Opinião: Torcida do Palmeiras precisa se libertar do sentimento por Valdivia

O meia Valdivia voltou a jogar pelo Palmeiras neste sábado (4) após quatro meses de ausência. E foi aclamado por boa parte do público presente no Allianz Parque na vitória por 3 a 1 sobre o Mogi Mirim, pela penúltima rodada da fase de classificação do Campeonato Paulista. Depois do jogo, o chileno se sentiu no direito de ironizar repórteres, fez pressão sobre a diretoria pela renovação do contrato, se sentiu como o dono da festa.

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Acontece que Valdivia se acostumou a ser referência em times horrorosos montados pelo Palmeiras. Tirando sua primeira passagem, quando foi campeão paulista em um time que tinha bons jogadores, como Alex Mineiro, Diego Souza, entre outros, o meia chileno sempre foi a esperança solitária do torcedor alviverde em momentos terríveis. E assim surgiu esse sentimento de amor pelo jogador, que faz com que parte da torcida não enxergue a realidade.

Valdivia hoje é um jogador caríssimo. Atua pouquíssimas vezes, está quase sempre machucado, “lesão na coxa” virou sinônimo de seu nome, tanto que as inúmeras piadas na internet não deixam dúvidas disso. O contrato de produtividade que teria sido oferecido pela diretoria viria justamente para corrigir isso, mas o jogador sabe que não seria viável para ele ganhar por partida que ele vai a campo.

Existe uma espécie de “sorte” para Valdivia. Toda vez que o Palmeiras está em crise, ele volta a jogar e ajuda o time de alguma forma. A torcida, então, coloca em prática a memória seletiva. Se esquece de que Valdivia era um jogador fundamental em times ruins e sua ausência era motivo das más campanhas. Mas, não. Seu retorno e consequente melhora do time serviam para continuar a santificar a figura do jogador.

Em 2015, muita coisa mudou. O Palmeiras não é mais “valdiviadependente”, tem um elenco muito reforçado, contratou outro jogador querido pela torcida para o meio de campo, Cleiton Xavier, que nem sequer estreou, está formando novas referências, como Robinho e Dudu, e pode dizer, enfim, que tem um time. Valdivia, no entanto, continua protegido pela “capa” do apoio da torcida. É isso que o faz falar com tanta propriedade, soberania e até arrogância nas entrevistas.

O remédio é simples: por mais que Valdivia tenha sido importante e participado das duas únicas conquistas que o Palmeiras teve depois da Era Parmalat, é hora de se libertar do sentimento que a torcida nutre por ele e deixar que ambos sigam seus caminhos. Ou será que não aprendemos nada com Felipão e cia. vivendo de passado? É melhor cortar o mal pela raiz antes que seja tarde demais.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016. Também colabora com o ONDDA, site "irmão" do Torcedores.com.