São-carlense, jornalista lança livro com curiosidades sobre o futebol inglês

Crédito da foto: Divulgação/Reprodução

*Colaborou Glauco Costa

Jornalista de profissão e autor de um excelente documentário sobre o estádio Paulo Machado de Carvalho, o popular Pacaembu, Plácido Rodrigo de Almeida Berci, mais conhecido como Plácido Berci, que agora está lançando o livro Paixão, onde conta histórias de pessoas que, assim como ele (e como boa parte de nós), são apaixonadas pelo futebol.

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Na entrevista, o jornalista – que para escrever sobre o livro “Paixão“, morou na Inglaterra -, dirigiu o documentário Pacaembu – O gigante sem dono. Além de ambos os projetos, Plácido Berci é blogueiro do ESPN FC e editor-chefe do blog4quatrodois.

Ainda no bate-papo com a reportagem, Berci comenta sobre sua paixão pelo jornalismo e a crise acerca do meio, projetos colaborativos, a emoção de acompanhar jogos de futebol na Europa – que levou-o a lançar o livro, dentre outros assuntos.

Quem quiser colaborar com o livro Paixão – Uma viagem pelo futebol inglês (e garantir seu exemplar) basta acessar o sistema de financiamento coletivo do Catarse www.catarse.me/futebolingles

O Torcedores.com teve a honra de conversar com ele e abaixo traz os trechos desta entrevista exclusiva com um dos melhores cidadãos que a cidade de São Carlos poderia dar ao Brasil:

Torcedores: Conte-nos um pouquinho de sua paixão pelo Jornalismo. Como surgiu e por quê escolheu tal profissão?

Plácido Berci: O jornalismo me acompanha desde a infância mesmo sem que eu percebesse. Sempre gostei de contar histórias e minha primeira ideia de profissão era ser um desenhista de revistas em quadrinhos. Quando criança tinha um time de futebol e criei um jornal sobre as “notícias” das nossas partidas que xerocava e entregava para os outros integrantes do time. Quando me dei conta queria ser jornalista. Resumindo, minha paixão pelo futebol e por contar histórias me levou a escolher a profissão.

T: Quando o seu projeto foi lançado no Catarse? Estará no ar para quem quiser colaborar até quando?

PB: O projeto entrou no ar no dia 16 de março e vai até 16 de maio. Felizmente já atingimos o valor mínimo necessário para publicação do livro, mas agora a luta é para chegar aos 12 mil reais e melhorarmos a qualidade dele. Se atingirmos a nova meta dobraremos o número de fotos coloridas contidas na obra. Quem quiser garantir um exemplar com nome na página de agradecimentos é só entrar no site www.catarse.me/futebolingles

T: Plácido, pelo seu livro e pelo documentário, seu objeto de análise se dá sobre estádios de futebol. Você considera essencial assistir a um jogo das arquibancadas/cadeiras, ou acredita que a televisão consegue proporcionar essa emoção?

PB: Cara, nada substitui a experiência emocional de assistir in loco a um evento com milhares de pessoas no mesmo local. A sensação de ver e sentir gente de todas as idades, sexo, classes sociais distintas vibrando em prol de um time é única. A TV é interessante para quem gosta de prestar atenção aos comentários, mas não substitui o jogo no estádio.

T: Quais as grandes diferenças, positivas e negativas, do Pacaembu, tema do seu documentário, em relação aos estádios ingleses?

PB: A maioria dos estádios ingleses de ponta é mais silenciosa que os brasileiros. Nosso jeito de torcer é mais animado, barulhento. Porém, na Inglaterra tudo é organizado, com uma infraestrutura que funciona e as partidas estão sempre com casa cheia. Para quem gosta de futebol é como vivenciar uma cena de filme entrar em um estádio com 80 mil pessoas. Mas nada supera meu bom e velho Pacaembu.

T: Como surgiu a ideia de fazer um documentário sobre o Pacaembu?

PB: Foi meu projeto de conclusão de curso na faculdade e queria fazer um filme sobre algo relacionado à Copa do Mundo. Pretendia achar um problema deixado pelo Mundial e, devido à construção das novas arenas, percebi que o Pacaembu seria subutilizado após o evento. Foi um insight importante já que antecipamos em dois anos – o documentário foi feito em 2012 – uma questão relevante sobre qual seria o futuro do estádio.

T: Por que o financiamento de seu livro se dá por meio de crowdfunding?

PB: É um modo já popular no exterior e que está se firmando no Brasil. O bacana é que os colaboradores já garantem um exemplar numa espécie de venda online. Além disso, é uma alternativa viável em caso de não conseguir patrocínios. Recomendo para todos que queiram tirar do papel algum projeto cultural.

