Opinião: Marco Polo Del Nero, renuncie!

Falar sobre Marco Polo Del Nero está se tornando rotineiro, comum e até mesmo chato, mas é necessário que se volte a bater nesta tecla. A novidade da vez é que o presidente da CBF solicitou ao STF (Supremo Tribunal Federal) a concessão de um Habeas Corpus, que impeça receber voz de prisão em qualquer sessão da CPI do Futebol instalada no Senado Federal.

O dirigente também solicitou ao STF que conceda a ele o direito de ficar calado, que possa não assinar documentos que o comprometa a falar apenas a verdade e que permita ter comunicação com seu advogado quando vier a prestar depoimento.

Segundo a fundamentação do pedido, o presidente da Comissão, senador Romário (PSB-RJ), já teria declarado diversas vezes que quer prender Del Nero em flagrante, além de classificar o desejo do campeão mundial de 1994 como “a crônica de uma arbitrariedade anunciada”.

O parlamentar garante que Del Nero ainda não foi convocado a depor e outros integrantes da Comissão avaliam que o pedido de Habeas Corpus se deve a um “medo excessivo”, já que reiteradamente Marco Polo cita a CPI como fator impeditivo para viajar ao exterior.

Isto posto, tenho a dizer o seguinte: Renuncie, Marco Polo! A cada instante que passa, sua permanência frente ao futebol brasileiro nos torna menores que o Taiti! É inadmissível que tenhamos no cargo de presidente da CBF um senhor idoso que se comporta de forma contrária ao que se espera para um futebol cinco vezes campeão do mundo.

Já falei em outro texto e vou repetir. Por mais que a CBF seja uma entidade de direito privado, ela lida com uma paixão pública e é inaceitável que um dirigente, eleito para a presidência desta entidade não viaje para o exterior visando defender os interesses do Brasil, em um esporte que é um dos símbolos maiores de nossa cultura. Também não se pode aceitar que esta entidade vá para o estrangeiro fazer um jogo de eliminatória e o presidente não esteja junto acompanhando a partida. Se o medo é de ser preso, desapegue do cargo, saia do comando da CBF e deixe o futebol nas mãos de quem possa brigar por ele aqui e no exterior.

Além disso, colocar na conta da CPI o fato de você não sair do Brasil é ridículo, patético e vergonhoso. Você (me desculpe, sei que fui ensinado pelos meus pais e parentes a respeitar os mais velhos, mas não consigo respeitar alguém que age como você está agindo) aparenta ter vigor e determinação ao mandar o assessor vetar perguntas sobre viagens ao exterior, mas age como criança ao pedir guarida ao STF. Se tem tanto medo de enfrentar quem quer que seja, renuncie, saia de cena politicamente, vá viver sua vida longe dos holofotes, mas pare de apequenar o futebol brasileiro. Sua permanência neste cargo já deixou de ser um mero 7 x 1, já se tornou um rebaixamento moral e ético do futebol brasileiro.

O torcedor brasileiro, aquele que realmente gosta de futebol, já está cansado de ver sua face na TV, sites e jornais e ouvir sua voz – quando você fala algo -, dando respostas evasivas e acompanhando suas seguidas demonstrações de apego ao cargo, ao qual você está moral e eticamente impedido de exercer!

Foto: Alex Ferreira / Câmara dos Deputados