Opinião: O GP da Hungria resgatou as emoções dominicais

Hungria

O GP da Hungria de 2015 trouxe muitas emoções de volta ao torcedor. Os pilotos protagonizaram um espetáculo e honraram o amigo que se foi. Certamente Hungaroring ficará marcado na mente do fã de Formula 1 como o palco da melhor prova dos últimos anos.

LEIA MAIS:
Com ótima largada, Vettel vence na Hungria e iguala Senna na F1

As nove da manhã do último domingo confesso que ainda estava meio sonolento e que esperava mais uma corrida igualmente sonolenta com domínio das Mercedes e Ferrari e RBR brigando atrás. Aquele momento, minha suspensão de descrença ainda dormia, mas foi obrigada a acordar no momento da largada.

Antes de falar sobre a corrida em si, é importante citar a homenagem que os pilotos fizeram a Jules Bianchi, falecido no último dia 18 em decorrência de seu acidente em Suzuka no ano passado. O abraço coletivo com capacetes ao chão, realizado pelos vinte amigos de Jules que ali dão continuidade ao andamento da categoria foi uma homenagem singela e serena de quem sentira muita falta de um amigo. Ali também foi prometido que dariam tudo de si em honra a Bianchi. Assim o fizeram.

A largada de Sebastian Vettel foi inacreditável. Sua perspicácia o fez quase se espremer com Hamilton, mas seu ímpeto o levou a primeira posição na corrida após a primeira curva. Seu companheiro finlandês que havia largado em quinto também conseguiu escalar posições e após quatro curvas as duras Ferraris ocupavam o primeiro e o segundo lugar. Quem poderia esperar?

Enquanto isso, o calvário da Mercedes estava apenas começando. Hamilton tentou passar Rosberg ainda na primeira volta e passeou fora da pista, caindo para décimo. A necessidade de realizar uma corrida de recuperação sempre põe Hamilton em uma situação difícil por ser conhecidamente um piloto que não trabalha muito bem sob pressão, e dessa vez a história não foi diferente. Em décimo, ficou preso no pelotão intermediário e demorou muito tempo para que pudesse realizar as ultrapassagens necessárias e voltar a perseguir o pelotão da frente. Enquanto isso Rosberg se mantinha em quarto com um ritmo considerável, mas não no padrão Mercedes.

Na corrida das surpresas, a RBR teve seu papel caracterizado como importantíssimo. Daniel Ricciardo protagonizou alguns toques durante a prova, com Hamilton e posteriormente Rosberg. Felizmente tais incidentes não ofuscaram sua pilotagem que lhe garantiu o terceiro lugar, enquanto seu companheiro de equipe, o russo Daniil Kvyat pegou o segundo lugar no pódio para si, depois de demonstrar toda sua capacidade enquanto piloto e que o amadurecimento na Formula 1 não vem a galope, vem a mais de 300km/h. Vale citar que o segundo lugar de Kvyat foi o melhor resultado já registrado por um piloto russo na categoria. Entrou para a história e ainda tem um futuro provavelmente excitante à sua frente.

Inacreditável também foi o dia de Kimi Räikkönen. O finlandês seguia seu companheiro de equipe de perto após uma excelente largada e mantinha um ritmo inimaginável até para ele mesmo. Infelizmente, em forma de surpresa, o KERS de seu carro parou de funcionar, e enquanto Kimi procurava soluções ou explicações via rádio, seu carro perdia potência. O pior ainda estava por vir. Ao passar por uma das zebras da prova, parte da aerodinâmica da asa dianteira de sua Ferrari quebrou, assim como uma criança quebra um brinquedo.

LEIA MAIS:
Hulkenberg lamenta acidente na Hungria: “Foi uma pena”

Forçado a parar nos boxes, Kimi teve seu motor desligado e reiniciado. Um reboot mecânico inusitado, eu diria. Algumas voltas depois, recebeu pelo rádio a notícia de que teria de abandonar a prova. Era seu melhor desempenho do ano e poderia ser a fagulha necessária para que seu potencial, há muito desaparecido, pudesse retornar as pistas e deleitar os fãs. Uma pena.

Muitas coisas ainda aconteceram na prova: Hulkenberg protagonizou um incidente bizarro quando sua asa dianteira se soltou de seu carro no meio da reta, assim sem mais nem menos. O alemão parou na barreira de pneus e o safety car foi posto na pista. Dentre um dos muitos toques que houveram na prova, Maldonado e Sergio Pérez demonstraram sua animosidade e o mexicano rodou. Além disso, ao final, vários pilotos receberam punições de tempo por acelerarem demais no pitlane, bem como pontos na sua super licença.

E por falar em Maldonado, dessa vez o venezuelano conseguiu mais uma proeza: Marcou seu hattrick de punições. Primeiro pelo incidente supracitado com o mexicano Sergio Perez, segundo por excesso de velocidade no pitlane e terceiro por excesso de velocidade no pitlane ao pagar seu drive through. Maldonado é, realmente, uma jóia rara no automobilismo.

Por último mas não menos importante, as duas McLarens estavam nos pontos. É isso mesmo que você acabou de ler. Fernando Alonso colocou seu bólido empurrado pelos motores da Honda na quinta colocação e Jenson Button acabou em nono, marcando pontos pela segunda vez na temporada. Será que as previsões dos engenheiros japoneses irão se concretizar e a McLaren-Honda começará a dar sinais de vida e a dar o ar da graça entre os pontos? É esperar para ver, mas seria muito importante para todos que tal profecia pudesse se concretizar.

E as Mercedes? Hamilton terminou em sexto, após muito tropeçar. Rosberg em oitavo, após ter se tocado com Ricciardo e feito uma visita inesperada aos boxes. Com isso, o inglês permanece na ponta da tabela e aumentou sua vantagem de 17 para 21 pontos. A sorte esteve ao seu lado, de certa forma. Já Vettel, que não se vinculou a nenhum tipo de percalço na prova, venceu. Se igualou a Ayrton Senna em número de vitórias. Já são 41. E de quebra deixou Arrivabene extremamente feliz e satisfeito. A meta da Ferrari de vencer três provas no ano está mais perto de se concretizar do que nunca, afinal, só falta uma.

Ao final, na cerimônia do pódio, Sebastian Vettel estava visivelmente emocionado com sua vitória. Falou em francês e a dedicou ao amigo Jules Bianchi, afirmando que o mesmo viria a se tornar parte do time do cavallino rampante num futuro próximo. Ricciardo e Kvyat também dedicaram seu pódio e suas pilotagens ao amigo que se foi. O fato é que todos os pilotos demonstraram honrar Bianchi ao protagonizarem uma corrida fantástica. Para o bem ou para o mal, o circuito de Hungaroring foi palco de mais uma corrida espetacular e a mais espetacular dos últimos anos.

A Formula 1 volta no dia 23 de agosto em Spa-Francorchamps e a esperança que fica nesse hiato é de que a Ferrari possa fazer frente à Mercedes na bélgica. Vamos esperar e torcer.

Foto: Getty Images



Fanático por hockey e automobilismo, escrevo sobre ambos.