Opinião: Ronda Rousey foi irreconhecível em derrota para Holly Holm

Foto: Getty Images

A madrugada do dia 15 de novembro de 2015 marcou o fim de mais uma era no esporte mundial. A supercampeã Ronda Rousey sucumbiu diante de um estádio lotado em Melbourne, na Austrália, e perdeu o cinturão dos pesos galos femininos do UFC para a compatriota Holly Holm.

Ronda foi nocauteada, uma cena inédita em um combate que reuniu duas lutadoras invictas no MMA profissional. Holm foi impecável, conseguiu atingir Ronda diversas vezes desde o começo da luta e ainda escapou de um arm lock da agora ex-campeã. Não é pouca coisa. A nova detentora do cinturão dos galos femininos é inquestionável.

A cena de Ronda sangrando já era estarrecedora. Sua queda durante o segundo round, a tentativa que se seguiu de um retorno à luta e o chute que a ex-campeã levou no pescoço, indo ao chão de maneira decisiva é uma sequência que nunca mais será esquecida no mundo do MMA e na história do UFC.

Quando Anderson Silva caiu diante de Chris Weidman, em 2012, muitos atribuíram às provocações que o brasileiro fazia, tirando o mérito do norte-americano, que teve a astúcia de lidar com as gracinhas do Spider para encaixar o golpe certo no momento certo. Mesmo assim, não foi valorizado. Na revanche, ganhou porque Anderson quebrou a perna ao tentar encaixar um chute. Weidman defendeu perfeitamente, mas de novo foi alvo de comentários maldosos.

É essa legitimidade que não faltará a Holm. Ronda não entrou de salto alto, não teve postura provocativa, mas estava irreconhecível. Partiu para cima, tentou seus golpes e estilos de luta preferidos, mas parecia surpreendida pela intensidade da desafiante. Foi assim que o UFC conheceu uma nova campeã. A impressão é de que a nossa perplexidade com o furacão que invadiu o octógono era compartilhada por Ronda. Foi uma surpresa para todos nós. Que venha uma revanche!

 



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.