Opinião: Mercedes errou feio; Rosberg e a Fórmula 1 agradece

GP de Mônaco
Foto: Getty Images

Para ser sincero, antes de começar o GP de Mônaco, pensei seriamente em recuperar a noite mal dormida. Afinal de contas, Mônaco proporciona um belo circuito de rua, cheio de glamour… só que quase sempre é uma corrida sem graça, sonolenta e quem faz a pole position geralmente acaba vencendo.

Sorte que eu (e o mundo) presenciamos o maior erro da história e do ano da Mercedes.

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Lewis Hamilton que dominava o campeonato de ponta a ponta e que tinha feito a pole com o tempo de 1m15s098, já tinha meio caminho andado para conquistar sua quarta vitória no ano.

Lewis dominou a corrida inteira. O inglês soube lidar bem com os retardatários e abriu vantagem. A verdade é que Hamilton fez das ruas do principado um passeio. E até se dava ao luxo de conversar com seu engenheiro para saber o poderia ser feito para resfriar os freios.

Na 28ª, Kvyat foi o primeiro piloto do top 10 a fazer seu pit. Verstappen parou duas voltas depois, mas a equipe se enrolou na troca do pneu traseiro direito e jogou no lixo o ótimo final de semana do novato. Button entrou na 36ª. Vettel e Ricciardo, na 37ª. Rosberg e Raikkonen, na 38ª. Hamilton, na 39ª.

Depois das paradas nos pits, parecia uma questão de tempo para a edição de 2015 do GP de Mônaco ser mais uma corrida chata, com mais uma vitória de Hamilton e outra dobradinha da Mercedes.

De repente, Verstappen começa a brigar com Grosjean pela décima posição. Tinha tudo pra dar errado? Provavelmente. Vamos fazer uma conta básica. O francês já causou grandes acidentes no passado e já foi chamado até de ”louco da pista”. Agora se fomos somar o jovem holandês, com pouca experiência em Kart, apenas 17 anos e sem experiência alguma na principal categoria automobilística e adicione um circuito de rua muito estreito. Tinha tudo pra dar errado.

E a conta bateu certinha. Na 64ª volta, Verstappen entrou com tudo na reta e na hora de frear, encheu a traseira de Grosjean. Aliás, o holandês tem que agradecer muito pela barreira de proteção. Se fosse o antigo guard rail seria um acidente muito mais sério e causaria lesões do jeito que foi o acidente. No fim das contas, Safety Car.

Então, a Mercedes decide chamar Hamilton para fazer mais uma parada. Sinceramente ninguém entendeu o que a equipe queria fazer até agora. Alguém enlouqueceu, não é possível. Que conta era aquela? Quem fez aquela conta? Faltando 13 voltas, com aqueles pneus que aguentariam tranquilamente mais de 30 voltas em Monte Carlo.

Hamilton tentou sair voando dos pits e teve que ver Rosberg passar na sua frente. Como se não bastasse, caiu para terceira posição. Um final de semana tranquilo, tudo dando certo, tudo muito fácil e em minutos um clima tenso na equipe e um drama no final da prova. A tranquilidade deu lugar ao desespero.

Pelo rádio, se ouve um Lewis sem entender direito o que aconteceu, mas a mensagem ao seu engenheiro foi clara: ”Perdemos a corrida né?”. Mercedes já sabia da lambança que havia feito.

Safety Car saiu na 71ª volta e o inglês – com o carro melhor carro e pneus novos, faria de tudo para ganhar a corrida que já estava praticamente perdida. Só que na frente tinha uma Ferrari. E não era qualquer piloto. Sebastian Vettel é Tetracampeão e, em Mônaco, sabe segurar o ímpeto de um piloto disposto a fazer de tudo para vencer – Como já o fez na Red Bull em 2011 e venceu a prova.

Ricciardo com pneus novos, conseguiu na curva Mirabeau ultrapassar Raikkonen na volta seguinte. A RBR viu que o australiano tinha a chance de pódio e pediu para que Kvyat cedesse sua posição para o companheiro. E ele obedeceu. Porém, como não teve sucesso, devolveu a posição para o jovem russo. Belo gesto da Red Bull.

Rosberg que apenas administrou a vitória, comemorou muito uma vitória que caiu do céu. Difícil falar em injustiça, já que mesmo não dominando a prova, foi constante do início ao fim, mas a Mercedes errou com seu companheiro de equipe. O fato é que o alemão entra para história sendo o 4º piloto a ganhar três provas consecutivas em Mônaco – junto de Graham Hill, Alain Prost e Ayrton Senna. Nico e a categoria agradece, pois temos um campeonato de novo.

A Fórmula 1 é um belo esporte e mesmo com o melhor carro, acontece de acontecer erros e problemas. Muitos pilotos sofreram com isso e souberam perder, porém, Hamilton se mostra um mau perdedor e hoje foi infantil. Só faltou se jogar no chão e chorar copiosamente.

Parou o carro, depois foi lentamente até o Parc Fermé e quase derrubou a placa de terceiro lugar – como se a rejeitasse. Claro que se fosse eu, você, qualquer um ali, também ficaria furioso, ainda mais pela circunstância que foi. Agora, ficar de cara fechada, subir ao pódio, errar o lugar onde teria de ficar para a execução do hino alemão, não estourar a champanhe já chega a ser infantil.

E para finalizar a criancice tentou ir embora antes da coletiva, que seria comandada pelo ex-piloto Martin Brundle. Matteo Bonciani, assessor de imprensa da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), o convenceu a voltar. Para completar, respondeu às perguntas com frases curtas, sem dar muito papo a Brundle. Exemplo de mau perdedor. Chega a lembrar seu ídolo, Ayrton Senna, que também se achava o melhor de todos e que deveria ganhar sempre, mas não chega a deselegância do piloto inglês.

Agora passa a ficar interessante para o GP do Canadá. Rosberg está apenas a 10 pontos de Hamilton. Lembrando que o inglês tem um grande talento, mas tem um histórico considerável de desequilíbrio emocional – basta lembrar que na sua temporada de estreia, em 2007, perdeu o título após parar na caixa de brita na China, dando o título de bandeja ao Raikkonen. Por que lembrar disso no momento?

Ano passado, quem se perdeu mental e emocionalmente na equipe era Nico Rosberg. E se Hamilton não souber lidar com a decepção desta derrota, poderá se complicar. A conferir.

Foto: Getty Images



Apaixonado por futebol desde criança e por automobilismo também.