Guarani X Mogi Mirim: quando o empate é o principal protagonista

Atualmente, o esfacelado futebol do interior paulista segue a sina do ostracismo. Sem revelar e totalmente esquecido pelas federações e mídia, pouco se ouve falar do que um dia foi um celeiro de craques. Casos de Guarani e Mogi Mirim, protagonistas do Especial Futebol do Interior de hoje.

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Começando pelo Bugre, clube consagrado nacionalmente, sobretudo por formar grandes jogadores, como Neto, Careca, Evair, Amoroso, Luizão, entre outros. Mesmo afundado em dívidas e correndo sérios riscos de perder o Brinco de Ouro, o Guarani ainda conseguiu revelar bons nomes na última década: Elano, Edu Dracena, Martinez, Alex (ex-Inter), Xandão e Jonas foram alguns. Em matéria publicada no site Lancenet, em 2011, o ídolo Careca deu uma declaração que ilustra bem a derrocada da equipe de Campinas.

“O Guarani perdeu sua maior referência, que era a categoria de base. No Brasil todo, o sonho dos meninos era fazer uma peneira no Guarani e não no São Paulo ou no Santos. A partir do final da década de 80, o clube errou ao querer competir com os grandes clubes da capital, pagando altos salários e deixando a base de lado”, diz Careca.

A declaração do ex-jogador e campeão brasileiro de 1978 é real. Sem dinheiro, sem prestígio e investimentos, não há condições revelar mais ninguém. Quando aparece algum jogador interessante, a falta de recursos faz o clube fatia-lo com empresários e investidores.

Há 66,8km de Campinas fica a cidade de Mogi Mirim, outro grande centro do futebol interiorano. Lugar, inclusive, onde já se produziu bons jogadores, sendo o mais famoso deles Rivaldo Vítor Borba Ferreira, o Rivaldo, pentacampeão com a seleção e melhor do mundo em 1999, quando atuava pelo Barcelona. Assim como seu rival campineiro, o Sapo vive tempos difíceis. Recentemente, o jogador e presidente Rivaldo colocou o clube à venda.

Quando se encontraram, Bugre e Sapo protagonizaram grandes duelos. O mais recente deles aconteceu em 2013, no Brinco de Ouro, válido pela primeira fase do Paulistão. Com gols de Roger Gaúcho e Wagner Carioca o Mogi Mirim conseguiu um grande resultado diante do tradicional rival.

Vitórias são raras no histórico do duelo. Até o momento, foram 39 partidas, com 12 empates, 13 vitórias do Guarani e 14 do Mogi. A igualdade é tamanha, que até os números de gols são iguais: 49 a 49.

A igualdade aparece, também, nos números de maior tabu: 7 pra cada lado. O Guarani ficou de 1986 a 1988 sem vencer o rival. O grande detalhe do confronto é que os dois só enfrentaram em disputas de campeonatos estaduais.

Em 2012, quando o Guarani conseguiu chegar à final do Paulistão, o Mogi aplicou uma goleada de 3 a 0 no adversário. Por outro lado, a maior goleada do Guarani no rival aconteceu em 1999, quando venceu o Mogi por 4 a 1, em casa.

Enquanto ficamos na espera por um novo confronto, na qual há a possibilidade do Guarani empatar o confronto, deixo com vocês este vídeo do jogo em que o Bugre lutou até o fim, após estar perdendo por 3 x 0, arrancando o empate nos acréscimos, aos 50 minutos do 2º tempo. O duelo foi válido pela Série C do Brasileirão.

Devido aos descensos de ambos, Guarani e Mogi Mirim não se encontram desde então. Atualmente, o Bugre disputa a Série A2 do Campeonato Paulista e o Sapo ocupa a 17°colocação da Série B, com 13 pontos em 14 jogos. A equipe de Rivaldo, também, integra a primeira divisão do Paulistão.



Estudante do último ano de Jornalismo pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado, faço parte dos sites Ferozes Futebol Clube e Futeboteco, na qual colaboro com textos opinativos à respeito do mundo do futebol e suas vertentes.