Se a TAM fosse um jogador, seria o coringa do time

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A doutrina espírita e, de certa forma, a budistas, dizem que estamos nesse mundo para evoluir. Há quem acredite e quem duvide dessas crenças, principalmente ateus que não gostam de respeitar a religião alheia. No caso da relação da TAM, com o futebol, essa afirmação faz todo o sentido.

Dos anos 90 para cá, é impressionante o quanto a empresa variou sua relação com o esporte, não apenas o futebol – mas principalmente ele. O são-paulino, em especial, se lembra com muito carinho da empresa, afinal, ela patrocinou o clube durante bons anos da Era Telê e estava lá na conquista da segunda Libertadores e Mundial.

O torcedor do Atlético-MG, idem. Apesar de poucas glórias na memória, o atleticano teve a TAM estampada na camisa do seu Galo durante um período.

No entanto, desde que deixou a camisa do Tricolor pela segunda vez (em 2002, esteve nas mangas do manto), a TAM resolveu fazer jus aos seus serviços e voar mais alto na esfera esportiva. O único problema é que no meio do caminho enfrentou algumas turbulências, por manobras ousadas demais.

No começo, é verdade, o piloto estava cauteloso (teoricamente). Firmou um acordo com o Clube dos 13 (que ruiu e hoje em dia é só o pó) e patrocinou o Campeonato Brasileiro, ativando sua marca nas placas de publicidade ao redor do gramado.

Nesta mesma época, patrocinou também a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) e a Stock Car, e tinha como plano de ação ativar o patrocínio em voos da companhia, por meio de atletas das modalidades. A ideia era simples: bastava apenas interagir com os outros passageiros, sortear brindes, ser simpático, enfim. Tirando a parte do sorteio de brindes, o resto é coisa que qualquer famoso, um pouco mais afável, faz sempre.

Então a companhia resolveu ir um pouco além: começou a patrocinar a seleção brasileira, “simplesmente” a equipe de futebol mais valiosa (e cara) do Brasil. Claro que, como todo bônus, tem um ônus, a coisa começou a sair do controle.

A parceria com a canarinho (que é uma mina de ouro para quem se envolve com ela), começou em 2007 e ia muito bem, obrigado, quando a Folha de S. Paulo divulgou uma reportagem denunciando que o dinheiro investido pela TAM na CBF, não era usado para o bem da seleção, mas sim, para o bem do presidente da entidade na época, senhor Ricardo Teixeira.

O esquema era simples e feito em larga escada pelo cartola, com todo e qualquer negócio firmado por ele para, na teoria, a seleção. O dinheiro que, pensávamos nós, meros mortais, entrava nos cofres da CBF, ia para empresas de fachada criadas por ele, em paraísos fiscais tão longínquos, que nem os aviões da TAM alcançam. Quem se interessa pelo assunto, recomendo a leitura do livro “O Lado Sujo do Futebol”.

Acossada pelas denúncias, a TAM resolveu tirar o time de campo. Mas durou pouco. Em 2014, resolveu mexer de novo no vespeiro da seleção e fez um comercial com três atletas que disputariam a Copa do Mundo: Thiago Silva, David Luiz e Marcelo.

A propaganda, claro, não pegou bem, afinal, a patrocinadora oficial da seleção, a Gol, não gostou nada disso e fez pressão para que o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) colocasse ordem na casa e assim foi feito. Quero dizer, em termos: a TAM resolveu retomar aquela ativação nos voos e fez um comercial apenas com o David Luiz, interagindo com os passageiros.

Desde então, a companhia aérea deu um tempo nas manobras radicais e, neste ano, quase que sem fazer alarde, está patrocinando a Copa América, que acontecerá no Chile, no mês que vem. Para ativar, está promovendo um concurso que dará ingressos para alguns torcedores acompanharem a final no estádio.

Parece que não querem mais se meter em confusão. Alguém falou em evolução aí…?

Informações gerais

TAM foi a patrocinadora master do São Paulo e do Atlético-MG nos anos 90;

Em 2002, retomou a parceria com o São Paulo, estampando sua marca apenas nas mangas do uniforme;

Ela também foi parceira do Clube dos 13 e ativava a marca com placas de publicidade nos estádios;

Fora do futebol, na mesma época desse patrocínio ao Clube dos 13, a TAM fez aportes na CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) e Stock Car, chegando a direcionar 60% do budget do seu marketing em esporte. A ativação nestes casos era feita com os próprios atletas, que interagiam com passageiros da companhia durante os voos;

Desde então, não houve iniciativa alguma da empresa aérea, com clubes, mas sim, com a seleção;

A TAM patrocinou a seleção brasileira de 2007 a outubro de 2012, depois de a Folha de S. Paulo denunciar que o dinheiro do patrocínio era direcionado à empresas pertencentes a Ricardo Teixeira, presidente da CBF na época;
Em 2014 entrou em atrito com a concorrente Gol, patrocinadora oficial da seleção, por produzir um comercial com três jogadores que jogariam a Copa;

Mesmo repreendida pelo Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), a TAM tratou de fazer outra propaganda, desta vez apenas com David Luiz;

Hoje, a empresa, que se fundiu com a LAN, formando a Latam, patrocina a Copa América, que será realizada no Chile. Para ativar o patrocínio, ela organizou um concurso que dará ingressos para a final da competição.

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Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...