rio Claro, em fevereiro. O primeiro clássico vencido foi um histórico 3 a 0 no São Paulo, jogaço com cobertura completa de Robinho sobre Rogério Ceni.

A primeira final foi no Paulistão, vencemos por 1 a 0 o Santos, mas perdemos na Vila. A primeira goleada em clássico veio contra o São Paulo, nosso algoz preferido, um 4 a 0 no Brasileirão. A primeira decisão de título veio contra o Peixe de novo, e desta vez levantamos a taça. Eu estava lá na maioria desses acontecimentos. Senti o Palmeiras renascer, o torcedor cantar e vibrar, o Allianz Parque se tornar um dos mais lugares do futebol brasileiro. 2015 nos devolveu o que há muito haviam nos tomado. Obrigado, 2015. Que venha um 2016 ainda mais recheado de títulos.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016. Também colabora com o ONDDA, site "irmão" do Torcedores.com.