Opinião: o que a seleção feminina de basquete pode tirar de lição do 4° lugar no Pan-Americano

Foram cinco jogos em cinco dias, sendo duas vitórias e três derrotas, no Pan-Americano de Toronto - Foto: Divulgação CBB

Não. Não foi dessa vez que as brasileiras trouxeram o bronze e muito menos o ouro para o basquete nacional. Foram cinco jogos em cinco dias, sendo duas vitórias e três derrotas, no Pan-Americano de Toronto. Um resultado bom? Bem, diria que sim e não. A seleção feminina de basquete conseguiu na raça vencer as últimas campeãs do Pan (Porto Rico) e jogar de igual para igual com os Estados Unidos e Cuba. Mas, foram atropeladas pelas canadenses.

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Mas, o que falta para a seleção feminina vencer um campeonato internacional, como um Pan-Americano ou as Olimpíadas? Muita coisa ainda. Antes de tudo precisa melhorar os fundamentos, como passes, lances-livres, arremessos e rebotes. Para isso, uma boa formação e aprendizado nas categorias de base poderiam ajudar e muito.

Depois, deveriam incentivar a criação de novos times na Liga Feminina de Basquete (LBF) para aumentar a quantidade de equipes de oito para mais de dez e melhorar a qualidade do campeonato. E, por fim, misturar tudo isso e transformar o basquete feminino em uma promissora modalidade no Brasil.

Porém, falar é fácil. O difícil é fazer. O Brasil sabe muito bem o que falta para as seleções femininas ganharem grandes torneios. E sabe há muito tempo. Mas, a falta de patrocínio e gestão tem adiado cada vez mais esse trabalho, que deveria ter começado ontem. Algo que deveria ser feito em conjunto entre empresas patrocinadoras, a Confederação Brasileira de Basquete (CBB), o Ministério do Esporte, a LBF, Clubes de basquete e jogadoras e técnicos.

A criação da Liga Feminina de Basquete em 2010 foi o começo para uma mudança, que segundo a jogadora da seleção e da WNBA Érika, no site The Playoffs, tem surtido efeito na modalidade no Brasil. Mas, são mudanças e passos pequenos ainda.

Enquanto uma grande mudança ainda não acontece. A seleção feminina leva a garra e o sonho na bagagem para enfrentar grandes equipes, que têm um investimento bem maior no esporte como é o caso do Canadá.

É nítido que o Brasil tem um time jovem e promissor. A média de idade entre as jogadoras que estiveram no Pan é de 25 anos. A mais nova era a armadora Izabella Sangalli, com 20 anos, e a mais velha a pivô Kelly Santos, de 35. Uma das maiores pontuadoras da seleção e que liderou o time na maioria dos jogos desse torneio foi a armadora Tainá Paixão, de apenas 23 anos. Tainá era reserva da veterana Adrianinha nas últimas competições, antes desta se aposentar da camisa verde amarela. E a jovem tem substituído muito bem.

Apesar das três derrotas, a seleção não foi tão mal no Pan-Americano. Jogou bem em quatro dos cinco jogos e teve muito fôlego para aguentar os cinco dias seguidos de partidas. As jogadoras são guerreiras e não se intimidaram com as adversárias. Jogaram de igual para igual contra as norte-americanas e contra as porto-riquenhas, campeãs do Pan-2011. Só apagaria da memória o passeio no domingo, à noite, contra as canadenses, quando o Brasil perdeu de 28 pontos nas semifinais.

Alguns podem dizer que os Estados Unidos não vieram com o time principal e sim com universitárias. Mas, o Brasil também não estava completo. Faltaram as quatro jogadoras que estão na WNBA, contando com a experiente Érika, e outras atletas que estavam machucadas.

A seleção sub-16 também tem atletas de grandes potenciais. Não foi por acaso que as jogadoras ganharam dos Estado Unidos na última Copa América e perdeu por um ponto para o Canadá. Mas, não pode ficar só na admiração pela luta das jogadoras e comissão técnica. É preciso agir em busca de novos patrocínios, melhores campeonatos nacionais e apoio para que essas jogadoras promissoras não parem de jogar como tantas outras já fizeram.

Foto: Divulgação CBB



Jornalista pós-graduada em jornalismo esportivo e apaixonada pelo basquete desde os 11 anos de idade, independente do campeonato e da nacionalidade.