Opinião: No Grêmio, quero titulos e não ser “imortal”

crédito foto: Lucas Uebel/Site oficial do Grêmio

Quando guri, fui acostumado a ver meu Grêmio ganhar. Mas não ganhar uma partida e sair pra rua comemorar. Eu vivi para ver o Grêmio de 95 ser o melhor time que eu já ouvi falar. Nessa época, lembro que era difícil não ter uma camiseta Tricolor com um “Renner” gigante estampado como patrocínio e um 16 nas costas. Provavelmente nesta época nasceram muitos Danrleis, Jardeis, Dinhos. O lado de lá (vermelho) sofreu nessa época vendo um azul tomar conta do estado e do país.

Nada dura pra sempre, nem a guerra, nem a paz, nem a vida. Nem as glórias.

O jogo virou, nossos tempos de glória se foram e quem sabe morremos diante da nossa própria soberba. Estávamos acostumados a tomar um gol no começo de uma decisão e aos 46 min. do segundo tempo empatar e ganhar nos pênaltis. O Grêmio passaria e a “culpa” seria da imortalidade.

Era comum, era normal.

Eu vivi pra ver o lado vermelho e rival ter um planejamento e ganhar sua primeira Libertadores e conquistar o mundo em 2006.

No outro ano, tínhamos a chance de ganhar o Tri da América – que QUASE veio – quase.

Diante de um grupo fraco, chegamos a final com o regulamento embaixo do braço, fazendo um gol fora de casa e torcendo pra não tomar a diferença, e assim foi. O quase veio diante de um dos maiores times da América com um camisa 10 inspirado.

Continuamos no quase, achando que a imortalidade iria nos fazer campeões mais uma vez, e mais uma vez, não deu.

Em 2010, vi o Internacional igualar o feito do Grêmio e se tornar Bi da América e infelizmente continuamos acreditando na imortalidade.

Passaram-se mais cinco anos, continuamos acreditando que algum milagre vai descer do céu e trazer o meu Grêmio de 95.

Quero mais time.

Quero mais planejamento.

Quero mais títulos.

Não quero a imortalidade.

Foto: Lucas Uebel/Site oficial do Grêmio