Relembre as vitórias brasileiras no GP do Brasil

O GP do Brasil começou a ser disputado de forma oficial em 1973 e tivemos cinco pilotos triunfando nas pistas de Interlagos e Jacarepaguá. Vamos agora recordar os triunfos brasileiros na nossa prova de F1 caseira

1973 – Emerson faz as honras da casa

O domingo 11 de fevereiro de 1973 amanheceu ensolarado, o que ajudou a levar a torcida para Interlagos e para refrescar a plateia, os bombeiros miravam jatos de água nos fãs. Isso impressionou os jornalistas estrangeiros, uma vez que o Brasil vivia uma ditadura militar e esse gesto lembrava a repressão de gestos pedindo liberdade democrática, mas esse não era o caso na pista localizada na zona sul de São Paulo.

Emerson saiu na pole e largou bem, assumindo a liderança com José Carlos Pace atrás. O piloto da Surtees foi superado por Jackie Stewart (Tyrrell) e Ronnie Peterson logo depois. “Moco” teve problemas com seu carro e acabou caindo na classificação e Dennis Hulme (McLaren) herdou o terceiro posto de Peterson. Emerson, Stewart e Hulme compuseram o primeiro pódio do GP Brasil

1974 – Emerson repete a dose em Interlagos

Fittipaldi voltava a Interlagos, mas com cores diferentes de 73. Se no ano anterior ele conduzia o preto e dourado da Lotus, agora ele usava o vermelho e branco da McLaren. Mais uma vez, o “Rato” confirmou o favoritismo e ficou com a pole. Porém, a torcida pisou na bola de certo modo, ao jogar garrafas de vidro na pista para tentar prejudicar os rivais. A largada acabou sendo adiada para limpeza do traçado. Quando o começo foi autorizado, Carlos Reutemann pulou na frente com seu Brabham, seguido de Ronnie Peterson (Lotus) e Emerson. O argentino desgastou rapidamente seus pneus e os ex-companheiros de equipe assumiram as duas primeiras colocações. O brasileiro subiu para primeiro apenas na volta 16 quando o sueco teve um pneu furado. Clay Regazzoni (Ferrari) subiu para segundo e o belga Jacky Ickx (Lotus) em terceiro. Na volta 31 o céu ficou carrancudo no circuito paulistano e uma volta depois caiu um verdadeiro temporal na cidade, levando ao fim prematuro da prova. Emerson, Regazzoni e Ickx formaram o pódio.

1975 – A primeira dobradinha

O Brasil recebia sua terceira prova oficial e pela primeira vez um brasileiro não saia na pole. Jean Pierre Jarier (Shadow) conseguiu a melhor volta nos treinos de classificação e comandou a corrida em 32 das 40 voltas. Porém, um problema com a bomba de combustível acabou prematuramente com sua corrida. José Carlos Pace (Brabham) herdou o primeiro posto e atrás dele vinha Emerson Fittipaldi e Jochen Mass (McLaren). Pace só precisou levar o carro até a bandeirada para vencer pela primeira (e única) vez na F1. Os dois pilotos da McLaren completaram o pódio.

Tivemos um hiato de triunfos e o melhor resultado neste período foi o segundo lugar de Emerson Fittipaldi com o Copersucar em Jacarepaguá. Vitórias novamente só em 1983.

1983 – a conquista do Bi começou em casa

A Fórmula 1 vinha para a nova temporada com uma revolução no regulamento. Após um acidentado e fatal ano de 1982, os carros estavam proibidos de usar o efeito solo e os chassis tinham que ser planos. Embora a maioria dos motores fossem turbo à época, a pole position ficou com um carro que usava motor aspirado, o de Keke Rosberg (Williams). Nelson Piquet (Brabham) usou a tática de jogar com o reabastecimento e superou Patrick Tambay (Ferrari), Alain Prost (Renault) e Keke. O finlandês teve um problema com seu reabastecimento na volta 29, quando o carro teve um principio de incêndio. Porém o fogo foi debelado e Rosberg regressou à prova. Piquet reabasteceu na volta 39 e não perdeu a liderança. Ele venceu com Rosberg e Niki Lauda (McLaren) no pódio. Contudo, horas depois da prova, o finlandês foi desclassificado e o austríaco não foi elevado ao segundo posto.

