Opinião: Jogador pode pedir salário que quiser. Burro é o dirigente que se submete

Guerrero

Um jogador de futebol, assim como qualquer profissional, tem o direito de pedir o salário que quiser. Mas no caso do futebol, burro é o dirigente que se submete a esse tipo de pressão.

LEIA MAIS:
Mercado da bola: Presidente do Corinthians descarta renovação de Guerrero
Robinho muda discurso e agora não descarta defender rival do Santos

Nestes últimos dias, tivemos dois casos emblemáticos do que citei no parágrafo acima. O Corinthians agiu corretamente ao desistir de renovar com o atacante Paolo Guerrero, com a alegação de que não tem como pagar o salário que ele pede. Resta saber como o Santos agirá com o atacante Robinho no episódio da renovação do seu contrato.

Robinho que, aliás, teve uma atitude elogiável na coletiva de imprensa na última quinta-feira. Ele correu o risco de se queimar com a torcida do Santos, mas falou EXATAMENTE o que pensa. Num meio cercado de mentiras, temos que parabenizar quem fala a verdade.

Robinho deixou claro que, apesar de querer ficar no Santos, vai privilegiar quem lhe oferecer as melhores condições contratuais. Não importa se o clube for rival do Peixe ou for de outro país. E está no direito dele. O Santos é que não pode se apavorar com esta pressão e lhe oferecer um valor financeiro que não conseguirá cumprir no futuro.

Os clubes parecem, enfim, perceber algo básico: que eles são maiores que os jogadores. Os atletas passam, o clube fica. Não importa se são ídolos ou não.

Estamos passando por um momento muito interessante (e importante) no futebol. A cobrança por fair play financeiro está cada vez maior. Os grandes clubes, aos poucos, estão percebendo que é surreal pagar os vencimentos que pagam para jogadores e técnicos tops do mercado.

Não é à toa que medalhões como Abel Braga, Mano Menezes e Felipão estão fora do mercado, dando lugar a opções muito mais baratas. E clubes como o Palmeiras e o Santos estão optando por pagar salários em dia e fazer contratações mais modestas.

Agora, passamos por um momento crucial em relação aos jogadores tops. Será que os dirigentes dos clubes enfim deixarão de pagar salários vultosos aos seus ídolos? Mesmo que suas equipes caiam de rendimento e deixem de vencer campeonatos? Será que a torcida entenderá o momento financeiro e apoiará o time mesmo assim?

Acho difícil. A paixão conta muito no futebol, e costuma cegar. Mas fica a torcida para eu estar enganado.

Crédito da foto: Getty Images



Jornalista de esportes desde 2005, com passagem pelo UOL e Terra. Editor de comunidades do Torcedores.com e blogueiro do renanprates.com