Opinião: Palmeiras x Palmeiras: quem ganha esse jogo?

Foto: Divulgação/Palmeiras

Com o 4º lugar assegurado na rodada 27, o Palmeiras agora precisa lutar contra si próprio nas demais 11 partidas se quiser garantir um lugar no G4 e uma vaga na Libertadores de 2016.

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O duelo entre Palmeiras e Palmeiras nunca foi tão verdadeiro como em 2015. Afinal de contas, qual será o time que o torcedor verá daqui pra frente no Brasileirão? Aquele que perde em casa para Goiás e Atlético-PR ou o que goleia o São Paulo, vence o Corinthians fora de casa e faz valer a força de seu elenco?

Toda essa irregularidade do time custaram a briga pelo título do Brasileirão, que não vem desde o bi-campeonato de 1993/1994. Desde as primeiras rodadas da competição já era possível entender que, um time que empatava com os reservas do Galo em casa, em 0-0 com o Joinville fora e derrotado pelo Figueirense, não poderia buscar o caneco. Esses dois últimos, por exemplo, fortíssimos candidatos ao rebaixamento.

As rodadas foram passando e novos revezes “bobos” aconteceram. Empate com um Inter reserva em casa, derrotas para o Goiás (em casa e fora!) e para o Atlético-PR, também dentro do Allianz Parque. Um alento: todas essas derrotas foram pelo placar mínimo. Uma frustração: todos esses empates e derrotas poderiam ser evitados, colocando o Palmeiras com ao menos mais 10 ou 12 pontos na classificação, o suficiente para brigar pelo título.

Mas ok, podemos analisar o Palmeiras pela visão do “copo meio cheio” ao perceber o quanto o time evoluiu do ano passado para cá. Jogadores novos e mais experientes chegaram mesclados com jovens revelações de outros clubes e promessas da base, casos aí de Rafael Marques, Arouca e Zé Roberto com Gabriel, Dudu e Gabriel Jesus. O Palmeiras, enfim, trocou jogadores medianos para baixo por medianos para cima.

E justamente o fato do time ainda conter atletas medianos é que o fazem ser tão irregular. Não podemos contar sempre com os lampejos criativos de Robinho, tampouco com o toque de bola e visão de jogo refinados de Rafael Marques. Até mesmo depender do “jovem” Zé Roberto é pedir demais. Mas todos eles se esforçam MUITO, o que já é uma baita diferença em relação a 2014. Postura e reconhecimento daonde estão jogando, da camisa que representam. Isso por si só já vale quase um gol.

Outra mudança não menos importante se deu no comando técnico da equipe. De um perdido Dorival Júnior colocado em meio ao fogo cruzado interno a um Oswaldo de Oliveira paz e amor, até chegar ao último bi-campeão Brasileiro Marcelo Oliveira, que também já havia mostrado um excelente trabalho no Coritiba em anos anteriores. A diferença gritante entre um aprendiz de técnico, um quase técnico e um grande técnico vem sendo fundamental no Palmeiras.

O grande problema que este jornalista percebe no time, no entanto, ainda é o excesso de empolgação. Muito me assusta essas três vitórias seguidas, pois as vejo como o gatilho de uma acomodação temerosa, principalmente às vésperas de um Choque-Rei. A porca torce ainda mais o rabo (sem trocadilhos) pelo fato do rival (ou seria inimigo?) ser um concorrente direto ao G4.

Alguns vão dizer que o Palmeiras joga melhor contra os “times grandes”, enquanto vacila para os “times pequenos”. Acredito que essa análise não seja tão simplória, mas não deixa de ter um fundo de verdade. Clubes que se fecham aguardando o erro do Verdão normalmente conseguem êxito, e é justamente aí que eu imagino que, não apenas o SPFC, como o Internacional, pela Copa do Brasil, vão se empenhar para conseguir suas vitórias.

As próximas duas semanas vão mostrar qual o Palmeiras que sairá vencedor: o irregular de 2015 ou o com lampejos de Academia. Aquele que esbanja uma defesa que ninguém passa (sequência de quatro jogos sem levar gols, entre a 9ª e a 12ª rodada), que demonstra seus atacantes de raça (melhor ataque do Brasileirão), que ostenta sua fibra, se impondo dentro do Allianz Parque. O Palmeiras que, de fato, é campeão.

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