Opinião: O Brasileirão mal começou e já tem torcedor rezando

Luxemburgo - Getty Images

O Brasileirão mal começou e já tem torcedor dos times do Rio de Janeiro acendendo vela de sete dias de tudo quanto é cor e perfume: “valha-me Deus, não é possível que vamos sofrer de novo!”.

Olha, nessa segunda-feira ouvi um punhado de lamentações desse tipo. Pessoas aflitas tentando entender como o elevado gasto dessas equipes pode apresentar resultados de tamanho mau gosto. Realmente é um castigo fazer o camarada que acompanha e torce se debruçar sobre o castiçal pra pedir um golzinho salvador ou pro juiz anular o tento do adversário, logo na terceira rodada.

É tanto sofrimento que, a essa altura, creiam, deve ter gente com a agenda debaixo do braço planejando missa pras rodadas finais. Agora, amigos, convenhamos, “Nosso Senhor” é poderoso, mas milagre também tem limite.

No Flamengo, por exemplo, venho dizendo, desde o início da temporada, que o time estaria fadado ao fracasso sem um meio-campo capaz de equilibrar marcação e qualidade na transposição da defesa pro ataque.

Ora, o grande círculo central é a metáfora mais perfeita da bola cheia! Quem “bate um bolão” se realiza é ali naquele pedaço do gramado é como um encaixe performático, o miolo central é a parte mais estratégica do campo. Quem domina esse setor desarticula o adversário, porque arma bem a ligação com os homens de frente e, por outro lado, oferece sólida cobertura aos responsáveis pela zaga.

Parece tão simples…está escrito em letras garrafais na Enciclopédia do Futebol, será que se esqueceram disso?

Para o esquema dar certo, é necessário, claro, ao menos um jogador com algum talento pra desempenhar a função. O atleta precisa ter o mínimo de um fundamento que, para o esporte, é o encanto máximo: o passe certeiro, desconcertante.

Por enquanto, o jeito é transformar a sala ou a arquibancada em oratório, se apegar aos “salmos” e fazer vigília com as velas, mas reforço o aviso: os anjos são árbitros do mérito e entendem, como poucos, de futebol.

Crédito da foto: Getty Images



Jornalista formado pela Faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal de Juiz de Fora. Atualmente é professor do Departamento de Televisão e Rádio da mesma faculdade.