Rei da Suíça, Bellucci não levou meio ano para cumprir meta de voltar ao top 50

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Para quem criticava um Thomaz Bellucci cabisbaixo e sem confiança há dois meses, durante a Copa Davis em série contra a Argentina, nesse sábado o canhoto tratou de silenciar os mais céticos ao conquistar o ATP 250 de Genebra, na Suíça, o quarto torneio do mais alto escalão na carreira. Na final, o paulista derrotou o português João Sousa por 2 sets 0, com parciais de 7/6(4) e 6/4 para coroar a excelente fase que atravessa no saibro europeu, com aproveitamento próximo a 80% – são 15 vitórias em 19 partidas (incluídos aqui jogos válidos de qualifying de ATPs).

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Com o troféu em Genebra na edição inaugural do evento no calendário da ATP, Bellucci quebra um jejum de dois anos e 10 meses sem títulos de grande porte – o último havia sido em Gstaad, também na Suíça. Aliás o pupilo de João Zwetsch prova ser uma espécie de ‘rei’ da Suíça, já que três dos seus quatro canecos vieram no país – Genebra/2015, Gstaad/2012 e Gstaad/2009 (o outro foi em Santiago/2010).

Assim Bellucci supera Fernando Meligeni e é o terceiro brasileiro a conquistar quatro troféus de nível ATP, superado apenas por Gustavo Kuerten, com 20 troféus, e Luiz Mattar, vencedor de nove torneios. Além disso, o jogador de 27 anos foi vice-campeão do Brasil Open em 2009 e do ATP 250 de Moscou em 2012.

Os 250 pontos em Genebra farão Bellucci alcançar em apenas cinco meses um objetivo de uma temporada inteira: retornar ao top 50. Antes de começar a trajetória vitoriosa no saibro suíço, o paulista de Tietê estava com 823 pontos no 60º lugar do ranking da ATP. Na próxima segunda-feira, quando estiver jogando Roland Garros, o número 1 do Brasil terá 1.073 pontos, e de volta ao top 40, faixa por onde não entrava desde maio de 2013.

Embalo na hora certa
Em cinco torneios no ano, Bellucci foi campeão em Genebra, fez quartas de final em Istambul, oitavas de final no Masters 1.000 de Roma, parando em jogo duríssimo contra Novak Djokovic, e segunda rodada no ATP 500 de Barcelona e Masters de Madri. Foram 500 pontos em pouco menos de dois meses, superando inclusive a marca de 2010, quando chegou a ser 21º do ranking mundial e avançou até as oitavas em Roland Garros.

Entretanto, mais que a recuperação do ranking, Bellucci certamente comemora o retorno da confiança em quadra. Na gira pelo saibro europeu, o brasileiro voltou a apresentar um ótimo volume de jogo com as já conhecidas pancadas do fundo de quadra, tanto de forehand como de backhand, mas aliando potência com variação. É perceptível que o pupilo de João Zwetsch se defende melhor com slices, escolhe melhor quando usar as curtinhas, utiliza vários tipos de saques (ora chapados, ora com efeitos american twist e slice) e até surpreende com voleios precisos junto à rede.

No jogo contra Sousa, o paulista não jogou seu melhor tênis e quase perdeu um primeiro set praticamente ganho. Ainda assim, Bellucci foi forte mentalmente para se perdoar de deslizes bobos ao longo do jogo e foi premiado mesmo num dia longe do nível ideal. Isso é ótimo para ele, que vai acreditando cada vez mais que pode desafiar os melhores do mundo em qualquer situação.

Força na peruca!
É torcer para que Bellucci mantenha a consistência nos próximos torneios e, principalmente, quando a temporada de quadras rápidas começar no segundo semestre. Mas primeiro ele precisa pensar em Roland Garros, onde estreia contra o australiano Marinko Matosevic. Se vencer, pode cruzar com o japonês Kei Nishikori. O asiático vai se consolidando no top 5, mas tem que tomar cuidado com o brasileiro, um dos jogadores mais perigosos soltos na chave em Paris.

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Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.