Cinco motivos para explicar a pressão em Diego Aguirre, no Inter

O Inter possui atualmente uma das melhores campanhas de um time brasileiro na temporada. Perdeu apenas duas vezes, ganhou outras várias, empatou pouco, se classificou em primeiro lugar no Campeonato Gaúcho, está em segundo no seu difícil grupo na Libertadores, mas ainda assim, parece estar em crise.

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O principal alvo das reclamações é o técnico uruguaio Diego Aguirre. Até antes do surto do lateral-esquerdo Fabrício, na quarta-feira passada (1º), que o fez, obviamente, virar a vidraça das pedradas da torcida e dirigentes, Aguirre era o profissional que todos amavam odiar no Colorado. O curioso é que não dá direito para entender o por quê disso.

Por essas e outras, o Torcedores.com levantou cinco possíveis motivos que podem explicar a pressão descomunal em Diego Aguirre neste início de temporada. São eles:

1. É estrangeiro

O brasileiro é um bicho esquisito: ele reclama de uma suposta falta de bagagem teórica dos técnicos em atividade no país (salvo raras exceções, como Tite), mas quando trazem um estrangeiro, que pode dar um tempero diferente na cancha, inferniza a vida do sujeito até ele sair. Foi assim com Ricardo Gareca, no Palmeiras, ano passado, que não teve tempo de montar o time direito, e já foi demitido. Acho que nem Freud explicaria essa (falta de) lógica.

2. Faz testes para conhecer melhor o elenco

O cara acabou de chegar no clube, não é daqui, logo, não acompanha tanto assim o futebol dessas terras. Qual a atitude mais sensata a se fazer antes de montar o time, com uma pré-temporada curta como a nossa? Usar o Estadual para testes. É exatamente isso que qualquer treinador faz, mesmo aqueles que já estavam em seus cargos na temporada anterior. Com Aguirre não foi diferente. O elenco do Inter é muito inchado, tem 34 jogadores. O mais óbvio é testar todos, contra os times fracos do Gaúchão, para ir achando respostas. Pois bem, isso irritou a torcida.

3. Muda de esquema, também para testar

Seguindo o lema do tópico anterior: se o cara não conhece o elenco, sabe que a pré-temporada é ridícula de curta e tem noção de que os adversários do começo de ano são suficientemente fracos para que testes no time não sejam tão prejudiciais no curto prazo, é necessário também testar esquemas táticos. Aguirre usou três diferentes, desde que chegou (um deles, já era usado por Abel Braga, em 2014): o 4-5-1, o 3-5-2 e o 3-6-1. O mais curioso é que o time conseguiu bons resultados com todos eles, principalmente os que usaram três zagueiros. Mesmo assim, Diego Aguirre foi apedrejado.

4. Não se abala com as críticas

Quando dizem que o Uruguai é um país pacato e pacífico, devemos acreditar. Diego Aguirre é a maior representação disso. É muito difícil ver o profissional alterado, mesmo dentro de campo. O máximo que ele faz é gritar para incentivar o time, mas raramente o veremos irritado, cobrando o jogador de uma forma ríspida, como é comum fazerem outros profissionais. Nas entrevistas, então, ele é quase um Oswaldo de Oliveira dos pampas, tamanha a serenidade nas respostas. É evidente que os críticos consideram essa postura uma suposta falta de vibração e comprometimento com o time e tornam tal fato mais uma desculpa para pegar no pé dele.

5. Tem ganhado por placares magros

Esse é o motivo mais bizarro de todos. Em primeiro lugar porque o futebol gaúcho é, tradicionalmente, truncado e acostumado a conquistas com placares mínimos, apenas o necessário para a glória. E em segundo (e pior) lugar, porque o time está sete jogos sem sofrer gols, venceu todos eles, não perde desde o início de março, demonstra uma baita casca na Libertadores, segura um empate improvável com o Emelec-EQU, fora de casa, e ainda assim a torcida reclama. É concordável que o time nem sempre apresenta uma consistência ao longo de toda uma partida, mas não dá para negar que os objetivos, que são as vitórias, têm sido conquistados. Por que tanta bronca?

Se tem alguma sugestão, escreva nos comentários!

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Foto: Divulgação / SC Internacional



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