Opinião: GP de Mônaco, salvo pelo safety car

GP de Mônaco

Carro de segurança não apenas dá vitória a Rosberg, como também deu a única dose de adrenalina ao GP de Mônaco. Era uma vez um GP de Mônaco previsível e sonolento. Tudo caminhava para uma corrida praticamente sem alteração das posições de largada até que um safety car mudou seu desfecho.

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O menino Max Verstappen foi responsável por um forte acidente quando, já no final da prova, fez uma tentativa de ultrapassagem pra cima de Grosjean. Ele se defendeu dizendo que Romain teria freado cedo demais, mas mesmo se isso tivesse acontecido, Max deveria reconhecer que foi sim, culpado. Quem costuma ler o que eu escrevo, já deve ter notado que eu gosto do menino e acho que ele tem real talento, mas isso não faz com que eu seja parcial.

Ele realmente foi culpado e mereceu as críticas e a punição pelo acidente…Mas me incomodou um pouco o que vi por aí: começaram a se referir a ele como um perigo ambulante e até mesmo como trapaceiro (como se já tivesse causado muitos acidentes e feito muitas barbeiragens). De “novo Senna” passou para “novo Maldonado” e acho que há um grande exagero nisso tudo, pois para ser um novo Senna falta muito, assim como também falta para ser comparado ao venezuelano. É o primeiro ano de Max na Fórmula 1, ele é novo e inexperiente, mas acho que está indo bem até agora.

Só para relembrar: bateu o recorde de mais jovem piloto a pontuar na categoria máxima do automobilismo logo em sua segunda corrida, fez outra razoavelmente boa, não completou outras três devido a problemas com o carro e fez uma notável prova de classificação para o GP da Espanha. Deixem o menino trabalhar! Ele não é o “novo outro-piloto”, ele tem um futuro próprio e promissor se não se afobar.

Este acidente causou a entrada do safety car que Hamilton quer esquecer. A equipe teria sugerido a Lewis que aproveitasse a entrada do carro de segurança para trocar seus pneus que já estariam bastante desgastados (assim, poderia se defender melhor de um possível ataque de Vettel que, acreditavam, também trocaria seus pneus).

O problema é que só Hamilton parou, enquanto Vettel e Rosberg continuaram na pista. Lewis perdeu a liderança e também a segunda posição, tendo conseguido voltar somente em terceiro. Fez tentativas frustradas de ultrapassagem pra cima de Vettel mas só conseguiu mesmo permanecer no lugar mais baixo do pódio.

Frustrante? Com certeza. Se você é o melhor piloto durante todo o fim de semana e perde uma vitória em Mônaco por um erro de estratégia da equipe, isso merece ser classificado com muitos outros adjetivos além de “frustrante”. A equipe se desculpou e Toto Wolff disse em entrevista que houve um erro de cálculo, assim como o próprio Hamilton afirmou que tinha certeza que os demais parariam também.

Mas nem o fato de não se usar GPS em Mônaco, nem o fato de Hamilton ter concordado em parar diluem essa culpa. Acho que a Mercedes vai ter que fazer algumas coisinhas pra compensar Hamilton por isso. Aguardemos.

Rosberg disse que Lewis merecia a vitória mas que estava feliz e comemoraria muito. Realmente, essa vitória caiu em seu colo e foi mais por sorte que por qualquer outro motivo. Mas o que mais ele poderia fazer além de comemorar esse novo fôlego no campeonato? Ele estava radiante enquanto Lewis irradiava até mais tristeza do que raiva. Acho que eu nunca tinha presenciado alguém tão desiludido em um pódio.

Além dos dois acontecimentos citados anteriormente, a corrida não nos proporcinou muitos outros grandes eventos. Massa fez uma boa largada mas foi espremido no guard rail logo na primeira volta – o que prejudicou toda a sua corrida visto a dificuldade de se ultrapassar em Mônaco – terminando só em 15º. Inicialmente, foi dito que o incidente ocorreu entre Felipe e Maldonado, mas depois veio a informação de que foi com Hulkenberg.

Revi as imagens e não cheguei a conclusão alguma sobre Hulk ser culpado ou não. Muito difícil julgar sem mais material para análise. O outro brasileiro/Felipe conquistou a 9ª posição o que é considerado um resultado muito bom pelo carro que tem (e que prossegue sem atualizações) e por ser a primeira vez que Nasr correu em Mônaco em uma prova de Fórmula 1.

O grande destaque, pra mim, foi Jenson Button que conseguiu os primeiros pontos da McLaren na temporada ao chegar em 8º. Alonso teve problemas e não conseguiu terminar a prova (já é a terceira prova que não conclui). Ao comparar a McLaren do GP da Austrália com esta do GP de Mônaco, nota-se uma tremenda evolução que, infelizmente, vem acontecendo a passos bem curtos. Mas acredito que seja uma evolução consistente, pois o carro parece ter sido muito bem feito e ter boa aerodinâmica.

O que ainda está causando tanta diferença para outros carros do grid é o motor que, supostamente, teria começado a temporada com uma diferença de 100cv para os rivais.

A Ferrari mudou mais coisas de seu pacote de atualizações e, mesmo assim, ainda não foi possível notar grande diferença, pelo menos na pista de Mônaco. Ficou claro  que os problemas de tração ainda não foram totalmente resolvidos e muito trabalho será necessário até o GP do Canadá. Preocupante ver Raikkonen, ainda sem contrato para 2016, apresentando resultados tão abaixo dos de seu companheiro.

Kimi, que havia corrido sem as atualizações na Espanha, disse que fez essa escolha para ajudar a equipe a comparar e saber se o novo pacote era realmente eficaz (e isso explicaria o baixo desempenho que teve no GP citado). Mas ele ficou abaixo do esperado também em Mônaco. Estaria a Ferrari voltando à velha política de dar preferência a um de seus pilotos? Espero que não.

E falando em política de equipe… Ricciardo estava muito rápido ao final da prova (quando Hamilton retornou dos pits em terceiro) e a RBR pediu para Kvyat deixá-lo passar para que tentasse ganhar a posição de Lewis. Na última volta, a Red Bull contatou Ricciardo para que devolvesse a posição a Kvyat, já que o mesmo não obteve sucesso em superar Hamilton.

Sou contra qualquer tipo de influência das equipes na pista, seja por ordens durante a corrida, seja por preferência prévia. Todas deviam dar condições de igualdade a seus pilotos e deixar que corram e se resolvam na pista, mas, considerando-se a realidade da categoria e o histórico da RBR, acho que a atitude tomada – na devolução da posição a Kvyat – foi muito legal e totalmente inesperada. Aliás quase tão inesperada quanto a excelente 7ª posição de Pérez com sua Force India.

Somente no GP do Canadá poderemos saber a real situação da Ferrari e Williams, bem como do psicológico de Lewis Hamilton, afinal, o grande rival dele costuma ser ele mesmo. Estou ansiosa pelos próximos capítulos desta novela. Até lá!

 

Foto: Getty Images



Autora do blog sobre automobilismo Racing Journal: https://racingjournal.wordpress.com/