Guia prático do rebaixamento, tudo o que um time faz por merecer a queda

Paulo Fernandes/Vasco.com.br.
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Este texto tentará mostrar em poucos tópicos alguns indícios que mostram rapidamente que seu clube está a caminho da Série B, ou não. São exemplos que todos vimos, tanto com o time que você torça, ou com os rivais. Este será uma espécie de manual “não-escrito”, mas que numa leitura mais atenta, mostrará que a junção destes fatores deve deixar o torcedor preocupado ou animado, seja o lado que ele estiver.

O Guia do Rebaixamento

Manual prático do comportamento de um clube que deseja rumar para a série B em várias lições.

Soberba

Um exemplo prático desta situação começa pela soberba. Muitas vezes um time aparenta uma soberba além da conta, julgando que não seja necessário reforçar sua equipe, ou que aquele grupo irá lutar pelo título, quando tudo aponta o contrário. Um exemplo óbvio disso é o atual time do Vasco, uma vez que o seu presidente Eurico Miranda declarou que esta seria a ambição vascaína, e o que vemos difere desta realidade. Outro exemplo que pode ser elencado são dos clubes que sobem da Série B para a A de um ano para o outro e realizam campanhas tão fracas que logo voltam à divisão de onde vieram, casos de Brasiliense (2005), Santa Cruz (2006), Ipatinga (2008), Santo André (2009) e neste ano, Joinville.

Começo irregular

Todo time que apresenta a plataforma “Rumo à Série B” coleciona muito mais derrotas e empates que vitórias. Parece óbvio dizer isso, mas se seu time não venceu nas primeiras rodadas, dificilmente vai lutar por algo mais decente na competição. Existe na literatura do Brasileirão uma exceção, o Criciúma de 2004, que liderou nas primeiras rodadas e acabou na segundona.

Criação de um “Fato Novo”

Técnico demitido? Todos os clubes realizam esta manobra, sejam campeões, os que vão para a Libertadores, Sul-Americana ou rebaixamento. Acontece que o número de trocas de comandantes muitas vezes determina o destino de equipes. Já tivemos exemplos como o do Corinthians em 2005, que tinha Márcio Bittencourt até perto do fim da competição no comando e trocou de comandante, colocando Antônio Lopes para garantir a taça daquele ano. Outros exemplos mostram que infinitas trocas são sintomas de passaporte carimbado para a divisão inferior.

Torcida protestando e enquadrando

Quando a crise começa, seja com derrotas seguidas ou goleadas humilhantes, caso a do último domingo do Grêmio em cima do Internacional, fatalmente as torcidas organizadas já vão começar com protestos. Seja cobrando por jogadores ou impondo o terror, quando isso acontece, o clima deteriora-se rapidamente…

Saco de pancada

Esse exemplo encontra apoio em dois times: América (RN) em 2007 e Náutico (PE) em 2013. O desempenho deles foi tão fraco que já no meio do caminho o rótulo de rebaixado estava impregnado neles. Neste caso, não havia muito que fazer a não ser esperar a competição acabar e desejar um ano seguinte melhor em outro lugar.

Tem tempo, tem tempo…

Nestes anos de pontos corridos, ou até mesmo na era do mata-mata já limos e ouvimos entrevistas de treinadores e jogadores dizerem que havia tempo para fuga do rebaixamento. Times que tinham pontuação ruim, mas ainda existia esperança neles.

Grêmio 2004, Palmeiras 2012 e Botafogo 2014 são claros exemplos de times que acreditavam ter o tempo como aliados e à medida que a competição avançava, viam que ele se tornou um implacável adversário. Um dos clubes vinha como campeão da Copa do Brasil de 2012 e teve o que se chama de “relaxamento pós conquista”. Só que além da desmobilização ter sido grande, o técnico Felipão acabou caindo do cargo e viu a chegada de Gilson Kleina para tentar salvar a temporada, algo que não foi possível.

O Tricolor dos Pampas também estava nessa espiral e ainda tinha um presidente (Flavio Obino) que falava de site, de ônibus, mas não comentava sobre a situação do time, que perdia muitos jogos e nem mesmo um empate contra o Atlético (PR) por 3 a 3 o salvou da Série B em 2005.

O Fogão veio de uma Libertadores, da qual saiu na primeira fase e lutou durante todo o ano com salários atrasados. A situação foi se arrastando de um modo tal que os resultados rareavam e ainda tivemos o afastamento de quatro atletas, entre eles Emerson Sheik, e no frigir dos ovos, o rebaixamento chegou.

Decidir nas rodadas finais, uma tremenda fria!

Depois de avançarmos todos estes passos temos aquele que pode ser definitivo. Ter que decidir sua sorte nas rodadas finais, em geral é uma grande gelada. Quase sempre é indicio de que a “vaca foi para o brejo”.

O maior exemplo disso é o Corinthians de 2007, que chegou à penúltima rodada daquele ano podendo sair de vez do perigo, bastava vencer o Vasco no Pacaembu e a rodada final contra o Grêmio, no Olímpico em Porto Alegre seria um mero amistoso. No entanto, tudo saiu errado. No jogo contra o time carioca, nervosismo e chutes para fora do gol foram a tônica do jogo, decidido num lançamento para a área corintiana, que resultou num cabeceio de Alan Kardec para o fundo da rede alvinegra. A esperança deu lugar ao desespero e o jogo no Sul do país virou uma guerra para o Timão, que brigava contra o Goiás pela fuga da Série B.

No dia 2 de dezembro de 2007, o jogo começou com cores mórbidas para o Corinthians, com o gol de Jonas. Perto do fim da primeira etapa, Clodoaldo empatou, mas dependia de uma ajuda do Internacional, que em Goiânia encarava o Goiás. O Verdão do Cerrado bateu o Colorado por 2 a 1 e o empate por um gol persistiu no Olímpico. Corinthians rebaixado.

Claro que já tivemos exceções em relação a decidir nas últimas rodadas. No entanto, cabe lembrar que temos um caso que é até hoje a maior exceção de todas. Um exemplo normal de fuga em alta classe foi a do Cruzeiro, que na rodada final de 2011 salvou-se do rebaixamento com uma surra histórica no Altético (MG) por 6 a 1, mas nada se compara ao que o Fluminense fez em 2009.

Na última rodada daquele ano, a tabela reservava um jogo com dramas de final de campeonato. Coritiba e Fluminense decidiriam sua sorte de forma direta em confronto no Couto Pereira, sendo que um estava em 17º com 44 pontos e o outro em 16º com 45. O empate servia aos cariocas e a vitória salvaria o ano do centenário dos paranaenses.

O jogo ficou marcado por muita luta dos dois lados e aos 26 da primeira etapa, Fred rolou a bola numa cobrança de falta para Marquinhos abrir o marcador. Nove minutos depois, Marcelinho Paraíba cobrou falta na cabeça de Pereira, que empatou o jogo. A partida seguiu igual até o apito final de Leandro Pedro Vuaden (RS) e a festa foi Tricolor, enquanto que a torcida Coxa Branca explodiu em revolta e invadiu o campo numa batalha campal contra a PM do Paraná.

Portanto, preste atenção torcedor, se seu time já apresentou alguns destes sintomas, mantenha-se em alerta, ou comece a poupar dinheiro para pagar o plano de TV por assinatura da Série B do ano seguinte.