Opinião: Seleção feminina ganha a prata no Pan, mas torcida insiste em apontar culpadas

Pan

A mania do torcedor brasileiro de apontar vilões e mocinhos é algo corriqueiro. Nas redes sociais é comum as pessoas comentarem sobre as partidas, e o que verificamos é que alguns desses comentários não costumam ser nada amistosos, sobretudo após as derrotas.

Nas Olimpíadas de Atenas em 2004, a seleção feminina de vôlei enfrentou a Rússia na semifinal e perdeu por 3 sets a 2. O fato mais marcante daquela partida foi o 24 a 19, quando o Brasil precisava de apenas um ponto para fechar a partida na quarta parcial, mas tomou uma virada das russas, e não teve ímpeto para vencer no 5° set. Ao final daquele jogo, Mari, que fez incríveis 37 pontos na partida, foi apontada como a culpada pela derrota e bastante massacrada por aquela situação.

Ontem (25), na final dos Jogos Pan-Americanos, a seleção brasileira foi superada por 3 sets a 0 pelos Estados Unidos, e o assunto movimentou bastante as redes sociais. Com algumas novidades no time, era comum os torcedores perguntarem o motivo da ausência de jogadoras conhecidas, como Sheilla, Fabiana e Thaísa, apesar do assunto ter sido amplamente divulgado na mídia. Desmerecer a conquista da prata, e esquecer que a seleção está passando por uma fase de testes, é ignorar todo o trabalho que está sendo feito para preparar o time das Olimpíadas Rio 2016.

Para a torcida que está acostumada a acompanhar somente os jogos da seleção brasileira, é improvável que façam críticas às jogadoras mais experientes na seleção por elas possuírem “fama e a empatia” do público. Assim, as “cornetadas” caíram, principalmente, sobre as estreantes na seleção principal, como foi o caso da levantadora Macris, da ponteira Mari Paraíba e da oposta Rosamaria.

Estreante na seleção, a levantadora atuou bem ao longo do torneio e chegou a liderar as estatísticas do fundamento, mas, para os “experts” em voleibol das redes sociais, Macris foi uma das mais culpabilizadas pelo ouro perdido, apesar da equipe brasileira ter demonstrado que o problema do time não estava apenas nos levantamentos. Outra jogadora massacrada foi a oposta Joycinha, que recebeu pesadas críticas, algumas que até não tinham relação ao voleibol.

Será que vale a pena para uma atleta se esforçar dentro de quadra, ter esse nível de exposição, para representar uma torcida que insiste em julgar e apoiar o time somente nas vitórias? Não, desse tipo de torcida nenhum time precisa… É muito fácil analisar uma partida quando se está fora dela, sem uma seleção norte-americana inspirada do outro lado da rede. Não custa lembrar que o voleibol é um esporte coletivo e querer culpar apenas uma jogadora é um erro.

Foto: Getty Images



Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco.