Em entrevista exclusiva, Caroline Kumahara comenta desempenho do Tênis de Mesa no Pan

Um dos destaques do Pan-Americano que termina neste domingo, Caroline Kumahara comenta sobre o desempenho em entrevista exclsuiva para o Torcedores

O Brasil teve como um dos seus grandes destaques nesta edição dos Jogos Pan-Americanos a sua delegação de Tênis de Mesa.

LEIA MAIS:
Pintou o Sete! Equipe masculina de Tênis de Mesa bate Paraguai e conquista o sétimo ouro por equipes no Pan
Brasil chega em final inédita no Tênis de Mesa Feminino e fica com a prata
Tênis de Mesa brasileiro garante cinco medalhas neste sábado no Pan
Mesatenista prata no Pan nasceu na China e é ex de Zizao; veja trajetória

A equipe, que teve Gustavo Tsuboi, Hugo Calderano e Thaigo Monteiro (masculino) e Caroline Kumahara, Lin Gui e Lígia Silva (feminino) conquistou quase todas as competições realizadas em Toronto.
A única medalha de ouro que não veio foi com a equipe feminina, mas veio a prata, após uma final inédita. Das oito medalhas possíveis, o Brasil conquistou sete, liderando de forma incontestável o quadro de medalhas do esporte.

O Torcedores teve a chance de entrevistar, de forma exclusiva, a mesa-tenista Caroline Kumahara, que conquistou a medalha de prata por equipes e a medalha de bronze no indiviudal geral.
Ela comentou sobre o desempenho nos Jogos Pan-Americanos, e a campanha surpreendente da equipe feminina. Confira:

Torcedores: Como que a Caroline sai de Toronto após este Pan?
Caroline Kumahara: Muito feliz por ter conseguido medalha nas duas competições, ainda mais no individual que ia ser muito dificil, mais feliz ainda por ter sido como foi (ganhando de duas chinesas no individual, inclusive a campeã de 2011), mas com a sensação que dava pra ter sido melhor ainda.

T: Então, houve um pequeno sentimento de frustração por não ter conseguido o que o Gustavo e o Hugo fizeram (eles se enfrentaram na final do torneio masculino)?
CK: Não sei se é comparável pela diferença do masculino e o feminino. O masculino veio com o favoritismo total, enquanto que no feminino nunca tinham conseguido uma medalha de prata por equipes e nenhuma no individual. No feminino, a equipe dos EUA é uma China B praticamente, fora as outras chinesas, inclusive a Lin Gui. Por ser um campeonato com tantas chinesas, acho que não se compara ao masculino, que claro, tem jogadores fortes, mas o Brasil já domina totalmente.

T:Imagino que pra quem está inserido no mundo do Tênis de Mesa, o resultado não seja surpreendente – até pelo que você disse anteriormente, pelo histórico -, mas o resultado de vocês – você, a Lin Gui e a Ligia, que tiveram o Hugo Hoyama na equipe – foi uma surpresa?
CK: Não acho que tenha sido uma surpresa, mas ao mesmo tempo tínhamos chances de não conseguir. Vendo por resultados anteriores, vínhamos criando certo favoritismo a medalha, mas muitos fatores poderiam nos impedir de chegar nela. Foi um feito inédito, mas fazia parte de um objetivo real na cabeça de todos nós, que nos preparamos muito bem para isso. Resumindo, na minha opinião, não foi uma surpresa, mas ao mesmo tempo não era aquele “totalmente esperado”.

T: Esses resultados, sem sombra de duvida, criam uma expectativa para 2016. Depois das medalha, a equipe inteira conversou sobre esse passo dado, com essa evolução para três medalhas?
CK: Ah sim, com certeza, mas existe uma grande diferença entre Pan e Olimpíadas (risos)
Mas sim, foi um grande passo dado para o Tênis de Mesa Feminino ser mais valorizado no Brasil.

T: Você acha, por exemplo que o fator casa vai pesar nos Jogos Olímpicos ano que vem? Ou ainda prefere não comentar sobre?
CK: Acho que não, por enquanto. Talvez seja um pouco mais, em relação á vontade de querer classificar e jogar as Olimpíadas em casa. Mas em questão de resultado, é um grande evento em qualquer lugar que seja. Mas eu acho que, se eu classificar, é uma coisa que eu só vou sentir ali na hora, quando ver toda a galera no ginásio.

T: Tem um peso você ter um orientador que nem o multi-medalhista Hugo Hoyama na equipe feminina?
CK: Sim, ele tenta ajudar dando motivação e instrução durante o jogo, e principalmente em jogos contra canhotas, ele tem muita experiência com o que é bom e ruim para canhoto por ser canhoto. Mas como eu disse, sou uma pessoa que acredita muito na preparação. Para mim a preparação é praticamente tudo, os treinos, o dia-a-dia. Eu não conseguiria fazer o que é necessário na hora do jogo sem ter treinado muito para isso. E o Paco e meu pai são as pessoas que estao sempre me dando todo o suporte e exigindo de mim diariamente.

T: A equipe brasileira tem uma variedade incrível no feminino: Você que é descendente de japoneses, a Lígia que vem do Norte do País, e a Lin Gui, que é chinesa já radicada no País. A primeira pergunta: Como quebrar essa barreira de culturas, pois são diferentes. Segundo, a Gui Lin já é mais brasileira do que chinesa?
CK: Já nos conhecemos muito bem. Independente das diferenças de culturas, nos damos muito bem e sabemos lidar com as diferenças, é um fator bem tranquilo para todas nós.
Sim, ela já é bem brasileira, só é chinesa para algumas coisas, o que é normal, claro.

T: Pra terminar essa conversa, deixe uma mensagem para quem te apoiou durante todos os dias de competição.
Uma mensagem que seja sua, mas que você acredite que seja a mensagem de todos da equipe de Tênis de Mesa, que conquistou excelentes resultados no Pan.
CK: Gostariamos de agradecer a todas as mensagens e carinho da galera, que nos deu muita força e energia positiva para conquistarmos essas medalhas. E eu, particularmente, gostaria de dedicar essas medalhas aos meus técnicos de São Caetano do Sul e minha familia, mas não posso deixar de citar, Paco, Mônica e meu pai.

*Com colaboração de Camila Andrade

Crédito da Foto: Reprodução/ITTF



Jornalista de 28 anos, com passagens em diversos sites como UOL Esporte, Trivela, Fanáticos por Futebol, Doentes por Futebol e revistas como IstoÉ 2016.