Ter artilheiro do Brasileiro não costuma dar sorte para o Santos

Ricardo Oliveira, com o gol marcado contra o Coritiba no último sábado, abriu três de vantagem sobre o são-paulino Pato e o atleticano Pratto na artilharia do Campeonato Brasileiro. Ele chegou a 10 gols e caminha para, ao menos, brigar para ser o maior marcador do torneio até o fim. Mas isso pode ser um mau sinal para o Santos.

É que o clube da Vila Belmiro não costuma ter sorte quando tem o artilheiro da competição. Na penúltima vez que isso ocorreu, por exemplo, o time só escapou do rebaixamento na penúltima rodada: foi em 2008, quando Kléber Pereira empatou com Keirrisson e Washington para ser o artilheiro com 21 gols. O Santos terminou em 15°.

Já na última o time também decepcionou: Borges foi o artilheiro em 2011, quando o time vinha de um título da Libertadores. Ele marcou 23 gols, mas o time ficou só em 10°, mostrando um futebol fraco, prévia do vexame que passaria na final do Mundial de Clubes contra o Barcelona.

Antes disso, uma artilharia que acabou em trauma para o santista: em 1998, Viola foi o melhor marcador com 21 gols, mas o Santos caiu nas semifinais para o Corinthians, depois de um mata-mata em três jogos.

Em 1993, Guga foi o artilheiro com 15 gols. Mas mais uma queda para o Corinthians veio: no quadrangular semifinal, uma derrota para o rival no último jogo encerrou a campanha.

Dez anos antes, Serginho Chulapa foi o artilheiro com 22 gols. Adivinha? Isso mesmo, mais uma derrota em momento marcante na final, para o Flamengo.

Só a Era Pelé salva o clube dessa sina: em 1968, Toninho Guerreiro foi o artilheiro (18 gols) e o time foi campeão do Roberto Gomes Pedrosa. Dois anos antes, mais um vice com Guerreiro artilheiro (10 gols), em 1966.

Coutinho, artilheiro em 1962 com sete gols, e Pelé, em 1961 com nove, salvam os traumas santistas com artilheiros.

Sabendo desses dados, o que o santista prefere: a artilharia assegurada com Ricardo Oliveira ou uma arrancada para longe da zona de rebaixamento e, quem sabe, briga por Libertadores no segundo turno?



Jornalista esportivo.