Rogério Ceni: sensação do dever cumprido e da luva pendurada no momento certo

Rogério Ceni
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Como saber a hora de parar, de dizer que já deu, ou simplesmente decidir pelo ato de pendurar as chuteiras. No caso dele de pendurar as Luvas.

Como uma vez me disse o ex- jogador Hergos “não nos aposentamos, apenas penduramos a chuteira, é melhor dessa forma”. E desse modo o rapaz que iniciou sua trajetória no clube paulista do Morumbi em 1990 começou a traçar o tirar das Luvas para sempre. Muitas vezes adiando esse momento, por qual motivo? Ah! por ele, pelo clube, por sua história.

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Rogério Ceni tem em seu enredo no futebol, apenas dois registros de clube, o Sinop e o São Paulo, o primeiro, três anos de profissionalismo ainda no juvenil, já o segundo, um teste, uma realidade, um sonho e um profissionalismo de 17 anos dedicados a  uma única empresa, ao seu clube de coração.

Mais que um goleiro, um goleador de bolas paradas, com seu centésimo gol marcado em um clássico, em um de seus maiores rivais em campo – o Corinthians. Um goleiro campeão de tudo, desde os juvenis ao Mundial da Fifa, campeão pela Seleção Brasileira e com o título mor de seu clube, sendo o capitão mais respeitado em 950 jogos pelos torcedores e no campo por seus companheiros,e em alguns momentos tendo o direito de estar na posição de “aconselhador” junto a sua diretoria. Tendo registrado a presença do goleiro em uma das últimas reuniões de Muricy Ramalho.

Como um excelente trabalhador a moda antiga, Rogério Ceni deixará o gramado em agosto de 2015, ano em que completaria 25 anos de casa. Sendo esse o mês que iniciou sua vida são paulina em 1990, quando teve pela primeira vez seu nome inscrito em uma competição pelo São Paulo, no empate de 0x0 contra o Guarani em campinas, sendo o reserva de Zetti pela primeira vez no campeonato Paulista.

A primeira partida profissional de Ceni foi dia 15 de abril de 1990 contra o Cáceres. O goleiro atuava pelo futebol mato grossense do Sinop. E para as alegrias vividas e celebradas dos diversos títulos de Rogério com o torcedor tricolor, o goleiro preferiu a carreira futebolística à bancária pública.

“Tenho contrato até 6 de agosto e confesso que não conversei nada com ninguém, mas gostaria de ter meu último jogo em casa, no Morumbi. Claro que não dá para saber ainda de parte física. Mas, em tese, não gostaria de terminar jogando fora de casa”, comentou o goleiro, depois da vitória por 3 a 0 sobre o Joinville, no Cícero Pompeu de Toledo, em entrevista ao site Terra.

Com toda à sua carreira realizada de sucesso,o 01 do São Paulo se despede não apenas com o adeus ou um simples até logo, mas com a sensação de um dever cumprido, da sua marca bem registrada, da chuteira bem utilizada ou principalmente da sua luva muito bem gasta, com as suas defesas e com todos os seus gestos realizados como um bom e fiel líder e capitão do time, tendo sempre o reconhecimento de seu trabalho em todos os gramados brasileiros e de todo o mundo.

Foto: Getty Images