Opinião: O São Paulo se tornou um time difícil de se acreditar. Até fora de campo

São Paulo

Há pouco mais de duas semanas, no fatídico primeiro jogo da Libertadores, contra o Corinthians, todo mundo se lembra das declarações de PH Ganso sobre o juiz Ricardo Marques Ribeiro, que não apitou falta em Bruno, lateral-direito do São Paulo, no lance que terminou no segundo gol alvinegro, na Arena Corinthians.

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Ainda no gramado, no calor do jogo, as câmeras flagraram o meia chamado o apitador de “ladrão, ladrão pra c…”, direcionando o olhar para alguém no banco de reservas, provavelmente o técnico Muricy Ramalho. Na saída do campo, ao fim do jogo, o atleta foi ainda mais direto, em entrevista para o SporTV. Afirmou sem escrúpulos que o jogo tinha sido “roubado”, causando um imenso mal-estar, até entre a própria torcida, uma vez que a equipe tinha jogado tão mal, que justificar a derrota com um erro apenas, soou como uma piada de mal gosto.

No dia seguinte, a imprensa veiculou que o jogador seria processado pelo árbitro e o mesmo, na sexta-feira daquela semana, véspera de preparação para o jogo contra o Audax, pelo Campeonato Paulista, no Morumbi, disse que não iria jogar, porque “não estava se sentindo bem”. Pelo menos foi o que disse Muricy para os repórteres da coletiva naquela data, sem especificar se aquilo tinha relação com o que fora dito ou não. Ficou no ar a dúvida.

Agora foi a vez do volante Souza. Após o jogo contra o mesmo Corinthians, no último domingo (8), o jogador vociferou contra a própria torcida, ironizando tudo e todos, ao dizer, em miúdos, que o torcedor do São Paulo cobra demais e comparece ao estádio e apoia o time de menos. De fato, no Morumbi, naquele dia, apenas 18 mil pessoas estavam presentes, um percentual delas corintianas.

Mas o Souza não tem que questionar absolutamente nada, já que o papel dele é representar os milhões que ficaram de fora do estádio, espalhados Brasil afora inclusive. Esse tanto de gente ajuda a justificar o quanto que ele ganha de salário, a fama e a exposição que ele ostenta. Tem é que jogar a bola dele e respeitar quem se diz torcedor do São Paulo, independente do modo como isso é demonstrado.

Assim como o companheiro de time, dois dias depois da falação de besteira, Souza acusou “não estar se sentindo bem”, oficialmente veiculado como “dores musculares”, e não irá jogar a próxima partida, novamente no Morumbi, contra o São Bento, pelo Paulistão. Que coincidência, não? Não, não mesmo. Não consigo acreditar.

Principalmente porque o time do São Paulo tem mostrado, rodada após rodada, o quão frágil é psicologicamente, omisso, fujão da raia. Fora de campo não seria diferente. E isso só comprova que o problema não é tático, físico, técnico ou de salários, como tentaram enfiar goela abaixo. O problema é falta de hombridade e para tal chaga, não existe tratamento eficaz, a não ser a eliminação do problema. Ou do “transmissor” dele. Dos dois, pensando bem. Dos dois.

Foto: Getty Images



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...