Após tragédia de Bianchi, F1 tem a chance de se humanizar na Hungria

Reprodução/twitter

O GP da Hungria, que vai acontecer neste final de semana pode ser um divisor de águas, tanto para equipes, mas principalmente para os pilotos.

Hungaroring vai receber neste final de semana mais uma edição do dispurado GP da Hungria de F1, mas sem muita alegria. O luto pela morte de Jules Bianchi, falecido na última sexta-feira e que teve seu velório realizado esta semana na França, fez com que os fatos que forem realizados na Hungria se tornassem meramente secundários, perante ao luto. Mas a F1 tem uma bela chance de se humanizar após esta tragédia, e a perda fundamental para isso pode acontecer na Hungria.

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Como bem disse o jornalista Luis Fernando Ramos, o Ico em seu blog, os pilotos estavam muito afastados, ninguém conhecia direito Jules Bianchi, e a morte dele – fato que não acontecia com um piloto desde Senna, em 1994 – fez com que os pilotos saíssem de suas casas/mansões e se juntassem, mesmo que em um momento triste.

Ver Massa e Maldonado chorando por ter um mínimo de ligação com o piloto – Bianchi era empresariado por Nicholas Todt, que também gerencia a carreira dos dois – foi uma cena muito tocante e que ajuda a humanizar, nem que seja um pouco a F1.

Tanto que, neste final de semana, diversos pilotos vão homenagear, seja no capacete, ou alguma coisa escrita no carro, o francês.
Claro que teremos pilotos que vão se aproveitar da situação pra se promover, mas a maioria sentiu o baque de ver um colega de profissão que, dia desses estava correndo – e dando trabalho pra maioria – deitado em uma caixão de madeira.

É a grande chance de os pilotos saírem do pedestal e tentarem, no mínimo, se conhecer. Talvez o maior legado que podemos ter neste GP da Hungria não seja o resultado, se Hamilton ou Rosberg é que vão vencer… Tudo que acontecer neste final de semana no que tange a resultados será coisa pequena perto do simbolismo que podemos ter em terras húngaras.

Toda morte traz consigo um lado bom: A de Bandini mostrou a noção de que as corridas precisam de um limite de tempo, a de Pryce trouxe consigo uma reestrutuação nos autódromos, Ratzenberg e Senna trouxeram a de que os carros precisavam de segurança. A morte de Bianchi pode trazer um legado para quem está na categoria – sejam dirigentes e pilotos – de que a F1 precisa realmente sentir a emoção que vem das arquibancadas.

A F1 pode ser mais humana neste final de semana, pois o luto traz isso. Será um final de semana com muitas emoções – mais fora do que dentro das pistas. Esperamos que a categoria tenha este legado repassado por Bianchi. E o primeiro passo acontece em Hungaroring.



Jornalista de 28 anos, com passagens em diversos sites como UOL Esporte, Trivela, Fanáticos por Futebol, Doentes por Futebol e revistas como IstoÉ 2016.