Opinião: Muricy está desmotivado e atrapalha o São Paulo

Muricy

Comecemos este texto de opinião de um jeito pouco usual, por meio de um fato: Muricy Ramalho é ídolo do São Paulo. Pode não estar comandando um time que vem apresentando resultados convincentes, pode não ter conseguido ganhar um título desde que voltou ao clube, pode ter todos os seus defeitos, sua rabugentice, mas Muricy Ramalho é um ídolo do São Paulo.

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Com isto posto, podemos ir para o passo seguinte: Muricy Ramalho está totalmente desmotivado em sua profissão e boa parte do cenário atual se deve a isso. Muricy não grita, não gesticula, não discute. Se o faz, é de forma tão discreta que quase ninguém percebe. Pelo que eu me lembre, o último resquício do Muricy “das antigas” foi a discussão ríspida que teve com Douglas, ano passado, no intervalo de um jogo sem importância, de um campeonato de mesmo porte.

De lá para cá, Muricy teve dois problemas de saúde graves e foi murchando. Murchou pela necessidade, primeiro, e depois pelo reconhecimento, mesmo que implícito, de sua falta de força para lutar no ambiente de leões que se tornou o São Paulo atual. É muita juba pra pouco rei. Muita vaidade pra pouco espelho.

Não que Muricy não tenha a sua vaidade, mas ele, por ser o elo entre a diretoria, que é quem dá as cartas para os jogadores, e os jogadores, que dão as cartas para o que se vê em campo, acaba sendo a vidraça das pedradas que vem por todos os lados, e seu ego fica menos evidente.

Algo diferente da sua motivação: evidentemente cada dia menor – o que tem atrapalhado o time. Não há criatividade. Mas também não há retranca. Não há chuveirinho. Mas também não há movimentação rápida e toque de bola envolvente. Não há jogadores indisciplinados demais. Mas também não há jogadores pacíficos, respeitosos com os juízes. O São Paulo parece um nada, costurado com o lugar nenhum.

Muricy não é o único culpado. Na verdade, “culpa” não é o substantivo que melhor se encaixa aqui. Mas esse Muricy de 2015 tem sim, seu peso de contribuição no negativismo Tricolor. Pela omissão, que em alguns casos é o pior dos pecados. Este é um deles.

Se Aidar não irá demiti-lo por algum motivo, ele poderia trair pelo menos uma de suas convicções e pedir demissão. Aproveitar que estamos no começo da temporada e ainda é possível ganhar alguma coisa. De algum rival, quem sabe. Se não, a saúde pode, de fato, cobrar o preço. Aí todo mundo pode sair perdendo. Até os rivais.

Foto: Getty Images



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