1986 – Jacarepaguá vê a sua dobradinha brasileira

Nelson Piquet estreava na Williams e Ayrton Senna ia para seu segundo ano de Lotus. A abertura daquele campeonato tinha Alain Prost na McLaren começando sua defesa de título e Nigel Mansell querendo seu lugar ao sol no clube dos grandes pilotos. Senna ficou com a pole e Piquet saiu em segundo. Na largada, Mansell ganhou o segundo lugar de Piquet e na chegada da curva Sul, levou uma fechada de Senna que o mandou para o muro interno de proteção e decretou o fim de sua corrida. Depois Piquet passou por Senna e os dois dominaram a corrida. Prost teve o motor quebrado e o pódio foi composto por Piquet, Senna e Jacques Laffite (Ligier).

1991 – Senna só com uma marcha

Ayrton Senna estava há anos buscando uma vitória em casa e desde que chegou à McLaren ela passou perto. Em 1988, trocou de carro antes da largada e foi desclassificado. Em 89, chocou-se com Riccardo Patrese (Williams) e Gerhard Berger (Ferrari) e em 90, Satoru Nakajima passou por cima de sua asa aniquilando com suas chances. Em todos estes anos ele saiu na pole e em 1991, não foi diferente. Na largada ele assumiu a liderança e tinha Nigel Mansell (Williams) por perto. Na volta 60, o inglês rodou e arrebentou sua caixa de câmbio, forçando o abandono. Parecia que desta vez a vida de Senna estaria mais tranquila, mas com a aproximação das voltas finais, o brasileiro tinha problemas com seu câmbio, sendo que ele passou a andar na pista com o carro apenas na sexta marcha. Ainda assim, ele conseguiu segurar Patrese e venceu pela primeira vez em casa. Gerhard Berger (McLaren) completou o pódio.

1993 – Senna nos braços do povo

Ayrton Senna não tinha o melhor carro do grid. Este estava nas mãos de Alain Prost e Damon Hill (Williams) e seu McLaren usava um motor Ford inferior ao montado no Benetton de Michael Schumacher. Prost e Hill formaram a primeira fila, com Senna e Schumacher na segunda. Na largada, Prost assumia a liderança e Senna tinha problemas com uma ultrapassagem sobre Eric Comas (Larousse), tanto que ele recebeu um “Stop and Go”. O que parecia ser o fim de sua corrida, acabou se tornando um tempero para o que viria depois. As nuvens em Interlagos ficaram carregadas e uma chuva absurda caiu no circuito paulistano, com isso, Christian Fittipaldi (Minardi) rodou, e em seguida, Prost perdeu o controle de seu Williams e bateu no brasileiro, abandonando a prova. Daí tivemos dez passagens com o Safety Car e quando ele saiu, Hill era o líder, mas tomou uma finta desconcertante na subida para o Laranjinha e dali em diante, só deu Senna. O brasileiro venceu e mal conseguiu completar a volta de consagração após a bandeirada, pois a pista foi invadida pela torcida. A festa foi tamanha que o próprio piloto ergueu-se do carro e festejou com os fãs. Hill e Schumacher completaram o pódio.

2006 – Massa, de macacão verde e amarelo

Felipe Massa conseguiu a pole em Interlagos para a prova que não apenas marcaria a decisão do título mundial de 2006, como seria a primeira despedida de Michael Schumacher da F1. Na largada, enquanto Massa seguia na ponta, Schumacher vinha de uma má colocação no grid querendo deixar uma boa impressão na despedida. Contudo, ele teve problemas ao tocar-se com Giancarlo Fisichella (Renault). O alemão voltou a pista e recuperou posições, mas não teve como chegar ao pódio e ao título. Fernando Alonso (Renault) e Jenson Button (Honda) completaram o pódio.

2008 – O mais amargo triunfo de Felipe Massa

Felipe Massa (Ferrari) e Lewis Hamilton (McLaren) iam para Interlagos para decidir quem seria o campeão mundial e Massa fez sua parte, correu para a vitória numa pista que variava de seca a úmida, com alguns momentos molhada. Hamilton teve alguns problemas e até a última volta quando foi superado por Sebastian Vettel (Toro Rosso), só que na última curva da prova e da temporada, Timo Glock (Toyota) estava com os pneus em frangalhos e foi superado pelo inglês da McLaren, que chegou em quinto e assim conseguiu a taça. Por pouco mais de 30s Massa foi campeão e o pódio foi completado com as presenças de Kimi Räikkönen (Ferrari) e Fernando Alonso (Renault).

Foto: Reprodução Imagens / FOM