Pressão, roubo de bola, gol: Santos marca no ataque e é recompensado

O Santos já havia aberto 2 a 0 sobre o vice-líder Atlético-MG na noite de quarta-feira, em Vila Belmiro, mas o jogo não estava decidido. Assim sendo, optou por não recuar totalmente: jogava no contra-ataque, mas a marcação começava já no campo ofensivo, esperando um erro, uma bobeada adversária. E este erro veio aos 25 minutos, resultando no gol de Ricardo Oliveira. Por fim, a goleada de 4 a 0 foi incontestável. Mas o lance da pressão na saída de bola vale análise isolada, pois não foi novidade pra o time santista.

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Tática: como Dorival mudou o posicionamento de Lucas Lima

Não foi o primeiro gol de Santos que sai desta forma no Campeonato Brasileiro. Jogar com quatro homens de frente, é claro, colabora com esta opção. Times que jogam com dois atacantes isolado, com os meias mais atrás, não tem como cercar os dois zagueiros rivais, mais o lateral do lado da bola, e ainda acompanhar de perto o volante que vem buscar a bola para desafogar o jogo. Com quatro homens de frente essa possibilidade passa a existir.

Abaixo, análise de três gols santistas que saem assim. Que saem pois o 4-2-3-1 permite. Que são puramente táticos, e treinados por Dorival Jr.

Santos 4 x 0 Atlético-MG – Gol de Ricardo Oliveira (3°)

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A bola está com o homem mais à esquerda da defesa do Galo – sublinha de vermelho. Este está cercado por três, o que já mostra a pressão. Mesmo assim, consegue tocar a bola para Jemerson. Assim que este faz menção d soltar a bola, Lucas Lima,o primeiro na sobra do cerco dos três ao seu lado, corre para marcar. O que acontece? Ele força o erro no passe. Ricardo Oliveira, sozinho no canto esquerdo inferior da imagem, está bloqueando o último zagueiro para o qual o Atlético tem chance de soltar a bola. Ela cai nos pés de Ricardo:

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Com Lucas Lima sendo o único homem a correr na direção em que a bola está, já que a defesa está de costas, Ricardo só tem o trabalho de rolar. Isso tira automaticamente o zagueiro que estava próximo de usa posição, e o resto da jogada é fácil: Lucas invade a área e rola para ricardo, sozinho, marcar.

Santos 3 x 0 São Paulo – Gol de Rafael Longuine (2°)

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Neste gol, Thiago Mendes, do São Paulo (sublinhado de vermelho), é pressionado por Gabriel e Longuine (substituto de Geuvânio, faz o papel de 3° homem de ataque). Thiago consegue girar sobre ambos mas, com pouco espaço, solta a bola para Reinaldo. Assim que o passe é feito, Renato (sublinhado de preto) sai para a marcação. Assim como Lucas Lima no lance acima, Renato rouba a bola de frente para o gol.

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Renato toca na bola uma vez. Ela vai direto aos pés de Gabriel, que tem um segundo para decidir o que fazer. Agora, veja como Ricardo Oliveira, assim como no lance contra o Galo, é o homem da sobra. Se o time jogasse com dois atacantes, não haveria o terceiro na área. Ricardo está lá e dá a opção de passe para Gabriel. Um zagueiro está em Ricardo. Outro em Gabriel. O terceiro atacante, então, sobra livre. Longuine recebe na frente e, sozinho, faz.

Santos 5 x 2 Avaí – Gol de Lucas Lima (5°)

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O jogo, neste momento, estava 4 a 2 para o Santos. O relógio marcava 45 minutos do 2°t. Não havia razão para o time pressionar a saída do rival. Mas assim o fez e foi recompensando. Sublinhado de vermelho, Léo Gamalho sai para jogar e é cercado por Marquinhos Gabriel, novamente o terceiro homem de ataque. Pressionado, Gamalho toca para trás, onde normalmente o zagueiro estaria sozinho. Não contra um time com quatro na frente. Lucas Lima, sublinhado de preto, está marcando exatamente está ultimo homem. Lucas nem precisa desarmar – simplesmente passa à frente e rouba a bola:

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Vale notar que, assim que Lucas Lima rouba a bola (novamente de frente para o gol, com a defesa de costas), há duas linhas de quatro formadas: uma do Santos, uma do Avaí. Isso só ocorre graças à pressão. Ele opta por driblar sozinho e acaba sofrendo pênalti (segundo  o árbitro. Na verdade ele cai sem ser tocado). Mas se quisesse tocar, teria outras opções de jogadores livres:

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São jogadas parecidas que seguem funcionando. É claro, não é todo jogo que dará certo. Mas a tática é tentada constantemente. Dedo do técnico Dorival Jr.

Imagens ilustrativas: Reprodução/TV Globo



Jornalista esportivo.