O São Paulo era feliz com a LG e não sabia

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É curioso, mas totalmente natural e aceitável que o torcedor tenha carinho por algum patrocinador, que estampou sua(s) marca(s) na camisa do clube, principalmente se isto se deu em um período vencedor. O são-paulino, posso apostar, tem esse carinho pela LG Electronics, empresa sul-coreana de produtos eletrônicos, que patrocinou o time por quase nove anos.

A parceria entre a empresa e o São Paulo começou no Campeonato Brasileiro de 2001, o penúltimo da Era dos mata-matas e o primeiro que um tal Luis Fabiano disputou com a camisa Tricolor. Na ocasião, dentro de campo, pouca coisa rendeu, já que o time acabou eliminado para o Atlético-PR nas quartas-de-final, naquele fatídico jogo em que o volante Cocito fez Kaká, recém-revelado, sair de campo machucado – e chorando.

Porém, foi a primeira e última vez que os resultados da camisa de três cores com a LG no peito foram completamente frustrantes. No ano seguinte, 2002, a equipe ganhou o Superpaulistão (que não significa nada, é verdade), chegou às semifinais da Copa do Brasil e do Torneio Rio-SP e se fortaleceu para o Brasileirão, no segundo semestre, contratando o meia Ricardinho, ídolo do rival Corinthians.

Com ele, o time comandado por Oswaldo de Oliveira formou seu “Quadrado Mágico”, bem antes da seleção de Parreira: Ricardinho, Kaká, Luis Fabiano e Reinaldo aterrorizaram na primeira fase do nacional e classificaram o time com várias rodadas de antecedência, emendando 12 vitórias consecutivas e com oito pontos de diferença para o segundo colocado, o São Caetano.

Entretanto, a história nos mata-matas, de novo, foi frustrante. Mas o que aquele time fez na primeira parte da coisa, jamais foi esquecido. E serviu de combustível para o ano seguinte, quando começaria a Era dos pontos corridos e, ao mesmo tempo, a caminhada que terminou somente cinco anos depois.

A vaga conquistada pelo time à Libertadores, ao terminar o Brasileirão em terceiro, fez o clube voltar à competição mais amada pela torcida depois de 10 anos. Isso fortaleceu o vínculo do são-paulino com o time, fragilizado pelos seguidos anos de derrotas vexatórias, em fases finais de campeonatos, o rótulo de “pipoca” e tudo o mais.

Apesar de não ter vencido naquele ano (a eliminação, para o Once Caldas-COL, nas semifinais, foi dolorida, assim como as anteriores), o time montou ali a base que conquistou o mundo em 2005 e o Brasil, três vezes seguidas, de 2006 a 2008.

A LG esteve junto em todo esse período, até mesmo no Mundial de Clubes, onde, pela primeira vez, o São Paulo jogou com um patrocinador na camisa, algo que era proibido nos anos 90. Mais uma vez a empresa de eletrônicos fez história.

Aliás, falando nos produtos dela, em si, perdi as contas de quantas casas de são-paulinos que tinham algum eletrônico produzido pela LG. Na minha mesmo, tinha, e foi comprada depois do patrocínio. A relação passou a ser de carinho, como se a empresa fosse parte do time. Até as cores do logotipo combinavam, eram o mesmo vermelho, preto e branco da camisa.

Desde que ela saiu, no começo de 2010, as coisas não foram mais tão tranquilas para o time. Aliás, coincidência, ou não, foi neste ano que começou o declínio do “Soberano”, que até hoje patina para se reencontrar. De fato, São Paulo e LG eram unha e carne.

Informações gerais:

Parceria com o São Paulo acabou em janeiro de 2010;

Começou em 2001, no Campeonato Brasileiro;

Nos últimos anos, pagou R$ 16 milhões ao clube, que sonhava com R$ 30 (qualquer semelhança com a situação atual, não é mera coincidência), baseado no que conseguiam Flamengo (R$ 35 milhões) e Corinthians (R$ 41 milhões, somando todos os patrocinadores);

Dentro de campo, o time viveu seu tempo mais áureo no século com o patrocínio da marca de eletrônicos;

Ganhou um Paulistão, um Superpaulistão (que não significa nada, mas aconteceu), uma Libertadores, um Mundial de Clubes e três Campeonatos Brasileiros;

Foi a patrocinadora mais vencedora da história do clube, superando a lendária TAM;

Desde que saiu, a única marca que conseguiu ficar mais tempo com o clube foi a Semp Toshiba, que o deixou depois da Copa do Mundo de 2014;

Quando a parceria com a LG acabou, a marca ainda queria manter o vínculo, mas o São Paulo rechaçou, por querer mais dinheiro;

Durante um bom tempo, a empresa também estampou no uniforme a marca IPS, pertencente a ela, e pagou R$ 2 milhões a mais por isso;

Dentre os times grandes do Brasil, o São Paulo foi o único a ter sido patrocinado pela LG.

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