Opinião: O São Paulo precisa de prudência e canja de galinha

São Paulo

Parafraseando Celso Roth, a palavra de ordem São Paulo deve(ria) ser: CAU-TE-LA.

Calma, gente. Não estou sugerindo o nome do Roth para o lugar do Muricy. Longe de mim!

É que a diretoria tricolor tem demonstrado muita pressa em anunciar um novo comandante, almejando que o contratado, seja lá quem for, assuma o time já numa eventual semifinal de Paulistão e na rodada decisiva da fase de grupos da Libertadores, contra o Corinthians, dia 22 no Morumbi.

LEIA MAIS: 
Na busca de substitutos para Kardec, São Paulo sonda Ricardo Oliveira

O vice-presidente de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, afirma buscar um treinador com nome de impacto, que seja vitorioso, saiba trabalhar o lado psicológico dos jogadores e ao mesmo tempo tenha capacidade de botar o time para jogar. Ah, e o mais importante: que possa comandar um treino na Barra Funda o mais rápido possível.

Eu já assisti esse filme, em 2013, e foi mais ou menos nessa mesma época do ano. Na ocasião, Paulo Autuori veio substituir Ney Franco e tentar reparar o fracasso do time naquele semestre. O discurso sobre como ele possuía o “perfil ideal” para arrumar a casa era exatamente o mesmo. Creio que todos se lembram como esse filme acaba, né?

Quem trabalha com pressa trabalha pressionado, logo quem quer que chegue para treinar o São Paulo neste contexto, chegara no limite da pressão e dificilmente vai resolver a transição lenta do meio campo, motivar elenco ou arrumar qualquer um dos problemas referentes ao time – e não são poucos, hein?

É preciso que direção, comissão técnica, lideranças no elenco e torcida deixem a soberanice de lado e sejam humildes o suficiente para aceitar que tudo aquilo que não podia acontecer, infelizmente aconteceu. Sim, é horrível, é uma derrota política, financeira, moral, técnica e tática. Mas já aconteceu.

Reclamar sobre falta de respeito com a camisa tricolor e esbravejar melancolicamente a respeito de um time que já não é mais aquele de 2005, tanto não ajudou em nada no ano retrasado, como não terá serventia alguma agora.

A partir do momento em que isto estiver claro para todos, se é que isso é possível, tão mais fácil será entender também que o planejamento para o primeiro semestre já está em cheque, e a partir de agora o que vier é lucro. Inclusive uma classificação para as oitavas de final na Libertadores.

Talvez seja até a melhor estratégia para um provável clássico nas fases finais do Paulistão: passar a pressão para o outro lado. Afinal de contas, Santos, Corinthians e Palmeiras… Não estão todos em grande fase? Com jogadores em ótima forma e de bem com a torcida? Já tem até dirigente posando de pop-star em propaganda engraçadinha…

Ora, caberá a eles toda a responsabilidade de eliminar o São Paulo. A pressão não estará mais do lado tricolor. Simples assim.

Eu aposto todas as minhas fichas que São Paulo teria mais chances nesse contexto, do que numa perspectiva de um Vanderlei Luxemburgo ou um Alejandro Sabella tendo dez dias para preparar o time prum clássico, e com a responsabilidade de fazer a equipe ressurgir das cinzas.

Novamente: quem tem pressa, trabalha pressionado.

Ainda que não venha nenhum título no primeiro semestre, dessa forma eu visualizo um time que, no mínimo, irá cumprir a participação nos torneios sem ter uma cruz para cada um carregar. E jogando de cabeça erguida, ao contrário do que está sendo visto até agora.

E enquanto isso, segue a busca, para que o próximo treinador seja o cara certo e chegue no momento certo. Quem sabe não dá até para segurar as pontas e esperar pelo Jorge Sampaoli? Ou que venha Luxemburgo, Sabella, tanto faz… O importante é preparar bem o terreno para que o próximo comandante possa conhecer o elenco, implantar filosofia de trabalho e começar um projeto novo com calma, foco e paz de espírito.

De um jeito ou de outro, isso só vai ocorrer se a pressa for substituída pela CAU-TE-LA. Prudência e canja de galinha. A solução para a crise no São Paulo passa por isso.

Ou, como diz o outro: inspira, expira e não pira.

Foto: Getty Images



Acompanha quase todos os esportes, mas torce apenas para o São Paulo e para o San Francisco 49ers. Tenta, na medida do possível, discutir com base na razão, e não na emoção.