“Sócrates”: Um livro para você ter na cabeceira

Como já disse aqui no Torcedores.com, detesto as piadinhas dos “antis” em relação ao intelecto corintiano. Fazendo a minha parte como contribuição, recomendo um livro que desde quando eu o ganhei no amigo secreto da firrrrrrma, virou meu livro de cabeceira. Qual? O do mestre, do ousado, o Magrão, aquele que leva Brasileiro no sobrenome, o irmão do Raí (parente a gente não escolhe): “Sócrates”, escrito brilhantemente pelo jornalista Tom Cardoso.

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O livro é emocionante, com a descrição as jogadas escritas são desenhadas em sua mente. Sem contar a atuação dele fora dos gramados, como criador da “Democracia Corintiana” e sua ajuda na campanha das Diretas Já. O futebol era pequeno demais para a grandeza de suas ideias, e ele se engajou intensamente na vida pública do país.

Idealista e rebelde, o meio-campista genial que desafiava as autoridades e incomodava os cartolas. Sócrates ainda sagrou a frase: “O Corinthians é um símbolo de brasilidade, do que nós somos.”. Tudo isso me fez pensar: Ele merece o nome na Arena!

Talentoso ao extremo, mas talvez sem a vocação para suportar a rotina de treinos, viagens e privações da carreira, Sócrates era um anti-atleta. Fumava dois maços por dia, bebia em grandes quantidades. “Se tivesse me dedicado mais, não seria uma pessoa tão completa como sou agora”, dizia aos mais chegados, na fase final da vida.

Sócrates tinha nome de filósofo, era médico, magro e sem fôlego. Totalmente fora dos padrões de um jogador de futebol, e há quem torça o nariz para isso. Mas, felizmente, também era dono de uma técnica impressionante, junto à tranquilidade e liderança – que também são incomuns em jogadores de futebol, e uma perninha torta que faz o autor compara-lo ao Garrincha.

O prefácio, do jornalista palmeirense Mauro Betting é de emocionar,  onde ele diz que talvez tenhamos tido craques maiores do que Sócrates em campo, mas é ”possível que nenhum brasileiro tenha jogado melhor pelo país” do que Sócrates em “todos os campos”. Que ao final confessa que eram amigos de copo.

Por ser diferente, Sócrates se divertiu enquanto pôde à sua maneira. Sorte de quem, como ele, pôde aproveitar. Sócrates: A história e as histórias do jogador mais original do futebol brasileiro” é um livro recente, lançado em novembro de 2014. Recomendo a leitura.



Formada em jornalismo pelo Mackenzie, demorei anos para perceber que dá, sim, para ir atrás dos sonhos e trabalhar com o que se gosta: o esporte. Hoje me divido entre o esporte e a política. Nunca vou me conformar com os que dizem: "É só futebol.."