O futebol brasileiro não aceita a modernidade, vide a situação do Flamengo

Não é de hoje que os termos modernidade e futebol brasileiro são antagônicos. Após a vergonhosa derrota do Brasil para a Alemanha por 7a 1, na Semifinal da Copa do Mundo, ficou claro que a situação deste esporte por aqui precisa se adaptar à modernidade ou, pelo menos, saber lidar com os novos tempos, mas não e isso o que acontece.

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Tomando como exemplo o Flamengo, que na noite desta segunda-feira (25) demitiu o treinador Vanderlei Luxemburgo com menos de um ano à frente da equipe, isso é inegável. A saída de Luxa se dá após início ruim no Campeonato Brasileiro – empate com o Sport e derrota para São Paulo e Avaí – e de o treinador ter ouvido uma proposta do São Paulo, enquanto contratado pelo clube carioca.

Curiosamente, no ano passado, o mesmo Luxemburgo foi chamado para substituir Ney Franco que também teve um péssimo início no Brasileirão. O que há de comum neste ponto? Que a moderna diretoria do Flamengo, que vem modificando as finanças e gestão do clube, não consegue aguentar a pressão dentro de campo e apostar em um trabalho a longo prazo.

Na Alemanha, apostou-se na manutenção de o mesmo grupo de profissionais por um longo período de tempo na seleção principal, nas categorias de base e, principalmente, nos clubes (também nas categorias principal e de base destes). Consequentemente, a filosofia do futebol germânico mudou e os resultados estão aí.

No Brasil, quase um ano depois da vergonha protagonizada na Copa do Mundo, a realidade da descontinuidade dos trabalhos se manteve. O Flamengo é um exemplo disso, independente dos motivos que tenham levado a sua diretoria a demitir Vanderlei Luxemburgo.

O próprio treinador, é bom dizer, campeoníssimo nos anos 1990, não se renovou/reinventou. Desde 2004, quando comandou o Santos de Robinho, não sabe o que é conquistar um título nacional, embora tenha trabalhado nas principais equipes do país.

Em síntese, essa realidade nos mostra que o futebol brasileiro não aceita a modernidade. Ele está parado no tempo, apostando no surgimentos de jogadores excepcionais, como se os mesmos pudessem ser produzidos em larga escala e de acordo com as necessidades das equipes.

Foto: Getty Images