Opinião: Para você Léo Moura, o mais sincero obrigado

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Não é fácil dizer adeus. Não importa a maneira, os porquês, as causas e as consequências, qualquer despedida leva emoção à  todas as partes envolvidas na separação. Uma relação de uma década chegou ao seu fim nesta semana. Leonardo da Silva Moura, conhecido como Léo Moura, deu adeus ao Flamengo, time em que o jogador fez história durante uma década.

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Foram 519 jogos vestindo o manto sagrado com 247 vitórias e 47 gols marcados, múltiplas assistências e oito títulos. O gol mais bonito? Aquele, lá no México, no jogo de ida da Libertadores, contra o América-MEX. Léo encobriu o arqueiro Ochoa com categoria, naquela larga e dominante vitória por 4 a 2.

Longe de ser apenas uma retrospectiva, aqui vai um gigantesco obrigado ao ex-capitão do rubro-negro carioca.

A chegada de uma promessa

Tímido, Léo chegou ao Flamengo em 2005 após ser jogador do rival Fluminense. Estreou com derrota para o Corinthians, fora de casa, por 4 a 2. Atuou 32 vezes na temporada e ainda marcou sete gols, porém sem conquistar títulos. Um ano depois, já entrosado com seus companheiros, o lateral foi campeão da Copa Do Brasil após vencer o Vasco na final da competição. A partir daí, anos de glória para o jogador e também, para a torcida flamenguista.

A hegemonia estadual do Flamengo teve seu início em 2007, quando a equipe derrotou o Botafogo nos pênaltis. As conquistas não se encerrariam por aí. O Fla se tornaria vencedor do mesmo Campeonato Carioca pelos dois anos seguintes, contra o mesmo Botafogo, conquistando seu tricampeonato do RJ. Mas o auge de sua carreira ainda estaria por vir.

A ascensão de um futuro capitão

Em 2009, nomes como Petkovic, Everton e Adriano Imperador faziam parte do elenco que conquistou o hexa campeonato brasileiro, junto com Léo Moura. Após uma arrancada espetacular nas últimas rodadas, o Flamengo se consagrou campeão depois de assumir a liderança apenas na penúltima partida do Nacional.

No último desafio, contra o Grêmio, não faltou emoção dentro do Maracanã. Ronaldo Angelim foi o nome daquele jogo, marcando o gol da virada já no segundo tempo, dando aos torcedores o título do Brasileiro após 17 anos de jejum.

A confirmação do status de ídolo

Léo voltaria a conquistar um troféu em 2011, já com a braçadeira de capitão, quando o Fla, de forma invicta, foi campeão estadual. O lateral foi eleito o melhor jogador da posição do campeonato. O atleta voltaria a erguer a Copa do Brasil em 2013, comandado pelo técnico Jayme de Almeida.

Partidas emocionantes fizeram parte da trajetória como o confronto contra o Cruzeiro no Maracanã, quando Elias, hoje no Corinthians, marcou o gol da vitória nos últimos minutos do jogo, explodindo o maior estádio do mundo.

O clássico estadual contra o Botafogo ocorreria nas quartas, e com atuação excepcional do grupo em todo, o Flamengo não deu espaços e superou o alvinegro. No jogo de volta, Léo foi homenageado e ainda marcou um gol na goleada por 4 a 0 sobre o rival. O Fla chegou a final contra o Atlético-PR e se sagrou campeão dentro de casa.

Léo também foi premiado individualmente durante sua carreira no rubro negro. Em 2007, ganhou o Bola de Prata da Revista Placar, prêmio concedido aos melhores jogadores do Campeonato Brasileiro. Foi eleito melhor lateral-direito do Nacional no mesmo ano, e também em 2008. Voltou a ser reconhecido em 2010 e 2011, quando ganhou o mesmo prêmio, mas por suas atuações no Campeonato Carioca.

O emocionante e merecido adeus

A despedida tinha o dia marcado. Na noite de quarta-feira, dia 5 de maio, Léo entraria em campo pela última vez com a camisa do Flamengo, no Maracanã, palco de glórias e ótimas lembranças para o Moicano da Gávea. Mais de 30.000 flamenguistas foram acompanhar os momentos finais da gloriosa carreira do lateral no Mais Querido.

O jogo foi contra o Nacional-URU e terminou 2 a 0 para o Fla, com gols de Eduardo da Silva, com passe de Léo Moura, e de Matheus Sávio, jovem promessa das categorias de base.

Antes da partida, Léo recebeu uma placa de agradecimento de ningúem menos que Zico. Os dois se emocionaram, fazendo o mesmo com a torcida presente no Maraca e também, quem assistia pela TV.

Assim como qualquer relação duradoura, há momentos de crise. Mário Quintana disse uma vez que as mãos que dizem adeus são pássaros que vão morrendo lentamente. Léo, em atuando abaixo de sua capacidade ultimamente, causando raiva e estresse nos torcedores. Não sei se posso parafrasear Quintana, mas aqui farei pois estamos falando do maior ídolo do Flamengo da útlima década.

Nossas mãos não estão se despedindo de pássaros que morrem lentamente. Léo Moura nunca morrerá. Atuações ruins não serão capazes de apagar tudo que este grande profissional fez por uma equipe tão gigante como o Fla.

Quem também fez uma breve porém significante citação sobre o “adeus” foi Ricardo Soares Barros. Ricardo disse que “Só com a agonia da despedida somos capazes de compreender a profundidade do nosso amor”. Sou audacioso o bastante à retrucá-lo.

Antes mesmo da despedida já sabíamos do tamanho do amor e respeito que temos ao maior ídolo do Flamengo da última década. Obviamente, para alguns, a despedida serve para descobrir a falta que Léo fará ao nosso elenco. E claro, fará e muita!

Deixo aqui meu sincero obrigado à Leonardo da Silva Moura, o maior que já vi jogar no meu time de coração. Não sei como será assistir os jogos sem poder ver o atleta de moicano aberto na ala direita, com a faixa de capitão em seu braço esquerdo, exigindo sempre de seus companheiros o melhor que eles podem dar.

Talvez eu demore pra me acostumar, talvez não fique satisfeito com nenhum que tentar substituir o grande Léo, mas a vida é assim. Despedidas sã o necessárias para que novos atletas possam chegar e assumir, quem sabe, seu status de ídolo.

Inúmeros jogadores conseguiram ser “o cara” no Flamengo. Pet, Adriano e vários outros já estiveram nessa posição.

Léo, diferente de todos, foi tão competente em sua carreira que pode se tornar “a cara” do Mais Querido do Brasil.

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