Placar, Desimpedidos e o papel da mídia para os fãs de futebol

Ser um apaixonado por futebol e trabalhar em um veículo de esportes me faz ter contato com as mais diferentes comunidades que o tema abriga. São muitas, pois é possível gostar de futebol de diversas formas diferentes.

Da mesma forma que nenhum torcedor é igual ao outro, não é surpresa nenhuma que cada “tribo” tenha seus gostos e expectativas quando o assunto é o que eles consomem na mídia especializada. O jornalismo esportivo também tem mudado muito, ganhado novos formatos que, nem sempre, são unanimidade.

Cheguei a me perguntar se a falta de unanimidade seria apenas um problema de conflito de gerações, mas vejo fãs de futebol saudosistas por coisas que pouco ou nada vivenciaram e negam as novidades da cobertura esportiva.

A saída de Celso Ulzelte da PLACAR após a publicação de um pôster do Corinthians 99% campeão brasileiro me fez observar com mais clareza como fatos assim são interpretados de formas diferentes. Para nós, jornalistas, é fácil entender como o torcedor mais tradicionalista vê o pôster como algo arriscado.

Em comentários de matérias sobre o assunto e grupos do Facebook, como Doentes por Futebol e Futebol (ñ) Alternativo, é fácil encontrar quem veja as mudanças na revista como uma falta de seriedade, um adeus para quem quer deixar de ser 100% jornalismo. Não foram raras as vezes em que, nestes grupos, o movimento foi classificado como a “Desimpedização” do futebol.

Ao mesmo tempo, é muito interessante ver como outros torcedores simplesmente não conseguem ver problema algum em um pôster de um campeão virtual. Para eles, não há risco ou infração nenhuma na publicação.

Aconteceu a mesma coisa quando a ESPN perdeu PVC e os direitos da Liga dos Campeões para outros canais. A emissora foi taxada como quem abandona os fãs do futebol “de verdade”.

Nessa cruzada das chuteiras pretas contra as selfies de Instagram, da raça da Libertadores contra o espetáculo da Champions, é realmente necessário escolher entre um ou outro? A entrada de novos formatos é necessariamente ruim?

É possível ser Mauro Beting e um mundo de Tiago Leifert? Dá para ser Corinthians Mil Grau em uma comunidade que quer José Trajano? Eu acredito que sim. Como editor de um site de esportes como Torcedores.com, que preza pela pluralidade e pelo ambiente democrático, acho que dá para ter espaço para tudo.

Particularmente, consigo tranquilamente rir dos vídeos do SPFC Mil Grau ou do Desimpedidos, mas também ver valor nas boas histórias contadas pelo Trivela ou nas análises e dados do PVC. Como disse no começo do texto, é possível gostar de futebol de diversas formas, mas não é necessário escolher qual é a sua. Se sentir mais fã ou dono do futebol “de verdade” também não faz muito sentido.

Futebol não é só jornalismo. É entretenimento, emoção, zueira, estatística, arte… Todos podem conviver, e a mídia esportiva tem papel fundamental para isso que isso aconteça.

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Flávio Moreira é jornalista especializado em mídias sociais. Com passagens por UOL e Electronic Arts, é apaixonado por esporte e acredita na produção de conteúdo feito de torcedor para torcedor.