Mate, hinchas e atmosfera centenária: um domingo de futebol no Uruguai

Lucas Tieppo/Torcedores.com

Uma das mais tradicionais escolas do mundo, o futebol uruguaio vive grave crise técnica, mas nem por isso passar uma tarde no lendário estádio Centenário, em Montevidéu, é um programa de índio. Vivi essa experiência no último domingo de Páscoa e o que menos importou foi o futebol nada glamoroso apresentado por River Plate e Peñarol.

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Os preparativos começaram dias antes. Como não sabia se seria viável comprar o ingresso na hora, fiz dias antes. Associação Uruguaia de Futebol usa uma grande rede de lotéricas como ponto de venda, o que tornaria a compra bastante tranquila. O preço variava entre 100 (apenas para torcedores do River) e 550 pesos uruguaios.

Apesar do mando de campo ser do River, os maiores setores eram destinados ao rival, muito mais popular na capital uruguaia. Decidi ficar no meio termo e paguei 900 pesos (cerca de R$ 120 reais) por dois ingressos para a arquibancada Olímpica.

O jogo seria às 16h do domingo e fui ao estádio de ônibus. Estava hospedado no centro de Montevidéu e a distância de cinco quilômetros foi percorrida em menos de 20 minutos. No caminho já foi possível entrar no clima do jogo com um grupo de ‘hinchas’ carboneros que puxavam os cantos dos últimos bancos. Ao cruzar com um torcedor do rival Nacional, as tradicionais brincadeiras e provocações.

Ao chegar às redondezas do Centenário, as ruas estavam cheias de torcedores do Peñarol, que apesar de visitante, dominaria as arquibancadas. Quando me aproximei do estádio da primeira Copa do Mundo, a impressão é que ele precisa urgentemente de uma modernização.

Ao passar pela revista policial, cheguei ao setor onde acompanharia a partida e a impressão foi confirmada. Apenas um pequeno setor do outro lado do campo é coberto e os assentos pouco confortáveis. Os banheiros não dão as condições ideias de uso. Mas ao contrário do que se pode imaginar, nenhuma cara feia ou de reprovação dos uruguaios. Eles gostam do Centenário e de assistir aos jogos no estádio como ele é.

Como esperado pelo preço mais salgado, o público do setor Olímpico era bastante tranquilo e chamou a atenção a quantidade de crianças, famílias e mulheres. Outra coisa que chamou a atenção foram as tradicionais garrafas de água fervente para o consumo do mate.

Se no Brasil é proibido a entrada até de livros, no Uruguai a polícia permite a entrada das garrafas térmicas, que podem facilmente usadas em uma eventual confusão. Vendedores ambulantes também comercializam refrigerante em latas e garrafas de vidro, alvo fácil para qualquer torcedor mal intencionado.

Lucas Tieppo/Torcedores.com
Lucas Tieppo/Torcedores.com

Como o jogo, apesar de valer a liderança do Torneio Clausura, colocava o tradicional Peñarol contra o pequeno River Plate, nenhuma confusão ocorreu.

O jogo em si foi pouco atrativo e sem grandes emoções, o que pode explicar a venda de café em grande garrafas térmicas que circulavam com pelas arquibancadas. Combinação perfeita com os churros – SEM DOCE DE LEITE – também comercializados.

Foram poucas chances de gol e os que saíram mais ao acaso do que pela qualidade das equipes. A paixão pelo futebol, no entanto, foi comprovada com os 90 minutos de cantoria vinda do setor Amsterdã, onde ficam as organizadas do clube. Os outros torcedores acompanhavam os hinos e gritos de incentivo.

Ao final, uma vitória suada do Peñarol por 2 a 1 e liderança confirmada e a certeza de que os apaixonados uruguaios e o estádio Centenário merecem uma apresentação digna da paixão e história.



Editor senior do Torcedores.com, o jornalista formou-se na Universidade Metodista em 2009 e passou pelas redações do Diário do Grande ABC, Agora SP, UOL e Fox Sports, onde fez a cobertura da Copa do Mundo de 2014. Está no Torcedores desde outubro de 2014.