Rosa Branca, o nosso garoto prodígio

Lembro bem do dia 22 de dezembro de 2008. Eu havia acabado de chegar em casa para almoçar. Rosa Branca já era a principal manchete dos jornais daquele dia.

Estavam noticiando a sua morte. Eu nunca vi jogar o Carmo de Sousa jogar. Era de outra época. Ele nasceu em 1940 e eu 1987. Eu gostava muito de ouvir o Wlamir Marques falar sobre a Geração de Ouro de nosso basquete e sempre exaltava com quem tinha jogado ao seu lado. Merecido. Mas, quando falava de Rosa Branca, era um carinho a mais. Diferente de ouvir.

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O que mais me orgulhava nele era por ele ser da minha cidade, de Araraquara. Quando ouvi sobre a perda, fiquei muito triste, ainda mais quando as imagens eram mostradas, desde quando jogava, até dos trabalhos sociais que desenvolveu. Não só foi um atleta, como um ser humano incrível.

Ele não só nasceu para o basquete. Antes de ter o encontro com a bola laranja, ele já praticava salto em distância e altura. E, justamente, era altura que ele tinha e chamava atenção, quase 1,90. Por isso, ele foi convidado a praticar a modalidade no Nosso Clube de Cestobol, de Araraquara, hoje já extinto. Foi a partir deste convívio com outros atletas que eles o compararam ao Rosa Branca, motorista do então presidente Getúlio Vargas, e o apelidaram desta maneira.

A carreira profissional decolou e Rosa Branca foi jogar por São Carlos, onde é muito respeitado até hoje. Ganhou o Campeonato Paulista do Interior e foi vice-campeão paulista. Lá ele se formou na antiga Escola Superior de Educação Física, antes de virar UFSCar. De São Carlos, foi jogar pela grande equipe que o Palmeiras formou, em 1958. Com a camisa alviverde conquistou 10 títulos nacionais, sendo 8 de forma consecutiva, de 1963 a 1970.

Em 1959 foi, não só o seu ápice, mas o de todo basquete brasileiro, quando jogou pela seleção nacional. A Geração de Ouro dava as caras, sendo bicampeã mundial em 1959, no Chile, e 1963, no Brasil. Até 2014, a seleção brasileira era a única a ser bi-campeão de forma consecutiva, porém, os Estados Unidos quebraram esta marca. Além dos Mundiais, Rosa Branca também foi bronze nas Olimpíadas de Roma (1960) e Tóquio (1964), tetracampeão sul-americano, em 1963, 65, 67 e 69, medalha de bronze e prata nos Jogos Pan-Americanos de 1959 e 1963, respectivamente, vice-campeão do Mundial de Clubes em 65 e 67 e vice-campeão mundial em 1970. Foram 12 anos dedicados a camisa verde e amarela.

Depois do Palmeiras, passou a jogar pelo Juventus. Em 1971, se transferiu para o Corinthians e encerrou a carreira profissional, mas nunca abandonou o basquete. Trabalhou pelo Sesc SP na programação esportiva de 1975 a 2003, quando se aposentou. Depois, trabalhou na Federação Paulista de Basquete, onde tinha um projeto social que envolvia o streetball. Com o seu falecimento, o projeto foi retomado apenas no ano seguinte, em 2009, pela FPB.

Muito versátil, atuou em todas as posições dentro da quadra. Ala, armador e pivô. Uma pena o seu coração ter parado de bater aos 68 anos por causa de uma pneumonia. Mas, Rosa Branca é lembrado até hoje. O Sesc Itaquera está com uma exposição que lembra dos tempos áureos do nosso basquete e resgata toda a história deste atleta marcante de uma geração que jamais veremos.

“Rosa Branca e a Época de Ouro do Basquetebol” acontece até o dia 30 deste mês, de quarta, quinta, sábado, domingo, das 9h às 17h.

Crédito da Foto: Divulgação/Palmeiras.com.br