Pablo Aimar: o fim é concretizado onde tudo começou

Pablo César Aimar Giordano é um jogador de escola argentina. Não, não me refiro ao estilo de jogo ou a qualquer outra circunstância que influencie no jeito de jogar futebol, e sim à paixão dos argentinos aos seus clubes de origem. Paixão essa que está acima de situação financeira, conforto, luxo e nível técnico.

Depois de uma década e meia, Aimar voltou para seu lar, o River Plate. É certo que mal jogou, e logo se aposentou pois seu corpo não mais aguentou a pressão da energia que emana do sagrado campo argentino, mas sua volta ao continente latino representa muito mais do que boas atuações. Demonstra que a essência vital do futebol ainda respira.

O meio-campista clássico, nascido em Rio Cuarto, estreou com apenas 19 anos no time da capital, em 1996, em uma partida contra o Rosário Central. Virou o xodó da equipe, sendo um meia habilidoso, de passe refinado e de classe ímpar – o famoso “maestro”. Teve os apelidos de “El Mago” e “Palhaço”, e foi contemporâneo de outros marcantes meias do futebol argentino, como Riquelme, Lucho González e Maxi Rodríguez.

Em 2000, disse até logo à torcida “millonaria” e transferiu-se para o Valencia. Lá, conseguiu aprimorar-se. Transformou o protótipo de craque em status. Consolidou-se como jogador de seleção e um dos melhores jogadores argentinos em atividade. Talvez tenha sido nessa época que justificou a admiração de Messi, que considera Aimar seu maior ídolo no futebol.

Em 2006, após 162 jogos e 27 gols pela equipe de Valência, transferiu-se para o Real Zaragoza. Lá, começaram os primeiros pesadelos com problemas físicos. Pablo Aimar não repetiu a magia exercida no ex-clube, e depois de duas temporadas no Zaragoza, mandou-se para o Benfica em busca da recuperação do futebol.

Em Portugal, Pablo Aimar repetiu sua chata mania de virar ídolo. Não foi genial logo de cara, é bom dizer, mas, mesmo com a responsabilidade de carregar a camisa 10 de Rui Costa, com o tempo foi se sentindo a vontade e pôde contribuir para o time, posteriormente até formando uma dupla com seu ex-companheiro dos tempos de Argentina, o atacante Javier Saviola.

Pela Seleção Argentina, Aimar participou de 52 partidas e marcou oito gols. Jogou também duas Copas do Mundo com a camisa albiceleste, uma Copa América e participou dos derradeiros jogos classificatórios para a Copa de 2010.

Em 2013, mesmo que caminhando já para o fim da carreira, Aimar surpreendeu a todos ao ir para o desconhecido Johor FC, da Malásia. Jogou apenas 8 partidas na equipe, marcou dois gols e foi dispensado pela má forma física.

Podemos dizer que a dispensa feita pelo Johor FC foi até boa para o futebol. Pablo Aimar não poderia encerrar a carreira sem vestir novamente a camisa branca e vermelha do River Plate. Foi por pouco tempo, é claro, mas o suficiente para Los Millonarios poderem ver, pela última vez, a exuberância de seu craque, um filho do Monumental de Nuñez. O fim estava escrito quando o jogador não foi inscrito para a Libertadores. Aimar não queria ser um jogador que andava, que jogava pela metade. Aimar queria ter sua imagem de maestro perdurada na memória do torcedor argentino pela eternidade.

“Agradeço àqueles que gostaram de me ver jogar futebol. Quem me conhece sabe que não tomo como algo ruim. Entendo o sentimento de duelo, mas para o futebol eu sou grande e para a vida eu sou jovem. Há muita vida fora de um campo e eu gostaria de viver. Para mim, não é algo ruim, é algo que eu tenho que passar”, afirmou o craque, que deixará saudades no coração de todos os amantes do belo futebol e que poderá pendurar as chuteiras no mesmo local onde as calçou pela primeira vez, há 19 anos atrás.

Foto: Getty Images



Estudante de Jornalismo na Universidade São Judas Tadeu. Amante do futebol, apaixonado por futebol americano e interessado pela antropologia esportiva.