Lembra dele? Rojas, goleiro vilão do Chile, hoje luta contra doença

O sorteio preliminar da Copa do Mundo de 2018 colocou Brasil e Chile frente a frente na última rodada das eliminatórias, algo que fez muita gente lembrar do famoso caso que as duas seleções protagonizaram em 1989, quando brigavam no Maracanã por uma vaga no Mundial de 1990, na Itália. O goleiro Roberto Rojas foi o protagonista e vilão daquela história.

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Conhecido dos brasileiros, já que atuava pelo São Paulo, Rojas eternizou seu nome na história das eliminatórias de uma maneira negativa. No segundo tempo do duelo entre brasileiros e chilenos, o goleiro do time visitante caiu na área logo após o lançamento de um rojão que passou perto dele.

Imediatamente, todos os jogadores do Chile partiram para perto de Rojas e do árbitro. O clima era de uma suposta revolta chilena, os jogadores abandonaram o campo. O Brasil vencia o jogo por 1 a 0 e precisava apenas do empate para garantir um lugar na Copa do Mundo. Havia o medo de a Fifa interditar o Maracanã e forçar a realização de novo jogo em campo neutro.

A torcedora que lançou o foguete em campo, Rosemeire Melo, foi presa em flagrante, mas acabou liberada na delegacia no dia seguinte. Ficou famosa e chegou a posar nua para uma revista masculina. Virou celebridade no meio da farsa chilena.

Dias depois, a Fifa analisou o caso e decidiu que o abandono chileno configurou vitória brasileira por 2 a 0, segundo as regras da entidade. Além disso, começaram a surgir acusações contra Rojas. Ele teria provocado o ferimento que causou o sangramento em campo. Imagens publicadas pelo jornal “O Globo” mostravam o rojão a uma boa distância do goleiro chileno.

Posteriormente, veio a confirmação: Rojas tinha uma lâmina nas luvas e a utilizou para se cortar e fingir que o ferimento havia sido causado pelo rojão. Não havia nenhum sinal de queimadura encontrado nos exames médicos feitos no Rio de Janeiro. O caso resultou no banimento de Rojas e outros três chilenos do futebol. A seleção do Chile foi suspensa por quatro anos e ficou fora até da Copa de 1994 por causa disso.

Anos depois, Rojas voltou como preparador de goleiros do São Paulo. Teve seu banimento retirado pela Fifa em 2001, e foi autorizado a atuar como treinador. Assumiu o comando do Tricolor em 2003 após a demissão de Oswaldo de Oliveira. Conduziu o time no Brasileirão, melhorou o desempenho do time do Morumbi e o levou de volta à Libertadores após dez anos.

Hoje, Rojas luta contra a Hepatite C. Fez um transplante de fígado no mês de março. Aos 55 anos, o ex-goleiro tem dificuldades financeiras para custear o tratamento, já que a doença pode afetar ainda seus rins.

“Seu tratamento deve se realizar com agentes virais direitos com o fim de evitar a pior da lesão induzida pela Hepatite C e a progressão da enfermidade renal e suas possíveis complicações. Se não for realizado esse tratamento, isso implica em riscos significativos, inclusive o de morte devido à progressão da doença”, disse o médico de Rojas ao jornal espanhol As.

Segundo o jornal chileno Cooperativa, Rojas, apesar da doença, fez comentários sobre a tabela das eliminatórias. O Chile estreia contra o Brasil em casa, além de fechar o torneio contra o mesmo rival fora. “Sempre é bom começar em casa e aproveitar a condição de mandante. Além disso, o Chile tem que manter o bom rendimento que teve nos últimos tempos”.

O ex-goleiro também comentou sobre o time brasileiro. “Brasil não tem jogo de equipe, como se esperava na Copa América, sendo uma decepção para o que significa o Brasil. E não se sabe que jogadores vão integrar a seleção, porque jogando dessa forma terão eliminatórias muito complicadas”.

Foto: Reprodução/Colo Colo



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.