O dia em que uma criança coloriu a América

Pra você, o que é ser criança? Mas não venha com comentários do tipo “quando eu era criança eu não precisava pagar conta nenhuma”. Me refiro de como é ser criança. Você foi. Eu fui também. Mas, o que te faz pensar logo quando você era aquele moleque arteiro? Que tinha a cabeça aberta? A imaginação era um conto de fadas, que você criava o seu final predileto. No inimaginável que você fazia virar realidade. Do algodão doce do domingo a tarde no parque, do pai que te levava nas costas, da mãe que dava bronca por fazer sujeira no chão que havia acabado de limpar, mas você era uma criança. Qual criança não erra sempre, mas que nem sabe o que foi o seu erro? O que é o erro? Os únicos que podem errar são os pais com a criança.

Sorte daquela que tem os pais que amam o futebol, que tem a oportunidade de levá-las a um estádio. Em Araraquara, por exemplo, não foram só os torcedores da Ferroviária, mas os moradores da cidade quee viveram um momento mágico neste ano de 2015 quando o assunto é futebol, e não é por menos.

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Há 19 anos, a Locomotiva estava afastada da elite do Paulistão e o tabu foi quebrado neste ano, com o acesso e título da agremiação. Quase seis meses depois, foi a vez do time feminino fazer história e conquistar a América ao derrotar o Colo-Colo do Chile pela Copa Libertadores e tornar-se campeã em sua primeira participação em um torneio internacional e de forma invicta.

Acho que isso só pode ser superado quando temos torcedores especiais e que fazem valer a pena o nosso dia a dia, ainda mais se tratando de crianças. Por mais simples que seja, a homenagem feita pelo jornal Tribuna Impressa de Araraquara fez me comover e ter um pouco mais de esperança quando o assunto envolve o futebol e o mundo que, ultimamente, mudou nas pessoas. Uns preferem torcer para times europeus e esquecem aquela velha e boa essência vinda do berço.

“Eu queria fazer algo legal, mas diferente. Foi daí que, indo para o trabalho, surgiu a ideia de fazer esta capa. Fiquei pensando, pensando e lembrei da Bia, que uma vez fez um desenho também para a Ferroviária e ficou muito bonito”, contou o editor de Esportes do jornal Tribuna, Felipe Santilho, ao Torcedores.com.

A ideia foi passada para o pai de Bia, Helter Torres, que consultou a filha de 7 anos, mostrou como desenho deveria ser feito e deixou que as mãos da criança fluíssem sobre o papel, como deve ser. Resultado: a pequena transformou a América do Sul em um continente grená, com aqueles pequenos detalhes que fazem relembrar das aulas na pré-escola (para alguns o jardim de infância), das brincadeiras, e só coisas que uma criança inocente sem culpa alguma faz para deixar o nosso mundo mais diferente.

“Eu peguei o desenho do mapa da América do Sul e mostrei para ela. Em seguida, ela desenhou, pintou e adicionou o símbolo da Ferroviária com a taça. Eu fico orgulhoso. É bom ver o que você gosta poder ser desfrutado por toda a sua família. Ela vai em todos os jogos com a minha esposa”, conta o pai orgulhoso

Você não só coloriu a América, Bia, mas de um pouco mais de esperança para que o adulto reflita sobre muitos pontos da nossa atual sociedade. E foi através do esporte, de um time da cidade e seu desenho que minha semana se tornou diferente, e melhor, graças à você.

Que venham mais desenhos. Que venham mais esperanças. Quem venham mais jogos.

TRIBUNA

Crédito: Jornal Tribuna Impressa de Araraquara