Opinião: É triste ler o livro sobre Guardiola e comparar com o futebol brasileiro

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Nesta semana, tenho desfrutado da experiência de ler o livro “Guardiola Confidencial”, que a Editora Grande Área traduziu para o português. É um livro fascinante, mas que ao mesmo tempo me entristece no momento em que faço comparação com o futebol brasileiro.

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Segundo o livro, Guardiola tem uma característica que raríssimos treinadores possuem: a disposição para o risco. O treinador espanhol “morre atirando”. Amedrontados pelos dirigentes que não tem visão a longo prazo, os técnicos não arriscam, são burocráticos e, com isso, colaboram MUITO para a mediocridade em que o futebol brasileiro se encontra.

Guardiola tem uma filosofia de jogo tão clara e sólida que ele foi capaz de implementá-la no Bayern de Munique, um time de cultura alemã (portanto diferente da sua) e que vinha de uma tríplice coroa na temporada antes da sua chegada. O Bayern havia conquistado o ápice, e Guardiola, mesmo assim, resolveu fazer mudanças significativas na equipe, jogando no lixo a teoria surrada de que “time que está ganhando não se mexe”.

Neste caso citado no parágrafo acima vale citar a postura acima da média dos dirigentes do Bayern, que contrataram Guardiola e o autorizaram a revolucionar o time mesmo com a tríplice coroa conquistada. Os diretores mostraram a importância de se ter um projeto e de implementá-lo, sem se iludir com as taças que vieram “antes da hora”.

O livro explica que Bayern trouxe Guardiola com o objetivo de ficar marcado para a história como a equipe que tem um estilo de jogo definido. Aqui, nenhum time brasileiro foi capaz de algo semelhante – e não é por falta de oportunidade. O Santos, se tivesse um pensamento parecido, traria sempre técnicos que valorizassem o “DNA ofensivo” do time.

Guardiola acredita em elencos reduzidos e jogadores polivalentes. Os treinadores brasileiros acreditam em elencos grandes, de dois jogadores por posição, e jogadores bons somente na sua função.

Guardiola faz quase todos os treinos com bola. O treinador espanhol simula sempre situações de jogo em treino. Aqui no Brasil, ainda valorizamos o rachão (!).

Se Guardiola acredita que Javi Martinez pode se transformar em um bom zagueiro mesmo sendo volante, Guardiola vai treiná-lo, e orientá-lo. Treiná-lo, e orientá-lo. Até que ele entenda. Os treinadores brasileiros vão escalar o jogador improvisado e reclamar para a imprensa que faltam opções no elenco.

O 7 a 1 que nosso futebol brasileiro sofre é diário…

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Jornalista de esportes desde 2005, com passagem pelo UOL e Terra. Editor de comunidades do Torcedores.com e blogueiro do renanprates.com