T: Assim como o Torcedores.com, o ESPNFC também é um espaço colaborativo. Na sua opinião, qual a importância dessas iniciativas para o jornalismo esportivo e que impactos causam?

PB: O meu site, Blog quatro4dois, também segue o mesmo modelo. Os tempos modernos fazem com que qualquer pessoa possa registrar fatos de interesse público ou expressar sua opinião na internet. É ruim para os jornalistas profissionais porque ganhamos uma concorrência difícil de ser batida, mas remar contra a maré é burrice. No caso do esporte é interessante que apaixonados falem sobre ele e o esquema colaborativo gera diversidade de opiniões – que é sempre bem-vinda.

T: Você, como jornalista formado pela PUC, se enquadra na categoria dos profissionais de comunicação que possuem diploma universitário. Como você vê essa discussão no Brasil sobre a necessidade de a profissão de jornalismo exigir diploma?

PB: Na teoria, o diplomado tem mais capacidades de produzir um conteúdo de interesse público do que uma pessoa sem estudos na área. Na faculdade, aprendemos a diferenciar o que é uma notícia do que é apenas um acontecimento desinteressante a população e desenvolvemos um olhar crítico sobre o mundo. Acho fundamental. Por outro lado, vemos jornalistas profissionais mais preocupados em ganhar cliques com matérias fúteis do que em contar boas histórias. O futuro do jornalismo está em aberto.

T: Plácido, você já coordenou um documentário sobre o Estádio do Pacaembu, por que teve a ideia de lançar um livro e não um documentário, por exemplo?

PB: Minha primeira ideia quando viajei era fazer um documentário, mas como estava escrevendo bastante para blogs e às vezes para mim mesmo em forma de registro sobre o que estava vivendo resolvi me aventurar em um novo meio. Pessoalmente, sempre sonhei em escrever um livro e acho que foi a melhor opção para narrar as histórias que “Paixão” conta.

T: De onde surgiu o título do livro “Paixão”? Como você considera a sua estadia na Inglaterra?

PB: Sou encanado com títulos e a ideia veio depois de um sonho que tive. Existem várias interpretações. A principal é que o livro conta histórias de pessoas apaixonadas por futebol e fala sobre o sentimento do povo inglês pelo jogo. Como os textos são baseados em experiências que tive durante a viagem, o título pode se referir à minha própria paixão pelo esporte. Mas a obra fala sobre sentimento, não teria título melhor.

T: Como dissemos, você já lançou um documentário e está prestes a lançar um livro, sobre o futebol inglês. Além disso, é colaborador do ESPN FC e editor do blog quatro4dois. Quais são os seus próximos objetivos na carreira de jornalista?

PB: Quero voltar para o Brasil para decidir meus próximos passos. Não sei qual será o futuro, no momento a única certeza que tenho é a de continuar contando boas histórias ligadas ao esporte. Quero crescer como jornalista esportivo.

T: No Brasil, muitos veículos de comunicação sofrem com a crise. O Grupo Bandeirantes de Comunicação teve de fazer cortes em sua equipe, enquanto o Estadão pôs fim ao seu caderno de esportes. Como você, morando na Inglaterra, encara isso? Chegou a passar por uma situação parecida?

PB: A situação me preocupa até porque, como já disse, vivemos um momento de transição no jornalismo. A história da televisão é muito recente apesar de já habitar a rotina das pessoas e a internet já está provando que o cenário será diferente em alguns anos. A internet é o presente e futuro. A televisão precisa se reinventar e o jornal impresso assumir seu papel de formador de opinião. Na Inglaterra o rádio não tem a mesma força que no Brasil e a BBC comanda a produção de conteúdo jornalístico. Mas me parece que a “crise” não chegou tão forte por lá.

T: As novas mídias estão provocando a crise desses veículos de imprensa?

PB: Acho que ninguém tem a resposta para essa pergunta e todos estão tentando encontra-la. É preciso achar uma maneira de continuar valorizando o trabalho do jornalista profissional, que estuda e se qualifica para transmitir informação. Contudo, a participação do povo através de registros em vídeo, foto e até mesmo em textos é importante. Deve ser um algo a mais e não tirar espaço de quem se preparou para esse tipo de trabalho. A crise acabará quando encontrarmos o equilíbrio.

Crédito da foto: Divulgação/Reprodução

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Projeto de jornalista. Se alimenta de seus sonhos através de caneta e papel. Com passagens pelo Voz Caiçara. Atualmente é colaborador do Torcedores.com e, quando pode, faz mídias sociais no PSG Brasil. Um amante do futebol de base.