Opinião: a Crefisa errou muito mais na polêmica da nova camisa

Patrocinador

Antes de analisar a situação, vamos aos fatos. A adidas propôs ao Palmeiras que lançasse uma camisa casual (ou seja, nada de camisa oficial de jogo) homenageando os esquadrões de 1992/1993. Camisa casual nada mais é do que uma vestimenta de passeio, algo simples e referendando a época de glória que o Verdão viveu.

LEIA MAIS:
Arouca é relacionado por Marcelo Oliveira e está de volta para enfrentar o Atlético-PR

À princípio, o Palmeiras sinalizou positivamente. O Departamento de Marketing entendeu que seria uma boa. Na sequência, uma das artes que o clube recebeu estava com o logo da Parmalat, empresa que patrocinou o clube nesta época de ouro.

Ao saber da situação, a presidente da Crefisa simplesmente virou o bicho. Disse até que a situação foi um absurdo tão grande que poderia migrar para o Flamengo, clube com mais visibilidade, segundo ela. Além disso revelou que já houveram outras situações embaraçosas e que isso estava ‘cansando’ a parceira.

Será que realmente era motivo para todo esse escândalo? Uma empresa do porte da Crefisa precisa ter executivos de primeira linha e que saibam lidar com situações assim. Jogar e vomitar certos assuntos na imprensa só demonstram a falta de inteligência emocional da atual gestora da financeira.

O Palmeiras pode ter errado e eu, como torcedor muito crítico que sou, não tiro parte da culpa. Mas o lado da Leila foi o pior e o mais fora do senso comum. Paulo Nobre, desde que assumiu o clube, sempre priorizou as conversas internas e resolver assuntos de forma consciente e sensata. Eu duvido, sinceramente, que a Crefisa tentou algum contato com o atual presidente antes de largar tudo publicamente e manchar o bom relacionamento que até então tinha.

O que a empresa não pensou de forma alguma é que estamos as vésperas de uma final da Copa do Brasil. Não entendo bem os motivos, mas parece que no Palmeiras os assuntos externos tomam outro tipo de proporção. Por mais que os jogadores repitam que essa acusação pública não afete o grupo, quem acompanha e conhece sabe que acaba atrapalhando em algum momento. O alvo de qualquer patrocinador é que sua imagem fique destacada e maximizada. Com o título, pôsteres, fotos e toda visibilidade cairá em cima da Crefisa e dos demais parceiros. Então para que tumultuar e tirar o foco? Não poderia ter esperado ao menos?

Se eu estivesse no lugar de Nobre, não demitiria ninguém do Marketing. Marcaria uma reunião com todos os envolvidos e colocaria tudo na mesa. É fato que a financeira está investindo muito dinheiro, mas não pode de forma nenhuma controlar ou tomar posse do Palmeiras desse jeito. Quando o contrato foi assinado e a Leila disse que gostaria de se tornar presidente do clube num futuro, eu fiquei bastante temeroso e preocupado. O cargo ‘comprado’ poderia se tornar totalmente perpétuo e dependente, complicando ainda mais o já destruído futuro político palmeirense.

Agora que o assunto aquietou, chegou a hora de clube e empresa conversarem e colocarem em contrato que tais situações não podem mais cair publicamente na imprensa. E todos devem voltar seus pensamentos para a conquista do terceiro título da Copa BR. Nós precisamos disso.



Thiago Gomes é Administrador de Empresas. Trabalha com estratégias digitais e consultoria de e-commerce. É palmeirense e um apreciador do futebol, tanto nacional quanto internacional. Escreve para site esportivo desde 1996.